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Trekking com chimpanzés na Tanzânia: safari no Gombe Stream National Park

Fizemos um trekking com chimpanzés na Tanzânia - veja aqui como foi o nosso safari no Gombe Stream National Park.
Trekking com chimpanzés na Tanzânia
Fizemos um trekking com chimpanzés na Tanzânia, e aqui eu mostro em detalhes como foi o nosso safari no Gombe Stream National Park
Começamos o nosso roteiro de viagem pela Tanzânia fazendo alguns safaris no norte do país, e depois seguimos viagem para Zanzibar, e muita gente pensou "ah, eles primeiro cansaram nos safaris e deixaram Zanzibar pro final da viagem, para relaxar na praia antes de voltar para casa..."

Isso é o que 99% dos turistas fazem nos seus roteiros pela Tanzânia: começam fazendo safaris no Serengeti e Ngorongoro, e depois vão passar uns dias relaxando nas praias azul-turquesa de Zanzibar. 

Mas nós não somos o turista-padrão! Realmente deixamos o melhor para o final da nossa viagem...com a ressalva de que, para nós, o melhor não é exatamente relaxar na praia - o melhor não é Zanzibar!!

Para nós, o sonho de consumo desta viagem pela África era mesmo ir conhecer de pertinho uma floresta tropical protegida no leste da Tanzânia, famosa por suas famílias de chimpanzés! 

Eu e o Peg amamos chimpanzés e, desde que ouvi falar pela 1ª vez nas pesquisas da Dra. Jane Goodall, eu sonhava em conhecer esse lugar! Sem falar que já aproveitaríamos para conhecer o lindo Lago Tanganica e o local do famoso encontro entre o Dr. Livingstone e Stanley, sobre o qual eu já havia lido tanto!

Então, depois de passar uns dias explorando Zanzibar, ainda tivemos muita aventura nesta viagem maravilhosa: fomos para a selva tanzaniana, na fronteira com o Congo e o Burundi, às margens do Lago Tanganica, onde fizemos 2 dias de trekking com chimpanzés e outros primatas! 

Podem preparar os seus coraçõezinhos, porque o melhor desta viagem ainda está por vir: neste post vou contar todos os detalhes deste trekking safari com chimpanzés, para quem, como nós, é apaixonado por chimpanzés e sonha reprisar a nossa aventura!

Temos um encontro marcado? Levanta a mão quem vem junto conosco!

Ah, num post anterior aqui no blog, eu já publiquei o vídeo do nosso trekking safari no Gombe Stream - que eu AMEI, embora seja suspeita para opinar, já que foi o Peg quem editou, né! 

Vejam aqui:



Para assistir no YouTube, clique aqui.

Leia também: 













Trekking com chimpanzés na Tanzânia
o Lago Tanganyika é o 2° + profundo do planeta (só perde para o Lago Baikal, na Rússia), com 1470m de profundidade em algumas partes, e também o lago + comprido do mundo

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
foi emocionante encontrar esses primatas tão de pertinho na floresta

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
amor entre mamãe-chimpanzé e filhotinho-chimpanzé!

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
mamãe chimp carregando seu filhote

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
Cascata Kakombe no Gombe Park

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
chimpanzé na floresta tropical da Tanzânia

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
você sabia que 98% do código genético dos chimpanzés é igual ao dos seres humanos?

Quanto custa fazer safari com chimpanzés

Já escrevi um post completo no blog detalhando todos os custos da nossa viagem - veja aqui: Quanto custa viajar pela Tanzânia, Zanzibar e Quênia

Como já expliquei, o melhor lugar para pesquisar safaris na África inteira é o site Safari Bookings, que eu apelidei de 'Booking dos safaris', um site onde dá para comparar e entrar em contato com praticamente todas as companhias de safari da África - desde as agências mais luxuosas até as mais simples. 

Para fazer trekking com os chimpanzés na Tanzânia, são poucas as opções (diferente dos outros tipos de safari, que são organizados por dezenas, senão centenas de agências): se não me engano, esses animais vivem em apenas 2 lugares no país, e acho que são só 2 ou 3 agências que organizam safaris nesses locais. 

Vocês podem pesquisar no site que eu indiquei acima e, se encontrarem outras opções que acharem melhores, por favor deixem as dicas nos comentários!

Depois de muito pesquisar e comparar os pacotes que encontrei disponíveis, escolhemos um safari que, na minha opinião, tinha o melhor custo-benefício, programação e os comentários mais elogiosos - um chimpanzé trekking de 3 dias/2 noites da Gombe Safaris no estilo econômico ('budget', em inglês): U$ 800 (valores por pessoa). 

Vale barganhar um pouco e pedir desconto ao Joshua (da Gombe Safaris) durante a negociação. 

Vou deixar aqui pra vocês o WhatsApp dele, mas acho que vale a pena fazer o contato incial através do site Safari Bookings, por email. Eu fiz o contato inicial por email, através do site, e depois que negociei e acertei tudo com ele por email, segui mantendo contato e tirando dúvidas por WhatsApp. 

👉 Joshua (trekking dos chimpanzés): +255756086577

Acho mais seguro ter sempre tudo documentado por email, especialmente sobre o que está ou não incluído no pacote do safari. Acertei tudo com ele na véspera de embarcar para a Tanzânia, mas não fiz nenhum pagamento - só fui pagar chegando lá em Arusha, quando nos encontramos pessoalmente, em dólares (vou explicar melhor essa história abaixo) - tudo para economizar, pois no cartão de crédito tudo fica mais caro (eles cobram taxas extras para pagamento no Visa).

Nestes safaris é TUDO incluído (todos os transportes, passeios, pernoites e alimentação). 

Nos dias em que estávamos fazendo safari, não gastamos praticamente nada por fora - só as gorjetas, cervejas e comidinhas, como vocês verão no detalhamento abaixo:

  • Gombe Safari 3 dias: U$ 1600
  • Lanchinhos para viagem em Kigoma: 14.500
  • Bebidas: 15 mil (3 mil as cervejas e 1000 o refrigerante)
  • Gorjetas do trekking para o guia e o cozinheiro: U$ 40 (calculamos U$ 10 por dia/por pessoa)
  • Gorjeta carregador do hotel em Kigoma: 3 mil
  • Gorjeta motorista James: 5 mil

Leve em consideração que, na Tanzânia, U$ 1 = 2308 TSh.

O nosso pacote de safari custou U$ 800 com hospedagem na Tanapa Rest House, que são as acomodações mais simples do parque nacional (mostro mais do nosso quarto abaixo) - Tanapa = Tanzania National Park. 

Se você fizer questão, é possível dar um upgrade na sua hospedagem e ficar em acomodações um pouco mais luxuosas (mas não espere muito). 

Nosso acerto com a agência Gombe Safaris do Joshua incluiu: traslado para o aeroporto em Dar Es Salaam, traslado do aeroporto em Kigoma, passagens aéreas de ida e volta e taxas (Dar-KGM-Dar), taxas de entrada no parque nacional, acomodações no parque nacional, hotel em Kigoma, serviços de guia experiente que fala inglês, barco privado ida e volta de Kigoma para Gombe, todas as refeições e cozinheiro, atividades conforme itinerário, água potável, passeio a Ujiji e taxa de trekking. 

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
as passagens aéreas da Air Tanzânia estavam incluídas no nosso trekking safari com chimpanzés

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
e o barco ida e volta de Kigoma até o parque Gombe também

Dá para confiar nessas agências da Tanzânia?

Vocês lembram quando eu contei nos stories do Instagram que um dia estávamos perdidos à noite no meio da escuridão em Arusha e "fomos encontrados" por um homem que estávamos indo encontrar? 

Pois este homem era justamente o Joshua, proprietário da Gombe Track Safaris & Tours, com quem eu havia combinado via emails e mensagens de WhatsApp o nosso safari no parque nacional Gombe!

