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Relato de viagem à Nova Zelândia: Dias 9 e 10 - Tongariro National Park

Visitando o Parque Nacional de Tongariro, na Nova Zelândia
Tongariro National Park* Este post é parte de uma série completa sobre a viagem de 38 dias dos amigos Rodrigo e Elis à Nova Zelândia

Veremos, nesta postagem, um relato bastante detalhado de como foi uma travessia alpina entre vulcões no Parque Nacional de Tongariro, na Nova Zelândia. Foram 2 dias nas montanhas da região central da Ilha Norte

Para rever o que foi publicado antes, deixamos os links a seguir:


9º dia – 04/outubro/2017 – Tongariro Alpine Crossing


Acordamos bem cedo e deixamos Taupo rumo a National Park Village, que seria a nossa hospedagem de base para os passeios dos próximos dois dias. É a vila com o maior número de acomodações hoteleiras da região onde fica o Tongariro National Park.

O passeio tão aguardado era a travessia Tongariro Alpine Crossing, uma das trilhas alpinas mais famosas do mundo, com 19,4 Km de extensão.

Trata-se de uma parte da Tongariro Northern Circuit, uma das 9 Great Walks da NZ (em 2019 passarão a ser 10 Great Walks)! Veja aqui onde elas estão.

Great Walks: Essas trilhas, espalhadas pelo território da Nova Zelândia, têm extensões de dezenas de quilômetros cada uma, formando percursos com cenários naturais deslumbrantes, em que se requer normalmente de 2 a 5 dias para completar. São “um prato cheio” pra quem gosta de natureza, aventura, e quem tem um preparo físico excelente. Eu ainda gostaria de experimentar uma coisa assim algum dia... Mas não foi nessa viagem que tivemos oportunidade... E também não quis arriscar. Todavia, fizemos uma travessia bem emblemática no mundo das trilhas!!!

O Tongariro National Park encontra-se na região central da Ilha Norte. É o mais antigo dos parques nacionais da NZ e um dos mais antigos do mundo. Foi reconhecido pela UNESCO duplamente como Patrimonio da Humanidade, em 1990 pela beleza natural, e em 1993 pela importância cultural, tendo em vista que o parque foi fundado em uma antiga área maori. Tem três montanhas vulcânicas ativas (Tongariro, Ngauruhoe e Ruapehu), sagradas para o povo maori, de modo que a trilha passa entre as duas primeiras.

O imponente Monte Ngauruhoe
Por este motivo é que dedicamos duas diárias para esse próximo destino; para que houvesse chance de fazer a travessia em boas condições. Estando o tempo ruim no primeiro dia, poderíamos ter uma segunda chance no dia seguinte.

Ainda bem que, desta vez estávamos com sorte. Quando mais precisamos do céu azul e do sol, isso aconteceu! Então, fizemos, logo neste primeiro dia, a tão esperada caminhada!

Onde se hospedar

Sobre o local para ficar, uma dúvida que me acompanhou durante todo o tempo do planejamento da viagem, mas que não conseguia decifrar, era se National Park Village seria o melhor lugar para montar de base.

Acabei gostando muito de ficar por lá!

Há quem fique em Taupo (cidade pequena, bem estruturada e com hospedagens mais em conta, como já falei), onde dormimos a noite anterior, mas que fica a quase 100 Km do início da trilha. Há, ainda, Turangi e Whakapapa, bases mais cogitadas, na internet, como centros de esqui.

Mas achei National Park Village suficientemente bem estruturada e bem localizada para o que pretendíamos ver (tinha um posto de gasolina com um pequeno mercado, um restaurante mais sofisticado junto a uma estação de trem, e outro restaurante mais descontraído e acessível, e muito bom, em que fomos mais de uma vez – falarei dele depois). 

O local também tem boa estrutura para oferecer transporte de acesso à trilha. Fica a menos de 20 km do início da trilha e também da vila de esqui de Whakapapa.


National Park Village tem essa pequena estação de trem, e um pequeno restaurante com pratos caprichados ali

Saímos de Taupo bem cedo, em torno de 7:30 hs, mas, devido à distância de 100 km, só chegamos ao nosso hotel, em National Park Village, às 9:00 hs da manhã.

