5 de setembro de 2018

Relato de viagem de motorhome pela Nova Zelândia: Dias 16 e 17 - Marlborough e Nelson

* Este post é parte de uma série de postagens super completa sobre a viagem de 38 dias dos amigos Rodrigo e Elis à Nova Zelândia

Veremos, nesta postagem, algumas regiões não tão famosas da Ilha Sul da Nova Zelândia, mas indiscutivelmente bonitas, em uma longa estrada pela qual atravessamos o interior e o litoral das regiões de Marlborough e Nelson.

Para rever o que foi publicado antes, deixamos os links a seguir:

Dias 1 e 2 - Auckland


16º dia – 11/outubro/2017 – viagem até Blenhein e Picton


Acordamos e saímos de Hanmer Springs às 8:30 hs da manhã.

O dia teve todo o jeito de “road trip”, com um dos maiores percursos feitos nessa viagem (366 Km). Também choveu muito.

É que o caminho de Kaikoura para o norte da Ilha Sul se tornou, temporariamente, bem longo (foi preciso passar por outra estrada, que não a litorânea SH 1, pois esta ainda estava em reconstrução após o terremoto no final de 2016).

Todavia, isto nos incentivou a conhecer outros lugares onde não passaríamos, se fosse possível fazer o percurso mais curto.

Um desses lugares já havia sido Hanmer Springs, onde curtimos uma estância de águas quentes, e passamos essa noite. Outros lugares estavam pelo caminho de hoje.

Detalhe: O interessante foi ver informativos, disponíveis, já na locadora de motorhomes, do governo da NZ, sugerindo lugares a se visitar neste longo desvio, justamente para tornar a viagem menos desgastante. Uma coisa de primeiro mundo, bem diferente do que estamos acostumados! Dá pra ver que os governantes de lá realmente se preocupam com o bem estar de quem viaja, e ainda aproveitam para promover lugares pouco explorados.

visual ao sair da região de Hanmer Springs

Saímos, então, de Hanmer Springs, e seguimos, então, pela via Lewis Pass, que é uma das poucas passagens de um lado ao outro da Ilha Sul (oeste-leste), seguindo a rota SH 7. Viramos à direita na junção de rodovias, pegando a SH 65 até chegar às 11:00 hs, às Maruia Falls, localizada a 111 Km de Hanmer Springs, nossa primeira cachoeira na Ilha Sul!

Maruia Falls




A Maruia Falls é uma queda d’água foi formada em 1929, quando um terremoto causou uma mudança súbita no curso do terreno no Maruia River, surgindo assim esta cachoeira ampla e de de até 10 m de altura.



vídeo - chegando às Maruia Falls



Há um estacionamento no local, e com uma pequena trilha de 5 minutos a pé já é possível ver a cachoeira.




vídeo - Maruia Falls


Lago Rotoiti, em St Arnaud


Em seguida, seguimos para St Arnaud, que fica 124 km adiante. 

É uma pequena vila que fica na beira do Rotoiti Lake (região de Nelson), onde almoçamos um Fish N Chips, num restaurante anexo ao posto de combustível do local. 

Chegamos lá às 13:30 hs.


Lake Rotoiti - os pássaros aqui são privilegiados de ter esse lugar tão bonito!

St Arnaud é um local que proporciona uma base ideal para quem pretende caminhar ou pescar no Nelson Lakes National Park

São dois lagos: Rotoiti e Rotoroa, com trilhas que sobem as montanhas ao redor, para quem tem mais tempo de parar por lá.


Chuva e sol em pouco mais de 5 minutos! O tempo muda rápido na Nova Zelândia!

Fomos até a beira do lago Rotoiti, o mais acessível, para ver uma famosa vista que é o cartão postal da região. É um lugar muito bonito e que, em poucos minutos, tivemos chuva e depois sol. Há um pequeno píer em madeira com a visão para o lago, que se estende entre montanhas. Saímos de St Arnaud pouco depois das 15 hs.

há um bom espaço para parar o carro

neste lindo lugar, as montanhas ao redor chegam a ficar com neve no topo durante o inverno

é um lugar de muita paz, ótimo para, pelo menos, dar uma parada e descansar um pouco

Saímos de lá e seguimos para Blenheim, a 103 Km de distância, já na região de Marlborough, que é uma região vinícola, (a ponta a nordeste da Ilha Sul), onde também há fiordes (braços de mar e penínsulas bem recortadas), a parte da Ilha Sul mais próxima da capital Wellington.

Blenheim


Fizemos uma breve parada em Blenheim, por volta das 18 hs, para conhecer a cidade, que é a maior da região, e tem belas casas.


casas com bela arquitetura, em Blenheim

A cidade tem museus interessantes, como o Omaka Aviation Heritage Centrecom exposições sobre batalhas aéreas das grandes guerras. Mas não fomos, pois já tínhamos no roteiro, museus com aviões em outros lugares, e no horário em que chegamos já estava, pra variar, tudo fechado. No lugar, optamos apenas por passear um pouco pelas ruas da cidade, para ter uma ideia de como é.