Quando chegamos em Arusha, depois de viajar pelo Quênia, combinamos encontrar com o Joshua no hotel, para fazer o pagamento em dinheiro do trekking safari com chimpanzés, e ele nos viu no meio da noite, perdidos no meio do nada, e parou para oferecer ajuda, para só depois descobrirmos que era a nós mesmos que ele estava indo encontrar kkkk...

Pois entregamos U$ 1600 na mão dele, sem garantia nenhuma de que ele cumpriria o prometido e, como sempre nesta viagem pela Tanzânia, ele cumpriu todo o combinado! 

Acertei com ele de fazer o pagamento "ao vivo" em dinheiro porque assim evitaríamos pagar as taxas extras que eles cobram para pagamentos online e o IOF do Visa. Esse pagamento em cash nos economizou mais de 10% do custo total do safari!

Aqui eu expliquei mais como funcionam as coisas na Tanzânia: Quanto custa viajar pela Tanzânia, Zanzibar e Quênia

Esses U$ 1600 são o valor total do safari de 3 dias para 2 pessoas (800 dólares por pessoa), e incluem passagens aéreas ida e volta de Dar Es Salaam para Kigoma, transfers de/para aeroportos, viagem de barco ida e volta de Kigoma ao Gombe Stream National Park, alojamento no parque nacional, hotel em Kigoma (são 2 noites), visita ao museu em Ujiji e todas as refeições. 

Quando estávamos pesquisando os safaris que gostaríamos de fazer na Tanzânia no site Safari Bookings, nos demos de cara com esse trekking dos chimpanzés, e na mesma hora ele entrou para a wishlist, pois eu imediatamente lembrei de tudo o que já tinha lido sobre a Dra. Jane Goodall. 

Os gorilas são incríveis, sem dúvidas, mas somos apaixonados por chimpanzés desde que li sobre os estudos da Dra. Jane. Uma verdadeira paixão! Quando descobri que havia, na Tanzânia, um parque nacional específico para a proteção desses animais, na fronteira com o Congo e Burundi, não tive dúvidas, precisávamos ir conhecer esse lugar.

Não é uma brincadeira barata (ainda mais considerando que já havíamos acertado um safari de 5 dias com a Suricata Safaris), pois envolve voos ida e volta Dar Es Salaam - Kigoma e uma viagem de barco ida e volta pelo Lago Tanganyika, além de 2 noites de hotel, alimentação, guias para os trekkings (obrigatórios), passeios e transfers.

Em resumo, entregamos o $$ na mão do Joshua em Arusha e a única referência que tínhamos eram as resenhas positivas no site Safari Bookings sobre a reputação da empresa dele

Não tínhamos passagens aéreas na mão nem nada, até a véspera do nosso voo para Kigoma, quando ele mandou um WhatsApp avisando que o motorista Juma nos buscaria no dia seguinte no hotel de Dar Es Salaam em que estávamos hospedados para nos levar ao aeroporto às 5hs da manhã. 

Foi o próprio motorista Juma quem nos entregou as nossas passagens aéreas na hora do embarque e nos avisou que teria alguém nos esperando no Aeroporto em Kigoma!! E lá fomos nós, rumo ao desconhecido, sem ter muita certeza do que nos aguardava!

Tudo no melhor estilo tanzaniano: pode confiar, que eles sempre entregam o prometido!

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
eu sonhava tanto com esse momento!

Trekking com chimpanzés na Tanzânia

Trekking com chimpanzés na Tanzânia

Trekking com chimpanzés na Tanzânia

Porque não fazer por conta própria o safari dos chimpanzés

Eu sei que muita gente nem cogitaria organizar esse safari por conta própria, mas nós estamos acostumados a fazer tudo por conta própria, sem intermediação de agências, então é óbvio que a minha primeira ideia foi organizar nosso trekking com chimpanzés na Tanzânia também por conta própria. 

Ocorre que, além das dificuldades que encontrei para organizar tudo sozinha, devido à mínima informação disponível na internet sobre o parque Gombe, ainda acabei concluindo que, se fizéssemos tudo sozinhos por nossa conta, acabaríamos pagando mais caro do que se contratássemos a agência do Joshua! 

É verdade: quando fui somar os valores das passagens aéreas ida e volta de Dar para Kigoma, mais a noite de hospedagem em hotel, mais o barco de ida e volta de Kigoma até Gombe, rapidinho cheguei a U$ 500. 

E ainda tinha que somar os custos de todos os transfers, guias, ingressos no parque nacional e alimentação - sem falar que eu não tenho nem ideia de como poderíamos ter arranjado a questão da alimentação por conta própria, já que não existem restaurantes no parque nacional - o Joshua mandou um cozinheiro conosco, que foi quem cozinhou as nossas refeições lá! 

Só o ingresso no parque (conservation fee) custava U$ 118 por pessoa, e ainda teríamos que pagar a tarifa do guia do trekking (U$ 23,60 por pessoa), e mais a taxa de acomodação na pousada (U$ 23,60 por pessoa)...

Sei que algumas pessoas de fato vão por conta própria, mas não sei de onde tiram comida nesse caso, e nem acredito que ir por conta própria ajude muito a diminuir os custos. 

Acabei me convencendo de que, mesmo que pudesse economizar um pouquinho fazendo tudo por conta prória, não valeria a pena o perrengue de ter que pesquisar e organizar tudo sozinha. 

Então a conclusão desta pessoa que adora fazer tudo por conta própria é que, neste caso específico do safaris dos chimpanzés, compensou pagar pelo conforto de ter alguém organizando tudo pra mim!

passagens aéreas ida e volta de Dar para Kigoma incluídas no nosso trekking safari dos chimpanzés

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
note que só o ingresso no parque (conservation fee) custa U$ 118 por pessoa, e ainda tem que pagar a tarifa do guia do trekking (U$ 23,60 por pessoa), e mais a taxa de acomodação na pousada (U$ 23,60 por pessoa)

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
pagar pelos guias, ingressos, acomodações, passagens aéreas e alimentação num lugar super remoto não custa barato

Roteiro do trekking dos chimpanzés

Bem resumidamente, o roteiro do nosso safari para ver os chimpanzés na Tanzânia era assim:

Dia 1: 01/12 - Dar Es Salaam - Kigoma - Gombe

Dia 2: 02/12 - Gombe - Kigoma

Dia 3: 03/12 - Kigoma - Dar Es Salaam

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
as mamães-chimpanzés têm muito trabalho catando piolhos nos filhotes!

Trekking com chimpanzés na Tanzânia

Trekking com chimpanzés na Tanzânia

Dia 1 safari chimpanzés

Dar Es Salaam - Kigoma - Gombe

No nosso itinerário enviado pela Gombe Safaris, no 1º dia constava: 
Pela manhã, pegue seu vôo doméstico programado para Kigoma. Você será buscado no aeroporto de Kigoma na sua chegada e terá um traslado para a vila de Ujiji, para visitar o memorial do Dr. Livingstone. 

Depois de visitar Ujiji, traslado ao porto de Kibirizi para embarque no seu barco particular para Gombe. Chegada ao alojamento no parque nacional. Em seguida prossiga para o rastreamento de Chimpanzés à tarde na floresta. 

A principal atração do Gombe Stream são obviamente as famílias de chimpanzés que vivem protegidas dentro dos limites do parque. Os visitantes fazem caminhadas nas profundezas da floresta para observar os extraordinários primatas. Além da observação de chimpanzés, muitas outras espécies de primatas vivem nas florestas tropicais do Riacho Gombe: macacos Val vet e colobus, babuínos, porcos da floresta e dik-dik habitam a densa floresta e uma grande variedade de pássaros tropicais.
Almoço, jantar e pernoite.
Nosso voo de Dar Es Salaam para Kigoma da Air Tanzania estava marcado para as 7:30hs - 9:40hs, então o Joshua, que organizou nosso safari no Gombe Stream National Park, nos avisou que o motorista Juma nos buscaria no hotel para nos levar ao aeroporto as 5hs da manhã.

