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Relato de viagem de motorhome pela Nova Zelândia: Dias 19 e 20 - West Coast

Como foi viajar de motorhome pela Costa Oeste da Nova Zelândia
Como foi viajar de motorhome pela Costa Oeste da Nova Zelândia
* Este post é parte de uma série de postagens super completa sobre a viagem de 38 dias dos amigos Rodrigo e Elis à Nova Zelândia

Veremos, nesta postagem, como foi a descida de motorhome pela Costa Oeste da Ilha Sul da Nova Zelândia.

A foto ao lado é do Lake Matheson - fonte: site do DOC - créditos: Shellie Evans - pois seria injusto falar da West Coast da Nova Zelândia sem mencionar o seu cartão postal mais famoso com o visual que não conseguimos ver!

Para rever o que já foi publicado antes aqui no blog sobre esta viagem, deixamos os links a seguir:


Acordamos em Murchison, onde havíamos conseguido um lugar para dormir, no estacionamento de um hotel e lanchonete, após termos saído do Abel Tasman National Park, onde fizemos uma trilha no dia anterior.

Foi útil dirigir até ali no dia anterior. Com isto, descontamos uma boa parte da quilometragem no caminho para a Costa Oeste.

Prosseguimos bem cedo a viagem. Nos primeiros quilômetros, uma névoa muito forte. Porém, a névoa foi sumindo na medida em que a estrada descia, sensivelmente, até se aproximar do litoral. Finalmente, por volta de 8 hs da manhã, estávamos na Costa Oeste da Ilha Sul, bem do lado do Mar da Tasmânia, e com sol (que durou pouco)!

West Coast


Não tivemos muita sorte com o clima nestes dois dias em que fizemos a descida pela West Coast. 

Choveu muito! Mas isso até que era uma coisa esperada em nosso planejamento de viagem, pois esse é o clima característico daqui.

A cadeia de montanhas, que torna estreita esta pequena faixa em frente ao mar, forma uma barreira para a passagem de nuvens e favorece que o local seja chuvoso.

Conhecemos alguns lugares interessantes nesta costa tão isolada e pouco povoada. Muitos não conseguimos ver ou não vimos da melhor forma. Mas, de qualquer maneira, as dicas estão todas aqui!

Irimahuwhero Lookout


A 5,6 Km antes de chegar ao Pancake Rocks, paramos no Irimahuwhero Lookout (coordenadas:-42.075181, 171.355095), com um belo visual do litoral.

Punakaiki


Nossa próxima parada foi na localidade de Punakaiki. É um vilarejo nos limites do Paparoa National Park. Sua grande atração são as Pancake Rocks. 

Na frente da entrada há um restaurante, café, loja de souvenirs, estacionamento e centro de informações turísticas.



Um produto típico da NZ (também é proveniente da Austrália), que conhecemos aqui, foi o Mel de Manuka, ou Manuka Honey, que encontramos, depois, em muitas outras lojas de souvenirs da Ilha Sul, inclusive em Queenstown. 

É reconhecido mundialmente por muitos efeitos benéficos para a saúde e para a pele. A Elis gostou muito do creme hidratante derivado desse mel.

O local é de fácil acesso e a caminhada dura uns 20 a 30 minutos dentro do parque.

Pancake Rocks




A pequena trilha à beira-mar, que nos leva às Pancake Rocks e Blowholes, é uma atração gratuita e que me deixou ótima impressão! 

As formas rochosas, que lembram pilhas de panquecas (daí o nome), foram adquiridas pela erosão. 

São incríveis, e sua posição junto ao mar, lhes conferem um visual de muita beleza!






Os Blowholes são os caminhos que o mar adentra, entre as rochas, produzindo estrondos quando se choca com as pedras! 

Felizmente, a caminhada passa por um ponto bem elevado, de modo que a gente não se molha com a água do mar, e se sente bem seguro todo o tempo.

Truman Track


Por fim, outro passeio que gostaríamos de ter realizado na região de Punakaiki seria a Truman Track, uma trilha aparentemente fácil de pouco mais de 1 Km, que se inicia a 3 km ao norte de Punakaiki.

Ao final da trilha, há um escada com descida em uma praia onde se pode ver a erosão na pedra em interessante formato de onda, além de uma pequena cachoeira. Todavia, este acesso, ao final, só pode ser feito com segurança na maré baixa, e, pelo que nos informaram no I-Site do local, não estava possível de se fazer naquele momento.

Voltamos ao motorhome quando o tempo já voltava a ficar chuvoso. Quanta chuva!

Seguimos, então, para o nosso próximo destino, Greymouth.

