28 de junho de 2011

sadhus: sagrados ou safados?

O texto que segue foi retirado da internet - nossas considerações seguem abaixo, e as fotografias são todas de nossa autoria: 

Os Sadhus poderiam ser chamados de "santos" vivos do hinduísmo. Eles são ascetas seguidores de Shiva, de Sri Vishnu e dos tantras que abdicam totalmente de vestimentas, cobrindo seus corpos apenas com cinzas. Ou melhor, alguns deles, mais moderninhos, costumam usar uma tanga ou um pano surrado para cobrir a genitália. Na comunidade sagrada há umas poucas mulheres, mas elas não têm a mesma reverência obtida pelos homens.


Mas um Sadhu que se preza segue regras milenares. A origem da palavra em sânscrito remete a adjetivos como agradável, correto, decente, disciplinado, respeitável, virtuoso. Eles personificam o desapego às coisas materiais e a renúncia aos prazeres terrenos. Como substantivo, o termo é sinônimo de santo, sábio e vidente. As palavras de ordem são simplicidade e abnegação. Sempre andam a pé, não importando a distância a ser percorrida. Respeitados como ícones do despojamento, só a eles é permitido fumar haxixe.


Os Sadhus se dividem em grupos fechados, cada um com uma característica específica, identificados pela marca que levam na testa - a tilaka. Alguns chegam a morar em árvores como se fossem macacos e recusam a se comunicar com meros mortais. Apesar do aspecto primitivo, eles são vistos como poços profundos de sabedoria. Vivem de oferendas recebidas por onde peregrinam a fim de repartir os dividendos do seu "dom".


Eles praticam o celibato porque acreditam que o prazer sexual apaga o seu poder espiritual. A limitação do prazer dos sentidos inclui também uma limitação na alimentação. O jejum faz parte das renúncias que o Sadhu se impõe regularmente. Muitos Sadhus fundamentalistas chegam a se manter de pé sem nunca se deitar. Outros dormem apoiados em um pau. Outros ficam com o braço direito erguido durante 12 anos ou mais, o que leva à paralisação do membro. E há os que ficam durante anos com uma das pernas dobrada para trás, circulando como se fossem sacis.


Alguns deles não saem das grutas onde vivem e, por isso, acabam cegos. Costumam fazer exercícios com o pênis - como uma espécie de musculação em que penduram pedras pesadas no órgão - e usam cinto de castidade a fim de frear o desejo sexual.


Os ainda mais radicais chegam a ser enterrados vivos e a viver durante anos com galhos de árvores afiados que atravessam o braço - às vezes a carne chega a necrosar. O cabelo não pode ser cortado - alguns têm tranças de três metros! Mas há os que preferem seguir o estilo careca.


Outro traço marcante dos Sadhus é a importância para eles dos pés, que são tidos como um canal especial para a transmissão da energia espiritual. Os pés acumulam a energia vinda do solo, por isso os homens sagrados andam quase sempre descalços. Assim, difundem energia para os fiéis, para os quais é um grande privilégio tocar ou lavar os pés dos Sadhus.


Uma das principais missões dos Sadhus é guiar milhões de devotos durante o festival de Ardh Kumbh Mela. Os hindus têm que enfrentar o frio para se banhar na confluência dos rios Ganges, Jamuna e Saraswati para poderem se limpar dos seus pecados, de acordo com sua crença.


Na primeira vez que estivemos na Índia, nos chamou a atenção aqueles homens andando pela rua, que pareciam estarem indo do nada para lugar nenhum. 

Em Varanasi (Índia) havia um monte deles, pela volta dos ghats no Rio Ganges. 

Já naquela viagem, fomos à Pashupatinath (Nepal), um lugar importante de peregrinação hindu, onde são feitas cremações, inclusive. Morava lá, numa caverna escavada numa rocha, um sadhu que carregava uma pedra pesadíssima (não lembro de quantos quilos) amarrada e pendurada no pênis. 

Deus me livre!   


Desta vez, voltamos a Pashupati, e nos demos de cara com todos estes sadhus que aparecem nas fotos.

Aqui na Índia também, eles estão por todos os lados. 