E não é que, como prometido, o Juma estava nos esperando na recepção do hotel onde ficamos hospedados em Dar Es Salaam (não incluído no safari) - o Tanzanite Executive Suites - às 5hs da manhã em ponto!? Os tanzanianos não cansam de entregar o prometido, não decepcionam nunca! A coisa é totalmente informal, o que acaba deixando a gente sempre meio nervosos, na dúvida se vai dar tudo certo, mas no fim eles sempre cumprem exatamente o combinado! 

Deixamos uma mochila com as coisas que não precisávamos para os dias seguintes guardadas no hotel (pois voltaríamos para mais uma noite lá no final do trekking com chimpanzés) e, 10min depois, estávamos no aeroporto - pensei que fosse mais longe, mas o Aeroporto Internacional de Dar Es Salaam é bem próximo do centro da cidade, ainda mais neste horário de madrugada, quando não há trânsito. Mas atenção: se o seu voo for durante o dia, saia para o aeroporto com muita antecedência, pois os engarrafamentos são terríveis, como presenciamos alguns dias depois!

Essa corrida para o aeroporto já estava incluída no valor do safari. 

O check-in na Air Tanzania levou apenas alguns segundos - no terminal de embarques domésticos eles ainda pesam as malas naquelas balanças de farmácia - bem diferente do terminal internacional, que é bem moderninho! 

Tomamos café da manhã no aeroporto: 17 mil. O hotel Tanzanite Executive Suites, onde ficamos hospedados em Dar Es Salaam (e recomendamos muito), não serve café da manhã. 

no terminal de embarques domésticos do aeroporto de Dar eles ainda pesam as malas naquelas balanças de antigamente

o terminal internacional do aeroporto de Dar é muito mais moderno do que o terminal doméstico

O voo de 2hs teve lanchinho e foi bem tranquilo. 

Na chegada em Kigoma, vimos o enorme Lago Tanganyika do céu e pousamos numa vila de ruas de barro, onde é quase inacreditável que realmente haja um aeroporto. 

O lugar onde entregam as malas é fantástico - nada de esteiras rolantes por lá!

decolando em Dar Es Salaam rumo ao extremo oeste da Tanzânia

lanchinho no voo doméstico da Air Tanzania

sobrevoando o Lago Tanganica na chegada em Kigoma

pousando em Kigoma/Ujiji

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
Kigoma vista de cima

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
Aeroporto de Kigoma

a "esteira" de recolher as malas é uma janela de madeira, onde eles literalmente jogam as mochilas

O motorista James já estava nos esperando no Aeroporto de Kigoma com uma placa com nossos nomes, e nos levou até Ujiji, para conhecermos o museu local, situado onde o Dr. Livingstone foi encontrado por Stanley e disse a famosa frase "Dr. Livingstone, I presume"?! 

Essa história engraçada merece um Google aí! 

Ujiji é a cidade mais antiga do oeste da Tanzânia, localizada a cerca de 10Km ao sul de Kigoma. É o lugar onde Richard Burton e John Speke chegaram pela 1ª vez às margens do Lago Tanganica em 1858. 

Foi lá que ocorreu o famoso encontro, em 10 de novembro de 1871, quando Henry Stanley encontrou o Dr. David Livingstone, a quem muitos consideravam morto, pois não se ouvia falar dele há vários anos, e supostamente pronunciou as famosas palavras “Dr. Livingstone, eu presumo?" 

Ujiji
Dr. Livingstone Memorial

Ujiji
a famosa cena é retratada em quadros, esculturas e desenhos no museu de Ujiji

Não conhece essa história ainda?? 

Eu adoro ler histórias de exploradores, então já conhecia essa, e explico melhor: o famoso explorador inglês Dr. Livingstone estava há anos desaparecido na África, e então o exército inglês montou uma expedição para encontrá-lo. 

Depois de meses e meses de buscas, encontraram-no debaixo de uma mangueira em Ujiji, e o também inglês Stanley, líder da equipe de buscas, com toda a pompa e fleuma britânicas, ainda quis se certificar de que era ele mesmo o procurado, fazendo a pergunta mais ridícula e redundante de todos os tempos, já que não havia nenhum outro homem branco num raio de milhares de quilômetros!

Um monumento conhecido como "Dr. Livingstone Memorial" foi erguido no local para comemorar o encontro. Há também um modesto museu e uma antiga rota de escravos perto do mercado.

Ujiji
Dr. Livingstone Memorial

Ujiji
local do famoso encontro, que ocorreu debaixo de uma mangueira em Ujiji

Ujiji
momento em que o Dr. Livingstone, que estava há anos desaparecido na África, foi finalmente encontrado em Ujiji, pelo inglês Stanley

Ujiji
Ujiji também tinha uma antiga rota de escravos perto do mercado

Ujiji
Dr. Livingstone era muito querido entre os locais, por ter ajudado a libertar muitos deles da escravidão

Ujiji é uma cidadezinha bem pobre, cheia de casas de barro. Kigoma já é um pouquinho maior, mas bem pobre também. 

Depois da nossa visita a Ujiji, o James nos levou até Kigoma, onde paramos num boteco para comprar lanchinhos para a viagem de barco: compramos bolachinhas, batatas Pringles, refrigerantes e castanhas por 14.500. 

Passamos pelo bonito prédio da estação de trens de Kigoma - o famoso 'fim da linha', pois são 3 dias de viagem de trem de Dar Es Salaam, onde a linha de trem começa, no litoral leste do país, até Kigoma, onde a linha termina, no extremo oeste da Tanzânia.

Ujiji
ruas e casas de barro em Ujiji

Kigoma
a famosa estação de trens de Kigoma é o fim da linha

Kigoma
pelas ruas de Kigoma, uma cidade maior, e também muito pobre

Depois seguimos até Bangwe Beach, onde pegamos o barco às 11h15min para a viagem de barco de 2hs pelo Lago Tanganyika até o Gombe Stream National Park

O Lago Tanganyika é o 2° + profundo do planeta (só perde para o Lago Baikal, na Rússia), alcançando 1470m de profundidade em algumas partes! 

E é também o lago + comprido do mundo - tudo por causa do Rift Valley 😉

O lago tem águas azuis totalmente cristalinas, é lindo! Ao norte, a poucos Kms de distância, está o Burundi e, ao oeste, o Congo - tão perto que é possível ver as margens do lago pelo lado do Congo. 

Kigoma
embarcando para a nossa travessia pelo Lago Tanganica rumo ao Gombe Park

Kigoma
as águas do Lago Tanganica são cristalinas

Kigoma
e esse passeio de barco foi bem relaxante!

Lago Tanganica
viagem de barco de 2hs pelo Lago Tanganica

Lago Tanganica
as colinas do parque Gombe ficam nas margens do Lago Tanganica

Lago Tanganica
vimos povoados minúsculos com casas de barro nas margens do Lago Tanganica

Chegamos no parque nacional Gombe Stream às 13h15min e 30min depois já saímos pro trekking dos chimpanzés. Foi só o tempo de nos registrarmos no parque, largarmos as mochilas no quarto que estava reservado para nós na Tanapa Rest House e colocar os tênis, e o guia já estava nos apressando para irmos aos 'chimps'! 

Preferíamos ter almoçado antes de partir para o trekking, já que eram quase 14hs - achei essa parte do tour meio bagunçada - mas entendemos que tínhamos que adaptar nossa fome ao horário dos chimpanzés, afinal, estávamos lá única e exclusivamente para vê-los, e eles eram nossa prioridade total, e não iam ficar nos esperando almoçar para depois irmos visitá-los...então, se o guia estava dizendo que tínhamos que ir logo para encontrá-los na floresta, melhor deixar o almoço pra depois, né! 

Ainda bem que tínhamos comido uns lanchinhos no barco - num safari, é melhor sempre se precaver carregando umas castanhas ou algo assim na mochila! 

Fizemos 2hs de trekking pela floresta tropical do Gombe acompanhando o deslocamento de uma comunidade de chimpanzés! Foi muita emoção!!