Ficamos no Adventure Lodge and Motel, um hotel mantido por um simpático casal, o John e a Gillian. Eles têm piscina de hidromassagem aquecida e coberta, para os hospedes relaxarem após as caminhadas. Também oferecem um café da manhã bem calórico pra gente ficar forte, e até uma biblioteca bem legal de DVDs para ter o que assistir no quarto se o tempo estiver ruim!

nossa hospedagem em National Park




Decidindo fazer a trilha

Deixamos nossas coisas e verificamos, então, no hotel, as condições climáticas para fazer a trilha. O dia estava um pouco nublado no início. A Gillian nos mostrou a previsão para hoje e para o dia seguinte, através do site Metservice, recomendando fazer neste dia a travessia. Embora tivesse menos vento no dia seguinte, as condições seriam com mais nebulosidade. Para hoje, portanto, estaria melhor, e sem previsão de mudança do tempo durante o dia.

Estamos falando tanto do tempo, porque é importantíssimo chegar essas condições, sobretudo para a parte mais alta da trilha, a Red Crater. Nesta parte, o vento costuma ser mais forte, e neste dia marcava a previsão de 35 km/h. Era, ainda, uma condição tranquila para atravessar.

Como é a trilha


Mapa da trilha do Tongariro Alpine Crossing (linha vermelha)

foto aérea da região da trilha no verão

A trilha do Tongariro liga dois pontos. O melhor, e feito pela maioria das pessoas, é iniciar em Mangatepopo e terminar em Ketetahi. Em tese, pode ser feito ao contrário, mas não seria a opção mais inteligente, porque, embora o ponto mais alto seja a Red Crater (no meio do caminho), Mangatepopo é mais alto que Ketetahi. Fazendo-se ao contrário (Ketetahi para Mangatepopo), há, portanto, ganho final de altitude (mais subidas do que descidas) e cansa mais.

Como acessar a trilha

É, portanto, uma trilha de sentido único (não é em loop), ou seja, a gente começa em um ponto e termina em outro.

Deste modo, já seria necessário um transporte para, ao final da trilha, voltar ao ponto inicial, onde teria deixado o carro.

Já não seria recomendável, por este motivo, ir de carro próprio, pois já ficaria na dependência de um transfer para voltar ao carro depois de terminar a trilha. Mas, além disso, eu também já tinha lido em alguns blogs, que por causa dessa longa permanência em estacionamento não vigiado, há risco de furto dos carros das pessoas que optam por não contratar transfer e ir em veículo próprio.

Para completar, ultimamente, o próprio DOC tem imposto restrições de tempo para se estacionar nos pontos de acesso da trilha, sobretudo no verão, pela falta de espaço de estacionamento nesses locais.

Então, melhor mesmo deixar o carro no hotel e acertar um transfer para levar e buscar a gente, e tudo ficar mais tranquilo.

nosso hotel tinha esse veículo para fazer o transfer para o início da trilha e nos buscar ao final

Achei legal que o próprio hotel oferecia o transfer para a gente acessar a trilha e depois também iria nos buscar. Cobram, em média, 35 NZD. Para a gente saiu um pouco mais caro... 45 NZD para cada um. Vou explicar por quê:

O problema era que o Sr. John já tinha levado as pessoas do hotel que iriam fazer a trilha nesse dia (ele os levou às 7 e meia da manhã, hora em que ainda estávamos em Taupo!).

A Gillian disse que não teria problema em começar mais tarde, se a gente conseguisse andar rápido. Porque naquele momento já eram 9 e meia da manhã...

Ah, a gente consegue sim! – respondi na fé. Então, pagamos um pouco mais pelo transfer, e ele então nos levou até o ponto de início da trilha.

Uma dica: Se for para fazer a trilha toda, considero que começa a ficar arriscado iniciar depois das 10 horas da manhã, porque demora de percorrer tudo, e a pior coisa que posso imaginar é ficar de noite perdido no meio de uma montanha!!! Se estivéssemos fora do horário de verão da NZ (lá também tem!), isso teria de ser considerado com mais seriedade ainda.

Se o hotel não tivesse esse transfer, eu já havia visto que há empresas, em National Park Village, que fazem esse serviço. Mais informações a respeito podem ser encontradas no site.

Mais dicas para não esquecer antes de fazer uma trilha alpina!

A Tongariro Alpine Crossing é uma trilha alpina, não é um passeio light, e toma o dia todo. Exige respeito! Mas a gente estava tranquilo e confiante.

