5 de maio de 2016

Atacama - passeio frustrado à Bolívia (senta que vem perrengue aí)

Esse post faz parte da nossa série diário de bordo no Atacama - uma série de postagens aqui no blog com todas as nossas dicas para você se dar bem no famoso deserto chileno. 

Agora, chegou a vez de contar a vocês como foi o nosso 5º dia no Atacama, quando decidimos dar uma esticadinha relativamente frustrada até a Bolívia. Embora não tenhamos visto muita coisa, acho que vale a pena contar a vocês o 'perrenguinho' que passamos, até para que possam decidir se vale a pena - ou não - arriscar esse passeio. 


Viagem anterior à Bolívia

Não foi a nossa primeira vez na Bolívia - já havíamos feito um mochilão por terras bolivianas em 2005, passando por Copacabana, Isla del Sol, La Paz, Tiawanaco, Vale da Lua, Chacaltaya, Oruro e Uyuni, até onde me lembro (o blog não existia na época, e a memória falha!). 

Naquela viagem, fizemos uma "expedição" de alguns dias de 4x4 pelo Salar de Uyuni, e fomos a Atulcha, passamos pela Laguna Colorada e por todas as principais atrações da maravilhosa Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa, um parque nacional boliviano espetacular, com paisagens de tirar o fôlego. 


cemitério de trens em Uyuni
Peg fazendo pose no salar
   
hotel de sal onde pernoitamos

esta expedição só é possível em veículos tracionados
cactus gigantes nas 'margens' do salar

nosso 4x4 da viagem de 2005 - os mesmos que ainda rodam lá em 2016
A decisão de ir de novo

Desta vez, sabíamos que não teríamos tempo suficiente para ir até Uyuni, na Bolívia, senão não chegaríamos até Mendoza e Córdoba, nossas metas principais antes de começarmos a voltar para casa. 

Até demos uma olhada nos preços das expedições que saem de San Pedro para lá, mas os valores eram exorbitantes, e levaríamos no mínimo uns 4 dias para ir e voltar correndo, o que não nos interessava. 

No nosso próprio carro, a viagem era impossível - além de não ser um 4x4, não tínhamos a menor pretensão de nos meter no meio do salar sem um guia, o que não é recomendado por ninguém, é um perigo, aliás!

se até os 4x4 quebram, imagina nossa Tucson!

Mas queríamos muito dar uma esticadinha à Bolívia, pisar de novo naquela terra de lagos coloridos e paisagens estonteantes e, de quebra, carimbar o passaporte do Lipe no seu 39° país!

Não se trata, é óbvio, de contar países, senão não estaríamos "repetindo" Chile e Argentina, ou mesmo Canadá e Estados Unidos, onde já estivemos com o Lipe umas 5 vezes e voltamos no ano passado. 

Não, o que nós gostamos mesmo é de contar experiências vividas e momentos que tiram o nosso fôlego (que não são raros a 4.600m de altitude kkkkk). Mas sim, nós temos muito orgulho de já ter mostrado 39 países ao nosso pequeno viajante, não posso negar 😊 

39º carimbo no passaporte do Lipe: Bolívia

Decidimos, então, que já tínhamos feito os principais passeios pelo Atacama e que dedicaríamos aquele 5º dia por lá para "dar uma chegadinha" à Bolívia - assim mesmo, só pela aventura, sem maiores pretensões (e sem nenhuma informação!). É, ninguém lá sabia nos dizer muita coisa a respeito da situação das estradas bolivianas, parece que o povo só viaja para a Bolívia nas excursões de 4x4 mesmo, ninguém parece ir por conta própria! 

Atacama de carro

Bom, para começo de conversa, se você vai para o Atacama de carro, como nós fomos, recomendo que leia, antes deste, os outros posts que já escrevemos sobre o Deserto, para não perder nenhuma dica:

Também já escrevi sobre o ótimo albergue com quarto e banheiro privativos onde nos hospedamos por 5 noites em San Pedro, o Hostal Lackuntur.

de carro próprio pelas horripilantes estradas da Bolívia

Roteiro de 6 dias no Atacama

Para entender melhor o nosso roteiro no Atacama:

No nosso 1º dia lá nós visitamos o Salar de Tara e os Monjes de la Pacana

No 2º dia, passeamos pelo povoado de San Pedro de Atacama. Não deixe de ler o post que escrevi com as nossas dicas práticas, e também indicações de onde comer em San Pedro, clicando no seguinte linkdicas práticas para você se virar em San Pedro de Atacama e comer bem e barato



Este é o post sobre o nosso 5º dia lá e, no próximo, contarei sobre o 6º e último dia que passamos no Deserto do Atacama. 