Não há fofura maior do que ver o carinho e o cuidado das mamães-chimpanzés com os filhotes!! Ver os abraços que elas davam nos filhotes me fez morrer de saudades do meu próprio filhote!

Lago Tanganica
chegando à sede do Gombe National Park

Lago Tanganica

Trekking com chimpanzés na Tanzânia: safari no Gombe Stream National Park

Trekking com chimpanzés na Tanzânia: safari no Gombe Stream National Park
muitos carinhos e beijinhos entre mamães e filhotes chimpanzés!

Para quem me perguntou se eles não fogem ou não atacam, se não tem perigo, a resposta é não, não e não. Não fogem, não atacam e não é perigoso. Eles ficam lá vivendo a vida deles e pouco tomam conhecimento da nossa presença, nem dão bola para nós. Alguns poucos deles são mais curiosos e nos observam de volta. 

São pouquíssimos turistas que chegam até lá (no dia em que visitamos, estávamos só nós e outro casal no parque inteiro), e o parque nacional é imenso. Se os chimpanzés não quisessem ser encontrados, os guarda-parques jamais os encontrariam. 

Aliás, eles nos explicaram que algumas famílias de chimpanzés são mais ariscas e raramente são vistas. São mais de 100 chimpanzés no parque, e nós vimos uma das comunidades - uns 20 chimpanzés - que mais gostam de se aproximar dos humanos. 

Trekking com chimpanzés na Tanzânia: safari no Gombe Stream National Park
criaturas a-do-rá-veis!

Mas uma coisa precisa ser esclarecida: o trekking foi muito mais difícil do que nós imaginávamos! Não existe uma trilha! Os chimpanzés ficam se movimentando pela floresta, às vezes pelas copas das árvores, e a gente vai atrás como loucos, tentando se deslocar rápido pela mata fechada!

Na minha cabeça, eu imaginava que teria algum tipo de trilha no meio da floresta, que nós percorreríamos até encontrar os 'chimps'! Doce ilusão! Não tem trilha nenhuma! Quem vai abrindo a trilha, se pendurando nos cipós feito macacos, rastejando debaixo das árvores, somos nós! 

Olha que estou acostumada a fazer trilha no mato e no barro, mas a experiência desse trekking fugiu de qualquer trilha que eu já tenha feito - simplesmente porque não havia trilha! 

Não sei dizer se o guia se empolgou com a nossa empolgação, se ele viu que estávamos dispostos a acompanhá-lo onde quer que fosse, que tínhamos bom condicionamento físico, ou se ele é sempre maluco assim, mas o fato é que o caminho que fizemos naquele dia não é para qualquer um! 

Tem que ser um pouco 'fitness' e, mais ainda, 'roots' - na floresta do Gombe não há lugar para mimimi e frescura! Não é um programa para crianças (só são permitidas pessoas acima de 15 anos nesse trekking), e é necessário não só estar em boa forma física, como também ser casca-grossa...se tu sai rolando morro abaixo, ninguém vai parar de perseguir os chimpanzés por tua causa - o guia está lá para te ajudar a encontrar os 'chimps' na floresta, e tu que corras atrás dele! 

Ninguém pode dizer que eu não avisei...rsrsrssrsrsr...

Depois de 2hs correndo atrás dos 'chimps' pela floresta, nós estávamos todos arrebentados, estropiados, cheios de espinhos, com as pernas e braços sangrando, cheios de arranhões...eu levei 2 tombos de rolar morro abaixo no barro, o Peg perdeu os 2 pés do tênis (ficavam enterrados na lama), uma árvore podre despencou por cima dele...enfim, definitivamente não é um passeio no parque kkkkk...

Perseguir chimpanzés no ambiente deles, vendo como eles vivem na floresta e se relacionam, ouvindo os gritos e brigas deles foi certamente uma das melhores experiências das nossas vidas, e também uma das + difíceis! Terminamos exaustos, molhados de suor, lágrimas e sangue, e com a boca lá nas orelhas de faceiros! 

Esgualepados e realizados. 

Veja o vídeo que fizemos desta experiência para ter uma ideia mais exata de como é esse trekking com chimpanzés: Gombe, o parque dos chimpanzés na Tanzânia - vídeo de viagem

Trekking com chimpanzés na Tanzânia: safari no Gombe Stream National Park
nosso guia subia as colinas às margens do Lago Tanganica como se estivesse correndo uma maratona

Trekking com chimpanzés na Tanzânia: safari no Gombe Stream National Park
mas todo nosso esforço - físico e financeiro - foi plenamente recompensado!

Trekking com chimpanzés na Tanzânia: safari no Gombe Stream National Park
vimos cenas inesquecíveis nas florestas do Gombe

Trekking com chimpanzés na Tanzânia: safari no Gombe Stream National Park
imagens que não têm preço!

Nesse trekking, está incluído um guia para cada grupo de pessoas, e os grupos são sempre bem pequenos. 

No nosso caso, neste dia, éramos 2 casais visitando o parque, e cada casal tinha seu próprio guia. Seria perfeitamente possível um guia levar 4 pessoas no mesmo grupo, mas suspeito que eles se dividem assim justamente para ganhar mais gorjetas - ou, pelo menos, para dividir as gorjetas entre mais guias, entende? 

É terminantemente proibido andar pelo Gombe sem um guia - só podíamos andar livremente na área da nossa hospedagem, no local das refeições e pela praia ali em frente. 

A verdade é que o fato de sermos apenas nós e um outro casal de belgas no parque foi o maior de todos os luxos: imagine um parque nacional inteiro só pra você, sem ter que dividir com dezenas de outros turistas? Quando/onde isso foi possível na vida?? É uma sensação maravilhosa descobrir que ainda existem lugares assim, intocados pelo turismo de massas - pensando bem, nem sei se eu deveria mesmo estar aqui divulgando a existência desse paraíso 😏

Trekking com chimpanzés na Tanzânia: safari no Gombe Stream National Park
havia muito mais pesquisadores do que turistas no parque Gombe!

Como falei antes, os chimpanzés não se sentem nem um pouco incomodados com a presença de humanos na floresta - essa comunidade que nós observamos gosta de conviver com humanos, e estão acostumados com a presença dos pesquisadores da equipe da Dra. Jane desde a década de 60 nas florestas do Gombe. 

Não sei dizer exatamente porque tão poucos turistas chegam ao Gombe - provavelmente por ser um programa caro e num lugar mega isolado (lembre que pegamos avião, táxi e mais 2hs de barco para chegar lá) - mas o fato é que existem bem menos turistas na floresta, cumprindo todas as regras, do que pesquisadores. 

Se você ler mais sobre as pesquisas da Dra. Jane, vai entender melhor como ela começou a interargir com os chimpanzés - para quem se interessar, vou contar um pouco mais abaixo o que eu já li.

Trekking com chimpanzés na Tanzânia: safari no Gombe Stream National Park
um lugar (ainda) intocado pelo turismo de massas

Trekking com chimpanzés na Tanzânia: safari no Gombe Stream National Park

Algumas recomendações importantes:

1 Leve bastante água e uma mochila bem pequeninha, porque às vezes é necessário passar meio que rastejando pelo mato, e uma mochila grande atrapalha. Chapéus grandes também são uma péssima ideia. 

2 Vá com roupas grossas (tipo calças de sarja) e longas (calça e camisa), em tons terrosos, para ajudar a te proteger dos arranhões e espinhos, e te camuflar no mato também. 

3 Use um tênis confortável - de preferência botas de trekking, porque, em caso de chuva, o barro parece sabão! É uma boa ideia amarrar os cadarços nos tornozelos, se os tênis não estiverem bem apertados, para eles não ficarem caindo dos pés e se enterrando no barro. 

4 Use roupas velhas, porque as roupas ficam destruídas, podres, dá vontade de colocar tudo no lixo depois kkkk...

5 Tem que usar máscaras no trekking para proteger os chimpanzés de possíveis doenças que a gente possa transmitir para eles, e isso não tem nada a ver com Covid - o uso de máscaras nesse trekking é obrigatório desde sempre - desde muito antes de o Covid existir.  