Greymouth


Chegamos, por volta das 13 hs em Greymouth, que é o maior povoado na costa oeste de South Island, e, ainda assim, conta com pouco mais de 10 mil habitantes. Possui esse nome devido ao Rio Grey, que banha a cidade. A cidade tem um histórico de mineração de ouro, que pode ser apreciado no museu local. Na cidade, há galerias especializadas em pounamu (jade neozelandês).

uma das principais ruas de Greymouth


encontramos street art que dá destaque ao passado de mineração da região

A cidade não chega a ter um apelo turístico. 

Tem uma estação de trem. Apenas demos uma caminhada para conhecer. Paramos para fazer um lanche. 

Como a chuva continuava forte, procuramos algum lugar fechado que não fosse o motorhome, e assim tivemos oportunidade de conhecer aqui a loja enorme que vende de tudo a bons preços, a The Warehouse.


Shanty Town


Uma atração de Greymouth à qual acabamos não indo, mas parece ser um programa interessante para fazer com crianças (se o tempo estiver bom), seria ShantyTown, um parque temático que reproduz uma antiga vila da época da mineração. O caminho para lá fica localizado um pouco ao sul da saída da cidade.

Neste dia da viagem, com tanta chuva, e já um pouco cansados de tanta estrada, saímos de Greymouth e seguimos direto para o sul.

Fizemos a primeira alteração de nosso roteiro, com supressão de uma boa quilometragem (256 Km). É que chovia sem parar, e, nessas condições, nunca é muito proveitoso fazer passeios externos. Desistimos, então, de fazer um bate-e-volta para o Arthur’s Pass.

Arthur’s Pass


O plano era conhecer a travessia de Oeste-Leste chamada Arthur's Pass, de modo a estabelecer um bate-e-volta a partir da costa oeste. É uma das poucas travessias neste sentido pela Ilha Sul, devido à longa cadeira de montanhas que isola a costa oeste da leste. Trata-se de um caminho bastante cênico, porém não realizamos nesta viagem. 

Talvez numa próxima vez, iniciemos de Christchurch, atravessando o caminho todo somente uma vez (sem fazer bate-e-volta), começando a descer pela Costa Oeste só a partir da metade sul.

O que estava planejado: sairíamos de Greymouth para o sul até Kumara Junction. Neste ponto, iniciaríamos a travessia do Arthur's Pass em direção a leste. Essa é a mais alta estrada dos Southern Alps. Seguiríamos, então, até Castle Hill para, a partir dali, voltar.


Em Arthur's Pass há muitos mirantes pelo caminho. Há trilhas interessantes e estávamos pensando em ver a cachoeira Devils Punchbowl Waterfall. Em Castle Hill, a 128 Km de Kumara Junction, o destaque é para as impressionantes formações de calcário. A região já era usada pelos Maoris como região de passagem para a costa Oeste, e coleta de alimento. Infelizmente, tivemos que deixar para uma próxima oportunidade conhecer essa que é uma famosa passagem oeste-leste da Ilha Sul da NZ.

Adotamos, então, as seguintes estratégias:

1) Ao invés de parar em um lugar e deixar passar um dia para esperar o tempo melhorar, seguir em frente, sem perder tempo, adiantando o roteiro para os locais finais da viagem, já que eu tinha definido para fazer, mais para o final os lugares mais desejados.

2) Outra tática seria a de eliminar, quando conveniente, percursos adicionais, reduzindo o total de quilômetros restantes até o final da viagem, e ficando com mais tempo nos locais mais especiais.

Feito isso, seguimos direto de Greymouth até Hokitika.

Hokitika

chegando a Hokitika, e a chuva continua!

Com grandes avenidas, prédios históricos e excelentes artistas, Hokitika é a cidade mais interessante da Costa Oeste. 

Seu porto fluvial recebia os navios dos mineradores, mas vários navios ali afundavam devido ao "Hokitika Bar", um banco de areia que muda a cada maré. Arahura River, que adentra ao mar logo ao norte de Hokitika, é uma fonte tradicional de pounamu (pedra verde).

Como a chuva não dava trégua, fomos conhecer uma grande loja de artigos feitos com o jade da Nova Zelândia. A principal loja, a Mountain Jade, fica bem em frente do I-Site.  

O jade neozelandês, conhecido como Pounamu, se destaca pelo verde bem intenso e escuro. As jóias mais encontradas são colares, assim como os Maoris usavam. Há alguns formatos clássicos, cada um com um significado. Neste site, há explicação para os significados.





Há muitas coisas com preços inacessíveis para nós. Algumas pedras fabulosas! Mas, de todo modo, foi possível levar um Koru (pedra em espiral), como lembrancinha da Costa Oeste.

Conseguimos maiores informações no i-Site, sobre as atrações da cidade. Deste modo, pegamos o motorhome e fomos conhecer o Hokitika Gorge.