Visitando o Parque Nacional de Tongariro, na Nova Zelândia

preparados para encarar isso aí???

Seguimos à risca as 5 regras básicas de segurança para se fazer qualquer trilha (divulgadas em muitos materiais e brochuras informativas):

1) Planejar bem sua viagem (em geral, a informação que tivemos é que daria pra fazer a trilha com 6 a 8 horas, e estava, ainda de manhã, e nesta época escurecia tarde, por volta das 19:30 hs). No inverno, para quem não conhece, há a recomendação para se fazer a trilha com um guia, pois pode haver muita neve!;

2) Falar para alguém (no caso, o nosso contato foram os donos do hotel, combinamos com eles de nos levarem e nos buscarem, não marcamos uma hora para o retorno, mas pegamos o telefone deles, aproveitando que a área da trilha tem cobertura de sinal);

3) Tomar ciência do clima (verificando, como contei  acima, que o dia estava com tempo bom para irmos, e sem ventos fortes demais);

4) Conhecer os próprios limites (esse eu fui na fé! 😃);

5) Levar suprimentos suficientes (preparamos duas mochilas com 3 litros de água, já que os rios encontrados no caminho não são de água boa para beber, chocolate, frutas secas e mais 6 sanduíches que fizemos a partir das compras no supermercado de Taupo, levamos toucas de frio, bastões de caminhada, tênis resistentes e confortáveis, e fomos com casacos impermeáveis para o caso de vento e chuva). Considero que foram muito importantes os bastões de caminhada!

E quais são bons canais de informação para se sentir preparado previamente à realização da trilha? Listamos alguns a seguir:

Deve-se verificar o site do MetService, com previsões do tempo para vários momentos ao longo do dia e também nas diferentes altitudes da montanha.  

Também é útil checar o site da Geonet, que acompanha a atividade vulcânica - 

Por fim, sempre é bom olhar o site do DOC, com mapa da trilha, em brochura para download, e que também emite alertas sempre que necessário.

Controlando a duração do tempo de percurso

Mais uma última observação: Em todas as plaquinhas presentes em trilhas na Nova Zelândia, o DOC sinaliza a distância e o tempo para fazer as distâncias. 

Notei que o tempo descrito nas plaquinhas sempre é menos do que nós efetivamente demoramos para fazer.

Eis que, lá pelas 3 e meia da tarde, a gente passa por uma placa que diz: 9 km para um lado, 10,4 km para o outro... e nem havíamos chegado no meio do caminho!

Ou os Kiwis andam muito rápido ou a gente que é meio devagar. 

Mas, uma coisa a se dizer é que gostamos muito de parar pra tirar fotos, e também é preciso parar para tirar e pôr casacos, fazer algum lanche, etc. 

Então, tem que ficar sempre atento, pois o tempo que gastamos para realizar as trilhas em geral, em todo o país, era sempre igual ou um pouco a mais. 

O que aconteceu foi que, na parte final desta trilha do Tongariro, tivemos que dar uma apressada nos passos!

1ª etapa - Mangatepopo Valley a Soda Springs

Iniciamos a caminhada no estacionamento ao final da Mangatepopo Road, exatamente às 10 horas da manhã. 

O John nos deixou lá. Há um banheiro no início da trilha.

O abrigo de Mangatepopo, onde há algumas placas indicativas e banheiros

marco inicial da trilha

vídeo do ponto inicial da trilha

No início, parece bem fácil. É uma caminhada reta. 

Em pouco mais de 15 minutos já havíamos andado 1 km.


 vídeo: iniciando a caminhada


As plaquinhas com a quilometragem vão aparecendo com frequência em toda a trilha, de modo que se permite controlar bem o tempo. 

Com 50 minutos, já havíamos chegado aos 3 km.



1, 2, 3 km...Vamos que vamos!

vídeo: com o esforço da caminhada, vamos sentindo calor!

é interessante de ver a mudança na cor da vegetação à medida em que avançamos

vídeo: o vulcão que foi inspiração no filme Senhor dos Anéis!