6 A regra é se manter a, aproximadamente, 10m de distância dos chimpanzés e, se eles se aproximam muito de ti, a dica é ir saindo de perto deles de ré. Mas, durante nosso trekking, um chimpanzé enorme passou grudado em nós, e nós só ficamos imóveis ali, e deixamos ele passar por nós. Várias vezes, durante o trekking, estivemos a uns 3m deles, e o guia nunca mandou nos afastarmos - o que não pode fazer é ir atrás deles, querer interagir com os animais, mas, se eles se aproximam de ti, é só ficar bem quietinho, observando o que vão fazer. E, quando eles começam a gritar, brigar, jogar restos de frutas e fazer 💩 na tua cabeça, a regra é não sair correndo kkkkk...

7 Leve uma máquina fotográfica com um zoom bom - às vezes os primatas ficam lá em cima, nas copas das árvores, meio distantes de nós, e o zoom, além de tirar fotos muito melhores, já serve também como binóculos. 

8 Ah, e uma ótima notícia: não existem mosquitos lá! Pelo menos não em dezembro, quando estivemos lá! Nenhumzinho sequer!! Usei repelente o tempo todo, com muito medo de contrair malária, mas não vi nenhum, e olha que eles me adoram!


Trekking com chimpanzés na Tanzânia
as máscaras usadas no Gombe não têm nada a ver com o Covid, e não tem problema em afastar por alguns segundos para tirar fotografias, de acordo com o guia

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
AMOR

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
a poucos metros dos primatas mais queridos do reino animal!

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
quando os primatas mais queridos do reino animal ficam jogando restos de frutas na nossa cabeça...😠

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
a agilidade dos chimpanzés na floresta é algo impressionante de ver!

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
e as bundas feiosas são ainda mais impressionantes!

O nosso almoço foi um peixe inteiro, repolho, batatas-fritas e melancia - estávamos mortos de fome quando finalmente almoçamos as 16hs, então nos pareceu um banquete!

A água é incluída, mas refrigerantes e cervejas não. Tem cervejas para vender no bar do parque por 3 mil e refrigerantes por 1000. 

O entardecer no Lago Tanganyika foi lindo, com os babuínos passeando para lá e para cá na nossa volta. Que bichos brigões!! Ficam na volta dos alojamentos tocando uma balbúrdia!!!

Fizemos uma chamada de vídeo pelo WhatsApp com o Lipe e ele ficou impressionado de ver ao vivo os babuínos ali, na nossa volta hehehehe...

Recomendo demais um banho de lago - não deixe de levar maiô/bermudas! Foi maravilhoso almoçar e depois ir deitar na praia, nadar nas águas cristalinas do lago e assistir ao pôr do sol tomando umas cervejas: um fim de tarde perfeito para um dia perfeito!

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
o almoço no parque Gombe vem diretamente das águas do Lago Tanganica

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
os banhos de lago no Tanganica são tão recomendados quanto o trekking com chimpanzés

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
um entardecer espetacular no Lago Tanganica na Tanzânia

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
nos divertimos muito assistindo às estripulias dos babuínos na praia do parque Gombe

A janta foi carne picada com molho, espinafre refogado, bananas e arroz. 

E fomos dormir cedo, porque no dia seguinte tínhamos mais chimpanzés no cardápio!!!

Durante a noite inteirinha os babuínos fizeram frege no telhado! 

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
jantar no parque Gombe

Dia 2 safari chimpanzés

Gombe - Kigoma

No nosso itinerário enviado pela Gombe Safaris, no 2º dia constava apenas: 
Após o trekking, retorno à pousada para o almoço e, à tarde, passeio de barco de volta à cidade de Kigoma.
Tomamos café da manhã às 7h30min para sair às 8hs para mais um trekking, conforme havíamos combinado com o nosso guia na véspera. 

O café da manhã teve suco de caixinha, chá, torradas, panquecas, omelete, abacate, margarina, geléia, mel, manteiga de amendoim e café. 

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
café da manhã durante o nosso trekking safari dos chimpanzés

O almoço, quando voltamos do trekking, consistia em massa com molho, repolho refogado e um pedaço de frango, com abacaxi de sobremesa. 

Devo alertar que achamos a comida neste safari dos chimpanzés bem mais fraquinha do que no safari da Suricata Safaris, que havíamos feito anteriormente. Não sei se é um padrão, ou se depende de ter sorte com o cozinheiro. A comida do Charles, cozinheiro da Suricata, era excelente, e a comida do cozinheiro da Gombe Safaris era meramente para matar a fome. 

Como essa é praticamente uma das únicas companhias que organizam esses trekkings no Gombe Stream, e o Joshua foi super confiável, eu recomendo muito o serviço deles, mas alerto que a comida é só meia boca, e é bom até levar uns chocolatinhos, castanhas ou bolachinhas para se garantir.

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
a comida neste safari foi boa apenas o suficiente para matar a fome

O quarto da pousada em que ficamos - Tanapa Rest House - é 'direitinho', embora tenha um pouco de cheiro a mofo da umidade, e tem banheiro privativo, mas a água do chuveiro é gelada! O banho no Lago Tanganyika é muito melhor: água cristalina e mais quente do que no chuveiro!! Recomendo demais um banho de lago!

Tem mosquiteiro no quarto. Não tem ventilador nem ar condicionado, mas não passamos calor à noite, porque de noite o clima refresca. 

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
nosso quarto na Tanapa Rest House, pousada simples no parque nacional

Esperamos as informações dos pesquisadores sobre o lado para onde estavam as famílias de chimpanzés que iríamos procurar (os pesquisadores que já estão nas montanhas se comunicam via rádio e avisam uns aos outros quando encontram chimpanzés), e saímos atrás deles por volta das 8h20min. 

Neste dia foram 4hs de trekking, quase 6Km floresta adentro!

Coração cheio e sorriso largo. 

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
mais cenas emocionantes no nosso 2º dia de trekking no Gombe

Trekking com chimpanzés na Tanzânia

Trekking com chimpanzés na Tanzânia

Trekking com chimpanzés na Tanzânia

Vocês riram muito dos vídeos que postei nos stories deste dia, mas saibam que não foi fácil! 

Até que, neste 2º dia de trekking, a trilha estava mais aberta, mas, para subir até o Pico da Jane, a 1500m de altitude, deixei todos os bofes no caminho!! 

E eu achando que tinha me livrado das montanhas ao descartar o trekking do Everest esse ano...

E então começou a chuva e, depois de 1h30min esperando a tempestade tropical passar, encharcados dos pés à cabeça debaixo de um poncho que roubamos do guarda-parques, as colinas nas margens do Lago Tanganyika viraram sabão, e eu desci praticamente de bunda pelo barro os 1500m que havíamos subido antes!! 

Foi até meio assustador em alguns momentos - medo de escorregar na lama e despencar de umas partes mais altas...

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
esperando uma interminável tempestade tropical passar debaixo do bivaque que o Peg criou com um pau de selfie e uma capa de chuva emprestada de um dos pesquisadores

Como nada é puramente perrengue, vimos um monte de chimpanzés neste 2º dia, novamente no chão, passando tão próximos de nós que tirei um monte de fotos com o celular, sem precisar usar zoom nenhum! 

É óbvio que vai ter overposting, afinal, não é todo dia que fazemos selfies com chimpanzés selvagens nas florestas do Gombe Stream, lugar onde já foram filmados dezenas de documentários e filmes da NatGeo! Neste dia, foi a nossa vez hehehe...aliás, se você já assistiu a algum documentário sobre chimpanzés, é muito provável que tenha sido filmado no Gombe! 

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
não houve perrengue que não fosse plenamente recompensado por estas cenas que vimos no Gombe!

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
tentamos, com muito afinco mas sem muito êxito, ser tão ágeis quanto os chimpanzés na selva!