Hokitika Gorge


O Hokitika Gorge fica localizado na zona rural, a 33 Km do centro de Hokitika.

Observação: é preciso pegar uma estrada de ida e volta para ir até lá! Não fica no meio da estrada principal, em nossa rota para atravessar a West Coast!

este é o aspecto do Hokitika Gorge, com as condições climáticas ideais

Esta atração é um canyon por onde passa um rio de um azul profundo e leitoso, mas que, no dia em que fomos, estava com a cor um pouco acinzentada.


Há uma pequena trilha para fazer, passando por uma ponte suspensa e tendo alguns mirantes para o rio e alguns pontos de suas margens, onde a água forma piscinas que podem ficar bem azuladas.

Talvez por conta da quantidade de chuvas que caía nesta época do ano, as águas que descem das montanhas estariam mais carregadas de sedimentos que tornaram a cor menos vistosa.




O local conta com passarelas, mirantes e pontes suspensas, de modo que podemos fazer uma pequena trilha apreciando a passagem das águas.

Ao sair de lá, seguimos para o sul, até o vilarejo de Franz Josef Glacier.


A West Coast tem muitas pontes e passagens de apenas uma via, mas não se preocupe pois é sempre bem sinalizado, e a seta maior sempre indica quem tem preferência, se é você ou quem vem do outro lado.

Em Franz Josef Glacier, passamos a noite no Top 10 Holiday Park, um camping pago e bem estruturado. 

Foi nossa segunda vez num camping assim (a primeira havia sido em Picton).

20º dia – 15/outubro/2017 – 2º dia de Costa Oeste

Acordamos com um milagroso dia de céu azul! 

Certos de que sol é uma coisa difícil por aqui, preparamos o motorhome e saímos o mais rápido possível.

Nem paramos para conhecer o pequeno vilarejo de Franz Josef Glacier, que vive em função do turismo na região.

Franz Josef Glacier


O primeiro passeio que optamos por fazer era fazer uma trilha para ver de perto uma das mais famosas geleiras da Costa Oeste da NZ.  

A geleira de Franz Josef tem esse nome pois foi explorada pela primeira vez em 1865 pelo geólogo Julius von Haast, que a batizou em homenagem ao então imperador da Áustria.

O detalhe é que para chegar mesmo até a geleira, só fazendo um passeio de helicóptero, que vai até o alto da montanha, onde a geleira está hoje. 

Eles fazem um pouso por alguns minutos e aí sim dá pra andar dentro da geleira. Mas é um passeio bem caro (estava em torno de uns 400 NZD por pessoa), e fomos só de trilha mesmo.


para andar sobre o Glaciar, o único meio autorizado e seguro é o helicóptero

Para chegar ao Glacier, atravessamos o vilarejo, e, logo após a ponte, pegamos um desvio de 4 km até chegar ao estacionamento, por volta de 10 horas da manhã.

informações atualizadas no início da trilha - neste dia, daria para chegar ao mirante, que estava a 750 m de distância do glaciar

No início da trilha há informações atualizadas sobre as condições. Realmente, a NZ é um país que sempre impressiona no capricho das informações ao turista!

É uma caminhada de 5,4 km (considerando ida e volta), que levamos 2 horas para percorrer, em meio a um vale, onde havia, em alguns pontos, algumas cachoeiras descendo das montanhas.

pequenas cachoeiras na trilha para o glaciar Franz Josef


Um visual muito bonito, em que já se via, logo no início, o glaciar no fim do vale. 

A graça era andar para ver a geleira cada vez mais de perto.


início da trilha...

a visão do vale

pequenas cachoeiras por todo o vale

cada vez mais perto...

parte final da trilha, bem pedregosa

este é o ponto final da trilha, cercado para ninguém passar, devido ao risco de ir mais perto da montanha

A parte final é bem pedregosa, impressionando, por tamanha proximidade, a fronteira entre a região de mata e a região alpina. De repente, há forte influência do clima da montanha, tanto que onde há gelo (ou próximo a ele), não há mais quase nenhuma vegetação. 

Ao final, há um ponto de observação que, neste dia, estava localizado a 750 metros da geleira.

chegando ao final da trilha para ver mais de perto do glaciar Franz Josef


Embora possa parecer decepcionante não se permitir ir além, há motivos para isso, pois o clima em uma região assim é bem instável. 

Há avisos nesse sentido, demonstrando que pode ocorrer desprendimento de gelo, repentina subida do rio, oferecendo perigo para quem se arrisca sem ter experiência.


visão bem de perto do glaciar, obtida com a câmera com zoom!

Voltamos e o tempo já começava a mudar, para chover de novo. 