A partir daqui, a vegetação rasteira vai sumindo aos poucos. Alguns lances de escada vão aparecendo. Em alguns pontos o caminho segue à margem de um pequeno riacho, e percebemos que vamos entrando em um vale que leva aos vulcões Tongariro e Ngauruhoe.

trilha demarcada para proteger o solo

Logo adiante, com 4,4 km e 1 h e meia de caminhada (olhem só: Na plaquinha do DOC, eles estimavam em 1 h o tempo para ter feito esse trecho), há um ponto de desvio da rota, apontando para Soda Springs. 

Caminhando 300 m. Chegamos próximos a uma pequena cachoeira, onde paramos para fazer um lanche.

placa apontando para Soda Springs

Soda Springs é aquela pequena cachoeira em meio às rochas

pausa para um lanchinho!

Soda Springs


2ª etapa - Soda Springs à South Crater


vídeo saindo de Soda Springs


Saindo de Soda Springs, pouco adiante chegamos a uma encosta mais íngreme. 

Ali, estavam disponíveis os últimos banheiros até Ketetahi Hut (um abrigo para montanhistas que fica aos 13 km de trilha).

Também aparece uma plaquinha com advertência de que a partir de agora as dificuldades aumentarão! 

Seguimos em frente!

a plaquinha avisou!

vídeo com a plaquinha de advertência


Vídeo: os últimos banheiros pelos próximos quilômetros!


Um detalhe interessante é que, por fora, os revestimentos os banheiros têm desenhos de pedras como as que vemos por aqui. Tudo muito bem feito, de modo a evitar poluir visualmente o lugar.

iniciando a parte mais severa de subidas

Já tínhamos 2 horas de caminhada até aqui. Ainda faltavam uns 15 quilômetros e já era meio-dia.

Seguimos por uma longa escadaria que  é chamada Devil's Staircase (escadaria do Diabo). No caminho, muitas rochas vulcânicas pretas, bem recentes. A subida é uma sucessão enorme de escadas e ladeiras! 

É a parte em que há o maior ganho de altitude por distância percorrida. Por causa disso, o avanço se torna lento.

vídeo: subindo a Devil’s Staircase


À medida em que vamos subindo, foi aparecendo neve, o que, para nós brasileiros, é sempre uma coisa linda! 

Todavia, sentimos até um pouco de calor nessa hora, de tanto subir escadas!

nesta parte há ladeiras e escadas sem parar

mas a vista cada vez mais bonita incentiva a continuar

em certo ponto, já começamos a achar neve!

Por volta de 13:15 hs percebemos que terminou a sequencia de escadas. Chegamos à South Crater, passando, inicialmente, no ponto mais próximo entre os vulcões Tongariro e Ngauruhoe. Este último tem um cone perfeito. 

Estava com uma bonita cobertura de neve.

É interessante lembrar, também, que o Tongariro National Park inspirou o diretor Peter Jackson a criar o ambiente estéril de Mordor, no filme Senhor dos Anéis, de modo que esse vulcão Ngauruhoe, no filme, seria o Monte Doom, onde o anél foi forjado e no final teria de ser derretido.

Neste ponto, havíamos percorrido 6,4 km. Ainda faltavam mais 13 km!

1/3 do caminho percorrido!

3ª etapa – South Crater à Red Crater


Começamos a andar no campo de neve que havia na South Crater. 

É uma caminhada plana e estava sem vento. Fomos passando ao lado dos vulcões. O bonito mesmo, como já deu pra perceber, é o Ngauruhoe. 

Toda hora a gente virava os olhos para admirar aquela montanha.


South Crater

vídeo andando na South Crater


Foi um momento bem tranquilo. 

Continuamos sempre seguindo a trilha, que ficava visível pela presença de plaquinhas, que apareciam, sucessivamente, a uma distância de uns 20 a 30 metros. No chão não se via trilha, era tudo gelo. 

Não sei se seria possível manter o caminho se estivesse uma neblina forte, mas a visibilidade naquele dia estava perfeita. Foi meia hora de caminhada tirando muitas fotos, até começar a subir de novo...

South Crater era, nesse dia, um imenso campo de gelo - esta foto é após termos atravessado, no início da subida

Terminado a travessia desse campo de gelo da South Crater às 13:45 hs, começamos a subida final e então mudou tudo...

vídeo com o início da subida após a South Crater


Chão pedregoso. Vento aumentando! 

Em alguns trechos, haviam umas correntes presas às pedras para a gente se segurar, porque algumas passagens eram estreitas. Mas o que mais assustou aqui foi outra coisa...