A dúvida que fica é (e talvez esta dúvida só exista na cabeça de uma brasileira preconceituosa de pouca fé): afinal, os sadhus são homens sagrados ou safados?


Óbvio que eu posso estar cometendo uma heresia, mas acho estranho "santos" vivos que têm autorização para fumar haxixe, vivem de "oferendas" que são, a bem da verdade, esmolas, sem trabalhar, cobram dos turistas para tirar fotos...num país paupérrimo como a Índia, a "simplicidade" com que eles vivem muitas vezes não é uma escolha, tem milhares - senão milhões - de pessoas vivendo com o mesmo "despojamento", que é, na verdade, pura miséria.

Me parece bem atrativo simplesmente deixar de ser miserável para se tornar "santo".

Legal. Cool


Repito: a opinião acima é de uma pessoa que muito pouco sabe da cultura hindu, e até a mim mesma soa preconceituosa, mas...o que parece, parece!!!

P.S. Fotos tiradas em Pashupatinath, no Vale do Kathmandu, Nepal, em junho de 2011.


3 comentários:

  1. Arriscando a sermos chamadas de ignorantes, eu concordo contigo. O que fazem estes homens pelo bem comum, em um país tão carente? Sempre tive dúvidas sobre a santidade deles...santidade que não é partilhada serve para quê? Se chamados de "eremitas" apenas, não teriam nem o respeito, nem a caridade pública.
    Pela minha, talvez equivocada ótica, sendo assim mendigo em SP também tem lá sua santidade.
    Jackie Mds

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  2. Desculpem-me, mas interpretar um aspecto milenar da cultura indiana sem o estudo do hinduísmo e das sagradas escrituras - Vedas -, não lhe possibilitará, realmente, nenhum entendimento sobre o propósito da renúncia nesse contexto. A renúncia aos bens materiais, familiares e etc., é considerada a 4° fase de vida de um hindu...
    Que exista charlatões entre eles, não há dúvidas, assim como o há entre os políticos, professores, jornalista, padres, pastores e todas identidades possíveis entre os seres humanos.
    Não sou nenhum estudioso do assunto, mas inúmeros autores já deram suas contribuições a respeito das representações que o Eu faz do Outro, sobretudo nessa relação ocidente-oriente.

    Com sinceros desejos de que possamos, todos, nos tornar menos ignorantes e mais compreensivos quanto a alteridade da cultura alheia, fiquem em paz!

    Raphael L. S.

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  3. Certa vez ouvi que o rio Ganges não é sujo. Que somos nós que vemos assim. Ele reflete exatamente nossa natureza humana, sempre coberto de poeira. Todos somos alma, e por isso existe o exibicionismo por parte de alguns yoguis na Índia, com cabeças enterradas, com isso e aquilo, mas que na verdade são amostras grátis de que podemos ser mais do que corpo. Repito, todos nós somos alma. Independentemente de nossas manifestações externas, é preciso seguir o caminho do coração. Seja sendo homem santo, seja vestindo uma camisa do Grêmio. Todos nós estamos indo para o mesmo lugar, a morte. Alguns negligenciam isso, se distraem e querem apontar como o outro vive, mas santos são aqueles que realmente estão ocupados em viver para morrer, ou no caso dos sadhus, morrer para viver. Considere uma bênção ter tido a oportunidade de olhar nos olhos e estar ao lado de pessoas que são realmente presentes nesse mundo. Qualquer que seja a prática deles, temos que observar que eles estão vivendo o momento presente. Abrir mão das posses materiais, entrar num turbilhão de energias e reações no campo espiritual, é no mínimo uma tarefa para alguém corajoso. E vocês puderam ter a chance de estar recebendo um pouco desse néctar. Não se impressione com a suposta sujeira do Ganges. Saiba que a verdade é verdade e a mentira é mentira. Uma não pode se misturar com a outra. E certamente vocês tiveram a chance de estar mais perto da verdade, estando na Índia. Uma verdade que não tem a ver com religião, com forma, com conteúdo, ou qualquer outra coisa. Mas a realidade do coração. Boa sorte na caminhada!

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