Diário de bordo

Segue, abaixo, o diário de bordo do nosso 5º dia no Atacama (um domingo, 27/12):

Compramos água, frutas e empanadas, abastecemos o carro (28.000 pesos chilenos = 40l = 696 pesos/l) e saímos de San Pedro em direção à Bolívia às 10:20am, pela Ruta 27

Logo passamos por esta placa de sinalização da foto abaixo, que indica que o posto fronteiriço de Hito Cajón fica a 40Km de San Pedro. 


o caminho é bem sinalizado

você deve sair da estrada principal, asfaltada, e pegar esta estrada secundária, não pavimentada

logo vai ver esta placa, que informa que faltam 5Km para a fronteira boliviana e que,
apenas 2Km depois do posto de fronteira, já estará na incrível Laguna Verde!

os grandiosos vulcões acompanham todo o caminho

O policial mal encarado

Chegando à aduana boliviana, já começou a confusão. O policial do posto de fronteira, super de mal com a vida, dizia que não carimbaria a entrada no país nos nossos passaportes se não pagássemos uma taxa de U$ 75. 

Achamos aquilo um absurdo, porque sabíamos que não tinha que pagar pelo visto boliviano, e ele estava aparentemente querendo nos extorquir, dizendo que cada um de nós precisava pagar a taxa de U$ 25 ou ele não nos permitiria sair do país depois. 

Puxa, mas pagar U$ 75 pelos vistos para ficarmos apenas algumas horas no país?!? Nem valia a pena, né?!

Como engrossamos, ele resolveu carimbar nossos passaportes e nos mandar logo embora dali, mas sempre com aquela advertência de que teríamos que pagar a tal taxa ou não sairíamos do país! 

Nossa, já saímos de lá super estressados, porque não quisemos dar o dinheiro a ele e depois ficamos na dúvida se haveria alguma outra "oportunidade" de pagar a tal taxa. 

a casinha da discórdia

mesmo com toda a confusão, o Lipe conseguiu deixar um adesivo do pequeno viajante grudado lá -
quem for tem que nos mandar uma foto!

essa maldita cancela era nosso pior pesadelo: nós só pensávamos
"e se o infeliz decide não levantar a cancela para nós passarmos na volta ao Chile!?"

Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa

Foi só alguns quilômetros adiante que chegamos à portaria da Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa e finalmente entendemos a confusão: a entrada no parque nacional é que custava U$25 por pessoa - pelo jeito, ESSA era a tal taxa que o policial aduaneiro queria nos cobrar (pelo menos escolhi acreditar que era isso, e não corrupção!). 

Em pesos bolivianos, o valor é Bs 150 para turistas estrangeiros. 



Ao fim e ao cabo, concluímos que fizemos bem de não pagar ao policial, pois ele queria cobrar os U$ 25 inclusive do Lipe, e o guarda-parques nos garantiu que não precisávamos pagar pela entrada do Lipe. 

E ainda nos deu um folheto bem bonzinho com informações sobre o parque, principais atrações lá dentro e mapa. 

Diferentemente do pessoal lá da aduana, essa turma do centro de visitantes da portaria da Reserva é bem simpática. 

Eles não aceitavam pagamento em dólares, então ainda tivemos que trocar os U$ 50 dos 2 ingressos com umas bolivianas cozinheiras do restaurante que tem por ali, mas no fim deu tudo certo. 

Em todo caso, fica o aviso: se você decidir encarar esse passeio, já leve U$ 25 por pessoa em pesos bolivianos para pagar o ingresso no parque, já que a cotação em San Pedro deve ser beeem melhor do que a que as tais bolivianas fizeram para mim. 

Guardamos os ingressos bem guardados, porque você precisa deles não só para circular dentro do parque, mas, principalmente, para quando for SAIR do país. 

Acredito, de fato, que essa foi a confusão, tanto que, quando passamos lá pela aduana de novo, mostramos os ingressos e o mesmo policial cara de bunda ficou bem quietinho e carimbou nossos passaportes sem um pio. E nem pediu para ver o ingresso do Lipe. 

centro de visitantes da Reserva

Peg preenchendo a papelada com o guarda-parques para poder entrar no parque nacional

mapa do folheto da Reserva

a portaria do parque nacional se resume a isso

Sei que, lendo esta história, pode parecer que a confusão foi nossa, que não entendemos o espanhol, ou algo do gênero. Não é esse o caso. 