Seymour Square


Achamos muito bonita a praça principal da cidade, a Seymour Square, com fonte, jardins e a torre do relógio. Também andamos por um parque próximo dali.






Pollard Park


Como não cansamos nunca de ver flores, mesmo em um dia chuvoso como este, fomos a este belo parque em Blenheim. 

Além das flores, também há um pequeno riozinho que corta a todo instante os caminhos do parque.









De lá, saímos para mais um trecho de estrada rumo a Picton. Felizmente, só mais 28 km desta vez!

Picton


Picton é uma pequena cidade à frente da Queen Charlotte Sound, um fiorde que é uma das principais atrações da região de Marlborough. O porto protegido é porta de chegada e saída para muitas embarcações, entre elas os enormes Ferrys que ligam a Ilha Sul à capital Wellington, na Ilha Norte.

Ao chegar em Picton já eram quase 21 hs. Então procuramos logo um local para pernoitar, e o único camping free disponível, na entrada da cidade, já estava lotado (capacidade para apenas 12 motorhomes!). Até cheguei a perguntar a um senhor que estava em um dos motorhomes, se eles estariam saindo ou se ele achava que poderíamos parar ali...e ele foi categórico: só cabiam 12 veículos ali, e era isso que dizia na placa na entrada...e seria melhor pagar 45 dólares num camping pago do que arriscar de parar ali e levar uma multa...a multa para quem pernoitar em situação irregular é 200 dólares...

Então, pagar 45 NZD não seria tão caro se comparado com uma multa!

Então, sem outra opção em mente, foi nessa ocasião que acabamos conhecendo o Top 10 Holiday Park, um camping pago, e com toda estrutura esperada para dar conforto e facilidades a quem viaja de motorhome. Ao chegar, já estavam com a recepção fechando. Pelo menos, permitiram que a gente entrasse, deixando para fazer o check-in e acertar o pagamento no dia seguinte. 

Lições tiradas: camping free é uma caixinha de surpresas...você pode esperar de tudo: um lugar muito pequeno (como no caso), ou mesmo um lugar longe, de acesso ruim. Então, se a ideia for de ficar num lugar assim, é bom procurar conhecer, analisar e decidir sobre isso enquanto não está tão tarde, já se dirigindo para o lugar.


17º dia – 12/outubro/2017 – Picton – Nelson Kaiteriteri


Acordamos e fomos dar uma caminhada por Picton. 

O tempo estava nublado no início deste dia.

a principal avenida de Picton, no ponto em frente ao Waterfront


Picton Waterfront


É realmente bonito o Waterfront de lá, com um War Memorial. 

Mais uma vez podemos ver o respeito e o reconhecimento que a Nova Zelândia tem pelos seus soldados, que lutaram nas guerras.






Outras atrações em Picton


A região do waterfront ainda abriga um aquário e a exposição de um histórico navio de madeira (Edwin Fox Maritime Museum).

o aquário da cidade e o navio-museu

A cidade também oferece muitos passeios marítimos, com caiaques e para observação de golfinhos.

Picton, um dos portais de entrada na Ilha Sul, é tão bonita que parece uma pintura!


Trilhas: Tirohanga Track e Queen Charlotte Track


Mas, talvez, as maiores atrações sejam trilhas, como a Tirohanga Track, que leva a um mirante com bela vista da cidade e da baía, e a Trilha de Queen Charlotte, que é um percurso de vários dias acompanhando o fiorde. 

Todavia, não tivemos tempo de ver essas atrações. Mas saímos, ao menos, com uma noção de como é Picton.

vista de Picton em um dia de sol – mirante da Tirohanga Track – tirei essa foto de um quadro no camping.

Voltamos ao Camping. Fizemos nosso pagamento e achamos interessante fazer um cartão fidelidade (membership) com eles, para que pudéssemos ter desconto de 10% em cada vez que parasse nesses campings, com possibilidade de descontos também em atrações dos locais.

O perrengue com o motorhome


Aproveitamos, também para cuidar do motorhome, preparando para a viagem. Nesse momento, nos deparamos com um problema inesperado. Na medida em que abastecíamos o tanque de água limpa, notamos que ocorria um vazamento debaixo do carro, e o tanque então não enchia. Estávamos sem água limpa para tomar banho no motorhome ou mesmo para lavar coisas na cozinha!!!

Ligamos para a Britz, reclamando. A esperança é que eles nos dessem uma boa assistência nessa hora emergencial, como haviam assegurado na hora em que pegamos o veículo em Christchurch. Eu ainda acreditei nisso pelo fato de que estávamos em Picton, um lugar onde muita gente pega motorhome para iniciar viagem (o detalhe é que a Britz, na Ilha Sul, só tinha estabelecimentos próprios para entrega e devolução em Christchurch e em Queenstown).