É que passamos por muitas pessoas vindo na direção contrária. 

Na dúvida, fui perguntando para as pessoas se mais à frente ficava difícil e por que estavam voltando. Uns dois me responderam que era uma descida muito inclinada que havia à frente... Aí, preocupou... Isso porque estávamos quase na metade do caminho...

Nessa hora fiquei pensando, e em dúvidas sobre seguir adiante ou não...Como vai ser isso??? Mas seguimos em frente!


ponto mais alto da trilha, de onde avistaríamos a Red Crater

4ª etapa – Red Crater até Emerald Lakes


Estávamos chegando ao ponto mais alto da caminhada! 

Era um ponto amedrontador, pois estávamos andando sobre um cume exposto, uma das laterais da cratera vermelha (a Red Crater tem uma cor parecida com um cenário marciano, pela presença de óxido de ferro).

vídeo andando pela borda da Red Crater, a poucos metros do topo


Red Crater

Red Crater e o vulcão Ngauruhoe

este é o caminho por onde andamos - o vento parecia que iria carregar a gente! A altitude também dava medo!

A vista alcança grandes distâncias para todos os lados aqui. O vento, bem forte, parecia que arrancaria o celular de nossas mãos (na verdade o meu medo era mais esse naquela hora). 

Mas não é muito extensa essa parte em que se tem que andar com forte ventania, e ficando na linha da trilha não tem perigo.

vídeo do ponto mais alto da trilha


No final dessa parte, havíamos percorrido 8,2 Km e ainda faltavam 11,3 Km. Eram 14:30 hs.

Estávamos, então, para iniciar a tal da descida íngreme que haviam nos falado alguns momentos atrás. Haja coragem!

Resolvemos começar a descer devagar, já que dava pra ver gente lá embaixo, mais a frente na trilha. Isso aí dá pra descer sim - pensei. Então vamos!

Paramos em um ponto, ainda no alto, no meio da descida, para fazer um rápido lanche, buscando nos acalmar para continuar a caminhada. Sentamos próximos a outro casal que também lanchava tranquilamente ali. 

Parece que a presença de mais pessoas na mesma situação acalma a gente. A vista do local é privilegiada e dava para ver, lá em baixo, os lagos esmeralda que (uma pena), estavam com uma cobertura de gelo (só um é que dava para ver melhor).

não é todo dia em que a gente faz um lanche com uma vista dessas! Nesta foto a gente nota o Blue Lake no alto à esquerda, entre os picos, que estava todo branco de gelo

um dos poucos lagos Emerald que estavam descongelados, visto do alto

vídeo da parada na encosta, no meio da descida


Quando os nossos companheiros que estavam ali terminaram o lanche, levantaram e... voltaram! Não prosseguiram a trilha, como a gente imaginava que ia ser. E agora, vamos descer sozinhos? Vamos voltar ou continuar? Ah...mas não vou voltar não – logo pensei.

Terminamos o nosso lanche e continuamos a descida, indo aos poucos, descendo de lado, igual a uma cabra alpina. 

O tênis que calçávamos ficou todo sujo de poeira, mas não teve jeito ali.


esses bastões de caminhada evitaram muitos escorregões e quedas!

Nesta hora, o que ajudou muito foram os bastões de caminhada alpina que trouxemos! 

E, mesmo com este apoio, teve horas em que houve alguns escorregões, pois estávamos descendo uma enorme ladeira de pedregulhos, com uma inclinação bem forte. Subir deve ser extremamente difícil, por esse motivo é que a trilha tem mesmo que ser nesse sentido que fizemos. Pelo menos a gente foi descendo aos poucos, buscando minimizar os escorregões. Tudo deu certo!

5ª etapa – Emerald Lakes até Ketetahi Hut e Ketetahi Parking


Terminada a grande descida, passamos próximo aos Emerald Lakes (do nosso lado direito), contornando a Central Crater (do nosso lado esquerdo). Aqui, mais um percurso quase plano, em que também havia muito gelo. 

O incrível é que nesta etapa já não vimos mais ninguém na trilha. Parece que éramos os últimos a passar por ali naquele dia! Avistamos apenas um helicóptero sobrevoando bem acima dali onde estávamos.

passando próximo aos Emerald Lakes

mais um campo de neve para atravessar! Nesta hora e neste ponto não havia mais ninguém passando pela trilha!

nesta foto, dá pra notar as estacas que demarcam a trilha. Ao fundo, vemos o Ngauruhoe (no centro à esquerda) e a borda da Red Crater (no centro à direita) por onde havíamos descido.