Sou nascida e criada na fronteira com o Uruguai e entendo o espanhol tão bem quanto o português. Insisti várias vezes para que ele me explicasse que taxa era essa que ele estava querendo nos cobrar, já que eu sabia que o visto boliviano era gratuito, e ele foi engrossando conosco e em nenhum momento falou que se tratava de pagamento da entrada no parque. 

No fim das contas, não posso afirmar se foi tudo uma simples confusão ou se ele de fato estava querendo uma 'propina' e acabou desistindo porque viu que não ia levar conosco. 

Mas essa foi recém a primeira metade do perrengue, senta que agora vem o pior da história. 

paisagens exuberantes

as bolivianas

As estradas horripilantes

Imagina o grau de stress que já tínhamos acumulado até aí, né?!

Bueno, com os ingressos bem guardados no porta-luvas, seguimos viagem Bolívia adentro pela Reserva Nacional. 

Como eu disse, já havíamos atravessado a reserva inteira na nossa viagem de 2005, e sabíamos o quão lindas eram as paisagens no caminho adiante. O que não lembrávamos era de como as estradas eram ruins!!!

A reserva ocupa uma parte enorme ao sul da província de Potosí, e foi criada em 1973 numa área de 10Km2 ao redor da Laguna Colorada. Em 1981 se expandiu para uma área de mais de 714 mil hectares.

Dentro do parque, as altitudes variam de 4000 a 6000 metros, na denominada puna, e a região toda foi declarada área de proteção ambiental porque é habitat de flamingos, vizcachas e vicunhas. 






foto da viagem anterior na Laguna Colorada

A nossa idéia inicial era tentar passar o Vulcão Licancabur (5916m), ver a Laguna Verde, passar pelo Deserto de Dalí, pelo Geiser Sol de Mañana e, quem sabe, chegar até a Laguna Colorada e a Árvore de Pedra

Oh, quanta ilusão!!!

Isso daria em torno de 110Km ida (220Km ida e volta, da Laguna Verde à Laguna Colorada), o que seria bem razoável, não fossem as péssimas condições das estradas por lá! 

Se estivéssemos com um carro 4x4, teríamos seguido adiante sem problemas, mas, na nossa Tucson véia de guerra, não teve jeito - quase atolamos na areia fofa 2 ou 3x, até que desistimos pouco depois de passar pela Laguna Verde e resolvemos dar volta. 

Eu costumo ser bem positiva e sempre acho que as experiências, mesmo as eivadas de perrengues, sempre valem a pena. Mesmo porque, como vocês podem ver pelas fotos, as poucas paisagens bolivianas que vimos foram suficientes para, junto com a altitude, roubar nosso fôlego. 

Mas, neste caso, acho que o dinheiro (U$ 50 + a gasolina) e o tempo empregados na aventura (umas 3 ou 4hs) não valeram a pena. Se soubéssemos que as estradas eram tão ruins para um carro comum, teríamos usado o nosso tempo e dinheiro em algum outro passeio bacana e mais relaxante lá pelos arrredores de San Pedro!

Não que eu esteja querendo te desestimular de ir - se você estiver com um 4x4, vá, vá, e vá! Mas, com um carro comum, os riscos não compensam. 

Laguna Verde




Árvore de Pedra - nossa foto de 2005

águas termais perto dos geisers



Laguna Verde versão 2005

De volta a San Pedro

Na volta, fomos à pracinha de San Pedro para o Lipe brincar um pouco. A praça é bem boa, com brinquedos novos. Fica meio longinho do centro, tem que ir de carro até lá.

Depois fui passear no centrinho da cidade, já em clima de despedida - no dia seguinte, pegaríamos a estrada logo cedo para voltar à Argentina pelo Paso Sico, no trecho que, na minha opinião, foi o mais bonito que vimos em todo o Atacama (assunto do próximo post).  

Passamos a parte mais quente do dia na piscina do Hostal Lackuntur. Afinal, era hora de deixar o Lipe aproveitar a piscina e relaxar, já que o dia seguinte seria lonnnnnngo.

Abastecemos novamente o carro - 10.000 pesos chilenos = 14,39l = 696 pesos/l. 

o vulcão Licancabur pode ser visto de qualquer lugar em San Pedro

Piedra del Coyote

No fim da tarde, fomos novamente (pela 3ª vez!!!) à Piedra del Coyote.