Realmente, as chuvas na região da West Coast vêm de repente e com tudo, pois as montanhas dos Southern Alps formam um paredão que segura a umidade vinda do oceano, fazendo precipitar as chuvas concentradas naquela região.

Fox Glacier


Saímos dirigindo o motorhome e passamos por Fox Glacier, a 25 Km dali. 

Neste outro vilarejo também há uma geleira para ser observada. 

A geleira Fox foi nomeada com o nome de Sir William Fox, o primeiro-ministro da NZ de 1869 a 1872. 

Optamos por não fazer esse passeio, tendo em vista que o tempo já estava chuvoso, e já estávamos satisfeitos com o Franz Josef. 

No lugar, fomos, à espera de um milagre, ver o Lago Matheson, uma das atrações mais cênicas da NZ!

Lake Matheson


O Lago Matheson tem uma das mais famosas vistas da Nova Zelândia! 

É um belo lago que oferece um reflexo perfeito das montanhas nevadas, entre elas, a mais alta do país, o Monte Cook!



Fizemos a trilha em loop, ao redor de todo o lago, o que dá 4,4 km.

Outra possibilidade é apenas ir até o mirante mais famoso, o Jetty Viewpoint, numa caminhada de ida e volta que totaliza 2,4 Km.

No início da trilha, e junto ao estacionamento, há um café (que já estava fechado, pois tudo lá fecha cedo!), e uma boa loja de souvenirs.

o café e lojinha, logo na chegada, ao lado do estacionamento e início da trilha

Para chegar ao Lago Matheson, basta pegar a estrada Cook Flat Road, a partir de Fox Glacier Village, e dirigir mais 5 km. Ao chegar lá, o milagre não aconteceu, e não parou mais de chover nesse dia. 


Não vimos nada do Monte Cook, pois as montanhas estavam todas cobertas de nuvens.

Não sei se fizemos bobeira, pois de manhã cedo o dia estava tão bonito! Poderíamos ter vindo direto e teríamos conseguido a vista tão famosa e que ilustra o início deste post!


era para ter uma vista bonita aqui...

Mas...como iríamos adivinhar que esse tempo chuvoso iria voltar???

E, se tivéssemos vindo primeiro aqui, por outro lado, o Franz Josef Glacier é que ficaria prejudicado pelo tempo (fora ter que voltar 25 km no nosso caminho para vê-lo, para depois ter de refazer esses 25 km em nossa rota rumo ao sul)...Não era para ser dessa vez...

Dica: A dica que todos costumam dar é que o melhor momento para ir ao lago é ao amanhecer ou ao final da tarde, quando os ventos diminuem na região e o lago e a superfície fica espelhada, proporcionando o melhor reflexo das montanhas nas águas do lago. 

Neste dia, ao amanhecer, estaria perfeito. 

Ficou para a próxima vez ter uma vista melhor do lago...mas, quem sabe ainda poderíamos ver o Mt Cook do outro lado (leste) da Ilha Sul...E não é que isso aconteceu?! Aguardem para ver nos próximos posts sobre essa viagem!

Após fazer a trilha ao redor do lago, voltamos para o motorhome. Dirigimos, então, rumo ao sul, seguindo o rumo para completar a travessia da West Coast.

Knights Point Lookout


Se o tempo estivesse bom, teríamos parado nesse mirante, que parece ter vista tão bonita como aquele em que estivemos, no início da Costa Oeste. 

Fica 93 Km depois de Fox Glacier e 27 Km antes de Haast. Há um estacionamento no local. 


As coordenadas GPS são: -43.715152, 169.225563.


Haast


Seguimos direto até Haast, uma pequena vila litorânea onde o Haast River deságua no mar. Um lugar bem isolado mesmo!

Aqui, sofremos para definir onde ficar, pois o tempo não parecia bom para seguir adiante, e já estava quase escurecendo.

Procuramos um camping free, primeiramente, pela Haast Beach. Parecia uma estrada em direção a lugar nenhum. Chegava a dar medo, de tão isolado que era o local. Voltamos.

Por sorte, o aplicativo Campermate instalado no GPS do motorhome achou um camping free, 11 Km antes de Haast, com entrada logo próximo a uma ponte e um rio. Voltamos, então, pela estrada em que estávamos vindo.


Ao chegar, era um lugar muito estranho, com motorhomes antigos. Parecia um ferro velho. Como não tínhamos outra opção, paramos por ali. De noite, choveu bem forte. 

Na próxima postagem, sairemos da West Coast através da estrada cênica Haast Pass, para chegarmos à região de Otago, onde nos encantamos com Wanaka, em um dos mais belos cenários do interior da Ilha Sul da Nova Zelândia
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Rodrigo S J

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