Todavia, não nos aproximamos muito dos lagos porque nessa hora já era preciso apressar os passos. Uma pena porque eu queria ter parado um pouco por lá. É que já eram 15:30 hs e ainda não estávamos nem na metade do caminho. Andamos 9 km. Faltavam 10,4 km.

Mas esta etapa final que ainda faltava, apesar de representar mais da metade da extensão de toda a trilha, é bem mais fácil! Nos 7 km finais prevalecem descidas suaves. Deste modo, hoje eu arriscaria dar uma parada mais próximo dos lagos para admirá-los.

Após passar por essa parte mais baixa, próxima aos lagos esmeralda, houve mais uma subida com pedras e aumento, novamente, do vento. Mas, desta vez, não assustou como aquela subida que fizemos após a South Crater (final da 3ª etapa).

Andamos, após esta subida, por uma parte mais alta em que já se via de longe os vulcões Ngauruhoe e Tongariro. Do nosso lado direito estava o Blue Lake. Mas, uma pena que estava todo congelado.

Seguimos adiante até começar a passar por trás do Monte Tongariro, que encobriu a visão do Ngauruhoe. Era o início da despedida dessa grande aventura que foi a travessia do Tongariro.

A partir daqui, foi só descida.

última vista do segundo campo de gelo, com o Ngauruhoe e Tongariro

Início da descida. O gelo começa a sumir

Começávamos a ter vista da grande planície ao norte do Parque Nacional, com o lago Rotoaira, e um pouco mais distante o grande Lago Taupo. A neve ia sumindo aos poucos. A vegetação alpina ia reaparecendo.

Neste trecho, o interessante foi ver os escapes de fumaça que saíam da encosta do vulcão em alguns lugares um pouco distantes da trilha. Incrível mas a gente estava ainda andando em uma gigantesca panela de pressão da natureza! Continuamos a descer até chegar, às 17:15 hs, a um abrigo para montanhistas, o Ketetahi Hut.

Ali naquele lugar havia um banheiro. Olhei o meu celular e o John, do hotel, havia mandado um SMS perguntando onde estávamos e se estava tudo bem. Respondi, dizendo que devíamos estar chegando em mais 1 hora e meia no estacionamento Ketetahi, o final da trilha.

muitas escadas descendo

visão para um grande lago, o Rotoaira


Katetahi Hut

Recomeçamos a descer, até um ponto que começa uma mata, e dentro dela até um pequeno riacho. 

Aí a gente percebe que caminhada incrível foi o Tongariro! Vimos, durante um dia, todo tipo de cenário. 

Da paisagem alpina à rocha, à neve, à paisagem alpina, à mata!

paisagem de montanha, em sua parte final

de repente, entramos no meio de uma mata


Andando pela mata. Pensar que agora há pouco estávamos na neve!!! Muda tudo bem rápido! Isto é New Zealand!

Chegamos felizes no ponto final, exatamente às 19hs, na hora marcada, e o John estava lá, pontualmente nos esperando. 

Tiramos uma última foto ali, para registrar a conclusão do nosso percurso.

Finalmente, completamos a trilha! Sensação de vitória!


Entramos no carro e ficávamos só olhando aquelas montanhas majestosas que começavam a ficar encobertas de nuvens ao pôr do sol.

Estávamos lá! Estávamos lá!!! – pensamos. 

Um desafio vencido! Um dia inesquecível para nós, sem dúvida!

visão das montanhas enquanto voltávamos de carro. Pensar que encaramos aquilo lá! Inesquecível!

No final, concluímos que foi ótimo ter feito desta forma: Um transporte para nos levar e nos buscar, independentemente de ter que acompanhar um grupo. Saiu um pouco mais caro, mas pudemos parar para lanchar e para tirar fotos e fazer vídeos toda hora em que decidimos. Fizemos o trajeto no nosso ritmo, e levamos 9 horas para completar.

De volta a National Park Village


Chegamos ao hotel e aproveitamos a hidro aquecida para relaxar um pouco.

Depois, saímos e fomos ao restaurante ali perto onde tomamos uma sopa para recarregar as energias. O restaurante é o Schnapps Bar, tocavam músicas de rock muito boas!