Já tínhamos ido à Piedra del Coyote nos 2 dias anteriores (sim, amamos esse lugar!). 

Veja mais dicas sobre este passeio aqui - Pedra do Coiote (1ª vez) e aqui - Pedra do Coiote (2ª vez). 









Desta 3ª vez demos uma choradinha - já estávamos 'conhecidos' dos funcionários da portaria - e pagamos apenas 1 ingresso para nós 3: preço - 3.000 pesos chilenos. 

É só chorar que eles dão desconto, especialmente mostrando que você já pagou a entrada lá outro dia ou no Valle de la Luna (mesmo ingresso vale para os 2 passeios, se for usado no mesmo dia na Pedra e no Vale da Lua).

O lugar é, decididamente, um circo, mas foi eleito 'the best' pôr do sol por nós 3, e sim, é possível se afastar da muvuca e curtir o esplendoroso entardecer do Atacama em paz. 

Dica: fique lá pelo menos uns 20min depois que o sol cair - depois que ele se põe é que começa o espetáculo de cores no céu. 

E não esqueça de olhar ao redor: o vulcão Licancabur, que estará nas suas costas, também fica iluminado de tantos tons de rosa que nem as princesas da Disney imaginariam que existem! 

assim que o sol se põe, as vans com os grupos de turistas vão embora
e é exatamente aí que o show de cores no céu começa







não largue da mão do seu pequeno viajante!

sim, é um circo - mas vale a pena!


Restaurante Adobe

Fomos jantar na rua Caracoles em grande estilo para nossa despedida de San Pedro de Atacama. 

Escolhemos o Adobe, entre as ruas Calama e Tocopilla, e foi uma ótima escolha. 

O ambiente é uma delícia, praticamente ao ar livre, com uma fogueira no centro do terreno, super aconchegante, e a comida foi uma das melhores da viagem. 

Eu comi "merluza austral" e o Peg foi de "lomo roquefort". Só o Lipe que não gostou, porque não tinha nem arroz nem purê kkkk - e ele teve que se contentar com 'papas fritas'. 

Pagamos 36.000 com gorjeta - como eu disse, é caro, mas vale pelo ambiente e pela comida, ainda mais em se tratando de uma despedida tão importante!!!









Videoclipe

Clique abaixo para assistir ao vídeo de 1 minutinho que o Peg fez de um por do sol maravilhoso que assistimos lá na Piedra del Coyote, em time lapse:



Gastos

* água - 1.500
* frutas - 1.200
* empanadas - 4.800
* gasolina - 28.000
* sorvetes - 1.800 
* Piedra del Coyote - 3.000
* gasolina - 10.000
* janta Adobe - 36.000
* Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa - U$ 50 (2×U$25)

E você, já esteve no Deserto do Atacama, no Chile? Esticou até a Bolívia?

Conte para a gente, deixe a sua dica na nossa caixa de comentários!


Se você quiser reservar um hotel ou pousada e ter a garantia do menor preço, nós indicamos o Booking, que é o site de reservas de hospedagem que nós usamos a vida inteira :)

Leia as nossas resenhas sobre os outros hotéis que usamos nesta viagem e reserve já o seu:

Hostal Lackuntur, em San Pedro de Atacama, no Chile

Hotel de Las Nubes, em San Antonio de Los Cobres, Argentina

Apartamentos Lo de Lili, em Tilcara, Argentina 

Hotel La Merced del Alto, em Cachi, Argentina

Hotel Alejandro 1º em Salta, no norte da Argentina 

Hotel Atrium Gualok em Presidência Roque Sáenz Peña, no Chaco argentino

Hotel Village Termas de Dayman, no Uruguai 


Veja como foi nosso passeio:






Todos os posts sobre esta viagem estão em Atacama e Norte da Argentina - se você quiser ler todos em sequência (do último para o primeiro), é só clicar!

Leia o nosso roteiro e orçamento para uma viagem de carro de 28 dias ao Atacama e Norte da Argentina, com passagens pelo Uruguai e Bolívia



Não foi a nossa primeira vez em nenhum destes países - já conhecíamos inclusive o Atacama e a Bolívia - então, se você quiser saber sobre as nossas viagens anteriores a estes países, é só clicar em UruguaiArgentinaChile Bolívia

Veja nosso roteiro de um mochilão de 30 dias pelo Peru, Bolívia e Chile

Também fizemos uma viagem incrível pelas Patagônias argentina e chilena

Leia sobre mal da montanha ou soroche

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