Que nada! A solução dada foi: Vão até Nelson, onde tem uma oficina credenciada. E tinha que ir logo, pois fechava às 16 hs! Sem poder aproveitar o dia pra ver coisas bonitas com calma, partimos em viagem! Saímos de Picton pouco depois do meio-dia.

Queen Charlotte Drive


Seguimos pelo caminho que já estava planejado. Só com um pouco mais de pressa que o esperado. Esta estrada cênica, saindo de Picton para Havelock, tem pista sinuosa e um trajeto de 35 Km, e passa por belas paisagens. 

Logo na subida, ao sair de Picton, há um mirante que nos deu a última chance de ver a cidade do alto.


o mirante, ao sair de Picton, com a visão dos barcos da Bluebridge e Interislander, que fazem o percurso de e para Wellington

 

Há muitos outros mirantes, como o da Governors Bay, a 8 Km de Picton, e, para quem tem tempo, vale a pena parar em muitos deles, para curtir a vista do mar azul entre os fiordes da região.

a estrada segue passando ao lado de fiordes, grandes braços de mar


há muitos barcos, e opções de passeios marítimos por aqui


Nelson


Nelson é a mais antiga cidade da Ilha Sul, localizada na região de mesmo nome, e uma das cidades mais ensolaradas da Nova Zelândia. 

A cidade fez jus ao apelido de "Sunny Nelson", pois, finalmente, depois de quase 1 semana de chuva em nossa viagem, tivemos sol bonito, no dia de chegar lá.

O perrengue com o motorhome continua


Chegamos a Nelson por volta das 15 hs. Chegamos e passamos, porque havia um motorhome com problemas...

Após sofrer para achar a tal oficina e esperar pelo conserto do motorhome (ninguém merece!), e esperar que trocassem a mangueira furada que abastecia o tanque de água limpa (tiveram que colocar outra e colar, e, com isso, ainda não poderíamos encher de água até que secasse a cola) voltamos à cidade, já no meio da tarde, e não sobrou tempo para muita coisa.

ninguém merece!


De volta a Nelson...


Estacionamos o carro numa rua que ficava na lateral do lado direito da principal igreja, toda de pedra em estilo neogótico, a bela Catedral Anglicana Christ Church.


Não conseguimos, por exemplo, ter tempo de ver algumas atrações da cidade, dentre as quais havíamos destacado para conhecer o atelier do Jens Hansen, joalheiro que fez os anéis da trilogia Senhor dos Anéis, bem próximo da catedral.

Nelson também tem muitas galerias de arte e o National Wow Museum & Nelson Classic Car Collection, um museu interessante com exposição de carros clássicos e roupas artísticas.

Trafalgar Street


Tivemos tempo, apenas tempo de caminhar na principal rua de Nelson, a Trafalgar Street, que vai da frente da catedral até o I-Site de Nelson.




Rumo a Kaiteriteri


Saímos de Nelson em direção a Kaiteriteri, uma das bases para visitar o Parque Nacional de Abel Tasman, passeio que havíamos programado para fazer no dia seguinte.

Outra localidade que também pode ser base para visitar o parque é Marahau. Mas optamos por Kaiteriteri, pois pareceu ser mais próximo para o acesso a partir da estrada, logo após passar pela pequena cidade de Motueka. Kaiteriteri também é ponto de partida da maioria das empresas que havíamos pesquisado, para transporte marítimo até as trilhas do parque.

vídeo: Chegada a Kaiteriteri


Chegamos a Kaiteriteri por volta das 19 hs, a tempo de ver o entardecer na praia. As opções de camping pago por ali cobravam em torno de 40 dólares para estacionar e passar a noite. 

Decidimos ir para um camping free que encontramos no Campermate.

Camping free costuma reservar surpresas, como já falei...o local da vez para dormir foi o Hawkes Lookout Carpark.

O detalhe é que este free camping fica a 17 km de Kaiteriteri. Só não podíamos imaginar como era a estrada até lá. Ladeiras e mais ladeiras, e muitas curvas, dirigindo em meio a um nevoeiro, parecia que estávamos subindo um Corcovado. Ficamos só torcendo pra chegar logo, pois a subida é impressionante!

Chegamos ao free camping já bem de noite, mas, pelas informações na internet, há uma pequena trilha que leva a um belo mirante da região. Como estava escuro, e a gente não tinha ideia de como era o lugar.

Na próxima postagem, mostraremos como foi esse passeio pelo Parque Nacional de Abel Tasman, onde fizemos uma trilha litorânea, passando por muitas praias.

Veja os outros posts já publicados desta série sobre a Nova Zelândia:




2 comentários:

  1. Vocês são muito fofos!!! Adorei o bom humor e boa disposição de encarar a viagem, mesmo com chuva. Sou casada com americano e louca para ir a NZ, mas convencê-lo de entrar no avião e encarar mais de 24hrs de viagem não é mole. Vou ficar acompanhando as aventuras de vcs !!

    Ótimo fds aos dois!

    http://vivendolaforanoseua.blogspot.com/

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