Diga-se de passagem, os kiwis têm excelente gosto musical e percebemos isso nas FMs deles. Ficamos fãs da The Sound, que só toca classic rock, músicas ótimas para estradas. Clicando neste link, você escurará o som que nos acompanhou naquelas estradas. Mas também há muitas outras boas rádios FMs)!

10º dia – 05/outubro/2017 – Whakapapa Village

Depois do que fizemos no dia anterior, este acabou sendo um dia para relaxar. Acordamos tarde. Nem lembramos que havia café da manhã no hotel e então tomamos café no quarto, já que havia ali dentro uma minicozinha à nossa disposição.

Foi quando matei a curiosidade e pude experimentar o Vegemite (produto semelhante ao britânico Marmite). É um alimento feito à base de leveduras, rico em vitamina B, com um aspecto de chocolate, mas um sabor salgado indescritível. Lembra, de longe, um caldo de carne com vinagre, sei lá! 

Os kiwis, australianos e britânicos é que conhecem bem essa iguaria, e costumam comer no pão. É uma coisa diferente para nós brasileiros, e com um sabor bem estranho!

Vegemite – alimento britânico de gosto muito estranho!

vídeo: Quer algo que exija mais coragem do que atravessar o Tongariro? Só mesmo experimentar o Vegemite (correção do vídeo: a pronúncia é vegemaite!!!).


Como já estava quase ao meio-dia, optamos por sair e passar no Schnapps Bar mais uma vez. 

Desta vez comemos algo realmente gostoso! Pedimos um Fish N Chips, que estava farto e delicioso!

este é o Schnapps Bar, logo na entrada do National Park

um dos melhores Fish N Chips que comemos na NZ!

De lá, pegamos o carro e fomos até a Vila Whakapapa, que funciona como base para as atividades na neve no Monte Ruapehu, o maior e mais alto dos vulcões no Tongariro National Park. 

A estação de esqui funciona aproximadamente 7km adiante da Vila Whakapapa, subindo a encosta do Ruapehu.

Primeiramente, paramos no Visitor Center (I-site) da vila Whakapapa para conhecer. 

O local também tinha uma exposição gratuita sobre vulcanismo e evolução dos equipamentos de ski.





Pegamos o carro e subimos até a estação de esqui, pela Bruce Road. Chegamos lá já no meio da tarde. A maioria das pessoas já parecia estar lá desde cedo. Há vários estacionamentos e estava bem cheio de visitantes.

Como estávamos lá para relaxar, nada mais tranquilo que o Happy Valley, uma área não muito grande, cercada de paredes rochosas, logo ali próxima dos estacionamentos, dedicada a principiantes e crianças.




Alugamos, então, um Sledding (são uns trenozinhos de plástico onde a gente desce sentado), e alternamos  descendo em uma área destinada para essa diversão. Só tinham crianças, a gente, e uma família de indianos que estavam felizes da vida de ver neve. 

A descida é curta, deve ser no máximo uns 100 m deslizando quase no plano. Depois de descer, uma esteira leva a gente de volta pra descer de novo. 

Moleza! Depois de atravessar um Tongariro, nada mais relaxante e fácil!



A estação oferece mais atrações. Uma delas é o teleférico. Subindo o teleférico, há o Knoll Ridge Café. Situado a 2020m acima do nível do mar, é a cafeteria mais alta da NZ, e deve ter uma vista e tanto. 

Acabamos não indo por que já eram quase 4 horas da tarde, o povo já estava todo indo embora e as atividades ali se encerrando. Lembram-se de quando falei, em Rotorua, de que na NZ tudo fecha cedo? Pois é....

Voltamos ao carro e de lá, novamente na Whakapapa Village, onde andamos para conhecer um Hotel muito bonito que fica lá, o Chateau Tongariro. Lugar bacana para se hospedar!




De lá, voltamos ao National Park Village, e ao nosso hotel para descansar.

Na próxima postagem desta viagem pela Nova Zelândia, seguiremos rumo à capital Wellington! Não perca!



Veja os posts já publicados desta série sobre a Nova Zelândia:


Dias 1 e 2 - Auckland




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Rodrigo S J

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2 comentários:

  1. Tentamos transmitir a emoção de cada momento com nossos vídeos... quero muito voltar lá um dia!!!

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