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
dava vontade de abraçar!

Trekking com chimpanzés na Tanzânia

Trekking com chimpanzés na Tanzânia

Vimos novamente muitas cenas de amor entre os chimpanzés, brigas horrorosas, griteiro, aprendemos a distinguir os sons das risadas deles dos sons de brigas, vimos chimpanzés machucados, pois haviam lutado mais cedo...cenas inesquecíveis que guardaremos pra sempre no coração (e em vídeos no YouTube também hehehe)!

Os guarda-parques sabem os nomes de cada um deles - reconhecem os 'chimps' pelo rosto, como se fossem amigos deles - é impressionante! 

Nós já estávamos exaustos, querendo voltar para a sede do parque, e o nosso guia ainda fez questão de nos levar até a Cascata Kakombe e até a estação de alimentação da Dra. Jane - muito legal ver a paixão deles pelo que fazem lá!

Trekking com chimpanzés na Tanzânia: safari no Gombe Stream National Park
Cascata Kakombe

Aliás, é bom relembrar que, em qualquer safari, assim como nas expedições de trekking, é esperado que se dê uma gorjeta de, pelo menos, U$ 10 por dia/por pessoa. 

Nesse caso, como foram 2 dias de trekking "budget", demos U$ 40. Em safaris/trekkings mais chiques, é esperado um valor maior, algo em torno de U$ 15/20 por dia/por pessoa. 

Ao voltar do trekking, tomamos mais um banho no Lago Tanganyika, almoçamos, juntamos nossas mochilas (só aí que fomos fazer check-out do nosso quarto) e, quando a chuva finalmente parou, por volta das 14h15min, embarcamos novamente no barco para a viagem de 2hs de volta a Kigoma, onde passaríamos a noite no Sunset Vista Hotel (diária incluída no pacote do trekking).

Trekking com chimpanzés na Tanzânia: safari no Gombe Stream National Park
volta de barco à civilização pelo Lago Tanganica

Quando chegamos de barco em Kigoma, o motorista James já estava nos esperando no porto para nos levar ao hotel. 

Sunset Vista Hotel em Kigoma foi melhor que o esperado, com direito a piscina, um 'rooftop' (terraço) com uma ótima vista do Lago Tanganyika - dava inclusive para ver as montanhas do Congo, wifi funcionando muito bem e um quarto bem bom, com mesa de apoio, frigobar, ar-condicionado e a cama mais macia da viagem, com lençóis, travesseiros e edredons branquinhos limpíssimos - foi sem dúvida a melhor cama da viagem! 

Bem que estávamos precisando de uma cama macia, fofa e super limpa hehehe...

Trekking com chimpanzés na Tanzânia: safari no Gombe Stream National Park
Sunset Vista Hotel em Kigoma

o Sunset Vista Hotel em Kigoma tinha até uma piscina!

terraço do Sunset Vista Hotel em Kigoma, com uma ótima vista do Lago Tanganyika

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
dava inclusive para ver as montanhas do Congo do outro lado do lago

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
nosso quarto no Sunset Vista Hotel

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
bom banheiro do Sunset Vista Hotel

Jantamos no terraço do hotel um frango frito com vegetais e chapatis acompanhados de uma cerveja Serengeti bem gelada, vendo o entardecer no Lago Tanganyika - fechamos com chave de ouro essa parte da viagem! 

O jantar no hotel também era incluído no pacote do trekking da Gombe Safaris, menos bebidas alcoólicas - mas sempre é bom deixar tudo muito claro com o Joshua sobre o que está incluído ou não no tour (da agência Gombe Safaris), por escrito, através de email ou WhatsApp, pois no check-out do hotel eles tentaram nos cobrar o jantar (e então eu disse que eles se acertassem com o Joshua). 

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
jantar no Sunset Vista Hotel incluído no safari

No diário de bordo do Peg, ele escreveu, sobre este dia:
Estamos no extremo noroeste da Tanzânia. Limite fronteiriço entre o Burundi e a República Democrática do Congo - às margens do Lago Tanganyika. Foi aqui que, na década de 60, uma britânica - Dra. Jane Goodall - chegou e instalou um importantíssimo projeto de pesquisa, preservação, cuidado e, sobretudo amor aos chimpanzés selvagens que habitam livremente essa porção da África Oriental. No Gombe Stream vivem cerca de 150 chimpanzés, distribuídos em 3 distintas comunidades. Uma delas, a que mais convive com seres humanos, habita as proximidades da sede do parque. Desses, tivemos contatos muito próximos com cerca de 30 deles! Que dia, meu amigos! Que dia!!
A África Oriental é o lar original do safári (safári significa "jornada", em suaíli), e existem nessa região dezenas de parques nacionais e reservas de vida selvagem que não se comparam a nada que existe em outras partes do planeta. Percorrendo as planícies africanas do Serengeti e a cratera do vulcão Ngorongoro em um veículo 4x4 clássico de safári, com a capota aberta, enquanto procurávamos os 'Big Five' (os 'Cinco Grandes': leão, leopardo, elefante, rinoceronte e búfalo) na Tanzânia; fazendo self-drive safári no Amboseli Park no Quênia, com o Monte Kilimanjaro ao fundo; encontrando chimpanzés na selva do Gombe Park, na fronteira com Burundi e Congo; ou vendo de pertinho os golfinhos e a vida subaquática dos arquipélagos do Oceano Índico, pudemos ver todos os animais africanos com os quais sempre sonhamos, além de muitos outros sobre os quais nunca tínhamos sequer ouvido falar. 

100% de aproveitamento numa viagem que foi simplesmente perfeita, do começo ao fim!

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
esgualepados e felizes na Cascata Kakombe no Gombe Park

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
um sonho se tornando realidade

Trekking com chimpanzés na Tanzânia

Dia 3 safari chimpanzés

Kigoma - Dar Es Salaam

O café da manhã do hotel de Kigoma era daqueles com sopa, feijões, bolinhos fritos, ovos cozidos, salsichas, aipim, etc...nada daquilo que estamos acostumados a comer no café da manhã no Brasil (não tem pão ou frios, por exemplo). 

Mas dá para tomar um café, um suco de laranja, comer um abacaxi ou melancia e um bolinho frito...

O motorista James nos buscou no hotel e nos levou pro aeroporto. 

Todos esses transfers estavam incluídos no nosso Gombe Safari - mas é bom avisar que é perceptível que eles sempre têm uma expectativa de receber alguma gorjeta, então sempre é bom ter à mão algumas notas trocadas de 1000 ou 5000 para dar de gorjeta às pessoas que te prestam um bom serviço. 

Pro James, por exemplo, demos 5000 (pouco mais de U$ 2). De novo, se o seu safari é estilo "luxo", eles esperam gorjetas maiores. 

O Aeroporto de Kigoma é certamente o mais precário por onde já passamos na vida, e olha que já voamos de outros aeroportos bemmmm precários, como o de Bagdogra, na Índia. 

Passei pelo raio-x tranquilamente com uma baita garrafa d'água na mochila (que eu nem lembrava que estava lá), mas me fizeram tirar os chinelos de dedo (Havaianas, daquelas bem fininhas)...só rindo, né!

A balança de pesar as bagagens é daquelas antigas de farmácia, e a "esteira" de recolher as malas é uma janela de madeira, onde eles literalmente jogam as mochilas.

E vocês, qual o aeroporto mais precário de onde já voaram? Contem para nós nos comentários!

o precário aeroporto de Kigoma

sala de embarque do aeroporto de Kigoma

Nosso voo de Kigoma para Dar Es Salaam com a Air Tanzania era as 10:10hs, chegando em Dar às 12:20hs. 

Assim como na viagem de ida para lá, um voo de 2h10min, atravessando o país inteiro de oeste a leste. E com direito a lanchinho (café, suco de caixinha e bolinho ou castanhas)!

Para fechar com chave de ouro nosso Gombe Chimpanzee Trekking, quando pousamos no Aeroporto Internacional Julius Nyerere, em Dar Es Salaam, depois do meio-dia, o motorista Juma já estava nos esperando para nos levar de volta ao hotel Tanzanite Executive Suites, no centro de Dar, para a nossa última noite na Tanzânia 😥

decolando de Kigoma em direção a Dar

lanchinho no voo da Air Tanzania

por mais aviões assim!

chegando de volta ao aeroporto internacional de Dar Es Salaam

Como lavar as roupas sujas da viagem 

Até chegarmos ao Gombe, ainda não havíamos sentido muita necessidade de lavar as roupas sujas desta viagem. Tínhamos suficientes roupas limpas na mochila para não precisar nos preocupar, e íamos lavando calcinhas e cuecas nas pias dos hotéis quando necessário. 

Mas, no final deste safari, tínhamos tantas roupas imundas do trekking nas nossas mochilas que não tínhamos ideia do que fazer com aquilo - e nem tempo suficiente para lavar e esperar secar no banheiro do hotel...sendo assim, como íamos carregar aquelas roupas podres de sujas nas nossas mochilas, considerando que não existem sacos plásticos na Tanzânia??? 

Pois é, os sacos e canudinhos plásticos foram abolidos por lei na Tanzânia há alguns anos...

Acabei mostrando como carregamos as roupas imundas do trekking lá nos stories: viramos tudo do avesso, que também estava imundiciado, fizemos uma 'trouxa' e carregamos as roupas sujas como bagagem de mão dentro da capa da mochila! 

Não quis colocar tudo no mochilão junto com as poucas peças de roupas limpas que ainda nos restavam porque estava tudo úmido de chuva e suor, e fedendo ainda...se misturasse, íamos acabar ficando com as poucas roupas limpas fedidas também!

Vale o aviso: numa viagem de safari, leve roupas de secagem rápida, com pouco algodão! As roupas sujam muito com o calor (terra, poeira, suor) e, mesmo que a gente lave roupas nas pias dos hotéis, elas demoram muito a secar, por causa da constante umidade! 

E leve também algum tipo de saco ou embalagem para poder carregar, separadas das peças limpas, as roupas sujas - chega uma hora que dá um certo desespero não conseguir um saco que seja para colocar as roupas sujas!

Até procuramos lavanderias (já usamos lavanderias em muitas viagens para lavar nossas roupas), mas não encontramos nada barato, que valesse a pena - só lavanderias de hotéis, que cobram por peça de roupa lavada, a preços de hotel 5 estrelas! 

E vocês, costumam lavar roupas nas viagens? Como fazem? Contem pra gente nos comentários!

as roupas que usamos no trekking nunca tinham visto tanta sujeira!


Trekking com chimpanzés na Tanzânia
carregamos as roupas sujas como bagagem de mão dentro da capa da mochila!

Usando banheiros turcos

Normalmente, os banheiros na Tanzânia são daqueles de agachar, estilo "buraco no chão", ainda mais nesta parte menos turística, no oeste do país - e quero esclarecer que esse tipo de banheiro não é tão ruim, tão difícil de usar quanto parece! 

Durante a nossa viagem, sempre apareciam alguns comentários de espanto quando eu mostrava esses banheiros nos stories - e eu mostrava justamente pro pessoal ir se acostumando com a ideia de que, lá na Tanzânia, isso é o mais comum, embora também seja possível encontrar banheiros de sentar, especialmente em hotéis. 

Aliás, se você for para a Tanzânia e se hospedar apenas em hotéis 5 estrelas, e fizer um safari de luxo, provavelmente só vai ver banheiros de sentar, feitos especialmente para os turistas. 

Mas vale dizer que esses banheiros - chamados "banheiros turcos" - são bem comuns em várias partes do mundo, especialmente na Ásia e na África e, depois que a gente se acostuma a usá-los, acabamos descobrindo que, na verdade, eles são beeem "anatômicos", especialmente para fazer o nº 2, pois a posição de cócoras favorece hehehehe...

Pelo que eu lembro, até os banheiros públicos da praça da minha cidade (Jaguarão - RS) eram assim na minha infância, não sei se continuam assim - mas quem cresceu acampando no Forte de Santa Tereza, no Uruguai, sabe que "squat toilets", ou "banheiros turcos", são bem comuns inclusive pela América do Sul, ou seja, não são uma exclusividade africana!

Quem aí já usou um 'squat toilet'?? Achou anatômico ou não curtiu?

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
banheiro turco no aeroporto de Kigoma

Mais sobre o parque Gombe e a Dra. Jane Goodall

Infelizmente, a Dra. Jane Goodall não estava no parque quando estivemos lá (ela estava de quarentena no Reino Unido) - imagina que máximo se a gente pudesse conhecê-la pessoalmente!?

Mas tivemos a sorte de conhecer o escritório dela, a estação de alimentação que ela criou, subimos no Jane's Peak, e conversamos com um outro pesquisador escocês que estava lá, que nos contou que estava no Gombe pesquisando o comportamento dos chimpanzés há mais de 30 anos! 

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
escritório da Dra. Jane Goodall em Gombe, na Tanzânia

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
estação de alimentação de chimpanzés criada pela Dra. Jane Goodall

Quem aí conhece a história da Dra. Jane? Não conhece ainda??? Vale um Google, pessoal!! 

Vou contar aqui um pouco do que eu aprendi com o nosso guia e traduzir informações que encontrei no site do Jane Goodall Institute

Vocês sabiam que 98% do código genético dos chimpanzés é igual ao dos seres humanos? E que eles fabricam e usam ferramentas - coisa que, até os estudos da Dra. Jane, acreditava-se que só os humanos faziam?! Pois é, as pesquisas dela foram revolucionárias!

O Parque Nacional Gombe Stream fica localizado na região ocidental de Kigoma, na Tanzânia, 16Km ao norte da cidade de Kigoma, a capital da região. 

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
o parque Gombe fica situado bem na fronteira entre 3 países na África Oriental: Burundi, Tanzânia e Congo, no extremo oeste da Tanzânia

Fundado em 1968, o Gombe é um dos menores parques nacionais da Tanzânia, com apenas 35Km2 de terras protegidas ao longo das colinas da margem oriental do Lago Tanganica. 

O terreno é caracterizado por vales íngremes, e a vegetação da floresta varia de pastagens a florestas tropicais. 

Acessível apenas por barco, o parque é mais conhecido como o local onde Jane Goodall foi pioneira em sua pesquisa comportamental conduzida com populações de chimpanzés. A comunidade de chimpanzés Kasekala, apresentada em vários livros e documentários, vive no Parque Nacional de Gombe. 

Os altos níveis de biodiversidade de Gombe Stream tornam o parque nacional um destino turístico cada vez mais popular. Além dos chimpanzés, os primatas que habitam Gombe Stream incluem babuínos-oliva, colobus vermelhos e macacos vervet. Macacos de cauda vermelha e macacos azuis também já foram vistos hibridizando na área. 

O parque também abriga mais de 200 espécies de pássaros e porcos do mato. Existem também 11 espécies de cobras e, ocasionalmente, hipopótamos e leopardos. Os visitantes podem caminhar pela floresta para ver os chimpanzés, bem como nadar e mergulhar no Lago Tanganica, com quase 100 tipos de peixes coloridos. 

Jane Goodall viajou pela 1ª vez para a Tanzânia em 1960, aos 26 anos, sem nenhum treinamento formal na faculdade. Na época, era aceito que os humanos eram sem dúvida semelhantes aos chimpanzés - compartilhamos mais de 98% do mesmo código genético. No entanto, pouco se sabia sobre o comportamento dos chimpanzés ou a estrutura das suas comunidades. 

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
mapa do parque nacional Gombe

Na época em que iniciou suas pesquisas, ela conta que não era permitido falar sobre a mente de um animal. Apenas os humanos tinham mentes. Nem era muito apropriado falar sobre "personalidade" de um animal. Claro, todos sabiam que eles tinham suas próprias características únicas - todo mundo que já teve um cachorro ou outro animal de estimação sabe disso. Mas os etologistas, na época, evitavam a tarefa de explicar essas coisas objetivamente. No entanto, sua pesquisa acabou provando exatamente isso: a sofisticação intelectual e emocional de não-humanos, chimpanzés em particular. 

Com o apoio do renomado antropólogo Louis Leakey, ela montou uma pequena estação de pesquisa em Gombe, na esperança de aprender mais sobre o comportamento de nossos parentes mais próximos. Lá, passou meses rastreando as esquivas tropas de chimpanzés, particularmente a comunidade de chimpanzés Kasekela, e observando seus hábitos diários, até que ela foi lentamente aceita por uma comunidade e conseguiu vislumbrar momentos raros e íntimos da sociedade chimpanzé. 

Sem o treinamento universitário direcionando sua pesquisa, Goodall observava coisas que doutrinas científicas estritas não percebiam. Em vez de numerar os chimpanzés, ela dava-lhes nomes, como Fifi e David Greybeard, e observou que eles tinham personalidades únicas e individuais, uma ideia nada convencional na época. Ela descobriu que não são apenas os seres humanos que têm personalidade, que são capazes de pensamentos racionais e de emoções como alegria e tristeza.

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
hoje em dia parece muito óbvio, mas, na década de 60, ninguém acreditava que os chimpanzés eram capazes de pensamentos racionais e de emoções como alegria e tristeza

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
cada chimpanzé do parque tem nome e até detalhes das personalidades deles são conhecidos pelos pesquisadores

Trekking com chimpanzés na Tanzânia

Ela também observou comportamentos como abraços, beijos, tapinhas nas costas e até mesmo cócegas, o que as pessoas consideravam ações "humanas". 

A Dra. Jane Goodall insistia que esses gestos são evidências dos laços estreitos, de apoio e afeto que se desenvolvem entre membros da família e outros indivíduos dentro de uma comunidade, que podem persistir ao longo de uma vida de mais de 50 anos. Essas descobertas sugeriam que semelhanças entre humanos e chimpanzés existiam em mais do que genes apenas, mas podiam ser vistas nas emoções, na inteligência e nas relações familiares e sociais também. 

A pesquisa de Goodall em Gombe é mais conhecida pela comunidade científica por desafiar 2 crenças de longa data na época: que apenas os humanos podiam construir e usar ferramentas, e que os chimpanzés eram vegetarianos passivos. 

Enquanto observava um chimpanzé se alimentando num cupinzeiro, ela o observou colocar várias hastes de grama em buracos de cupins e depois removê-las do buraco, cobertas por cupins agarrados, “pescando” os cupins. 

Os chimpanzés também pegavam galhos de árvores e arrancavam as folhas para torná-los mais eficazes, uma forma de modificação de objeto que é o início rudimentar da fabricação de ferramentas. 

Os humanos há muito se distinguiam do resto do reino animal como "fabricantes de ferramentas” - como se somente a raça humana tivesse essa capacidade. 

Em resposta às descobertas revolucionárias de Goodall, Louis Leakey escreveu: "Devemos agora redefinir o homem, redefinir a ferramenta ou aceitar os chimpanzés como humanos!" 

Trekking com chimpanzés na Tanzânia

Ao longo de seus estudos, Goodall encontrou evidências de traços mentais em chimpanzés, tais como pensamento racional, abstração, generalização, representação simbólica e até mesmo o conceito de self, todos considerados anteriormente como habilidades exclusivamente humanas. 

Em contraste com os comportamentos pacíficos e afetuosos que observou, Goodall também encontrou um lado agressivo da natureza dos chimpanzés em Gombe.

Ela descobriu que os chimpanzés sistematicamente caçam e comem primatas menores, como macacos colobus. Goodall observou um grupo de caça isolar um macaco colobus no alto de uma árvore e bloquear todas as saídas possíveis, então um chimpanzé escalou, capturou e matou o colobus. 

Os outros então pegaram partes da carcaça, compartilhando com outros membros da comunidade, em resposta a comportamentos de mendicância. 

Os chimpanzés de Gombe matam e comem até 1/3 da população de macacos colobus do parque a cada ano. Isso, por si só, foi uma importante descoberta científica dela, que desafiou os conceitos anteriores de dieta e comportamento dos chimpanzés.

Mas talvez a descoberta mais surpreendente e perturbadora tenha sido a tendência à agressão e violência nas comunidades de chimpanzés. Goodall observou fêmeas dominantes matando deliberadamente os filhotes de outras fêmeas da comunidade para manter seu domínio, às vezes chegando ao canibalismo. 

Sobre essa descoberta, ela disse que, "durante os primeiros dez anos do estudo, eu acreditei que os chimpanzés de Gombe eram, em sua maioria, muito mais legais do que os seres humanos. Então, de repente, descobrimos que os chimpanzés podem ser brutais - que eles, como nós, têm um lado mais sombrio em sua natureza.” 

Essas descobertas revolucionaram o conhecimento contemporâneo da dieta e dos comportamentos alimentares dos chimpanzés e foram mais uma evidência das semelhanças sociais entre humanos e chimpanzés, embora de uma maneira muito mais sombria.

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
num trekking no parque é possível observar comportamentos como abraços, beijos, tapinhas nas costas e até mesmo cócegas, o que as pessoas antigamente consideravam ações unicamente humanas

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
é muito emocionante observar esses animais vivendo suas vidas na floresta, uma experiência única na vida!

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
às vezes eles passam tão pertinho que chegam a roçar na gente!

Trekking com chimpanzés na Tanzânia
hoje em dia parece até difícil acreditar que algum dia a ciência já pensou que estes animais não tinham personalidade ou emoções

A Dra. Goodall viveu em Gombe quase em tempo integral por 15 anos e os dados de longo prazo que ela acumulou ainda são valiosos para os cientistas de hoje. 

Em 1967, o Gombe Stream Research Center (GSRC) foi estabelecido para coordenar a pesquisa contínua de chimpanzés no parque. Administrado principalmente por uma equipe de tanzanianos treinados, o GSRC é o estudo de campo mais antigo de uma espécie animal em seu ambiente natural, agora com mais de 40 anos. 

Esses dados de longo prazo forneceram aos cientistas 'insights' sobre os padrões demográficos dos chimpanzés, a política masculina, a caça, a cultura e as relações mãe-bebê ao longo de várias gerações - dados raros e valiosos. 

A pesquisa em andamento também está fornecendo informações sobre as ameaças atuais aos chimpanzés, como doenças, caça ilegal e perturbação do habitat, que também afetam outras espécies em Gombe. 

A pesquisa de Goodall também mudou drasticamente o pensamento etológico e como os estudos comportamentais são conduzidos. Onde antes falar de emoção animal era descartado como antropomorfismo, suas observações de animais em seu habitat natural mostram que as sociedades, o comportamento e as relações entre os animais são bastante complexos. 

Sua pesquisa sobre os requisitos alimentares do habitat dos chimpanzés também auxiliou na melhoria do design de novas áreas protegidas. O GSRC também conduz pesquisas sobre a população de babuínos, lideradas pelo Jane Goodall Center for Primate Studies. A pesquisa do GSRC resultou em 35 Ph.D. teses, mais de 400 artigos e 30 livros.

Veja aqui nosso 1º vídeo desta viagem maravilhosa pela Tanzânia para despertar o seu apetite viajante:


Já esteve na Tanzânia? Viu algum chimpanzé ao vivo e a cores na natureza selvagem? Conta pra gente! Deixe as suas dicas nos comentários! 

Para mais dicas da nossa viagem pela Tanzânia, Zanzibar e Quênia, veja #LipenaAfrica#PVnoQuenia e #PVnaTanzania nas redes sociais. 

Também fiz várias pastas de destaques desta viagem lá nos stories do Instagram, dê uma espiada lá!


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Trekking com chimpanzés na Tanzânia

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Marlon Sandri Pegoraro

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