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60 países em 10 anos de vida: nós contamos países

60 países em 10 anos de vida: nós contamos países sim!
tomando um leitinho em Luang Prabang, no Laos

Entre ontem e hoje recebi a mesma mensagem de umas 15 pessoas diferentes: o link de uma matéria sobre a americana de 21 anos que se tornou a moça mais jovem a viajar por todos os 196 países soberanos do mundo.  

Junto com o link, vinha sempre uma mensagem mais ou menos assim: "vi essa matéria e lembrei do Lipe - acho que ele devia tentar bater esse recorde". 😅 

Em primeiro lugar, tenho que dizer que ameiiiii essas lembranças! Justamente nesta semana, o Lipe completou 10 anos de idade, os 10 anos mais felizes das nossas vidas, com certeza! 

E, exatamente por causa do aniversário dele, percebi nesta última semana que, em média, nosso pequeno viajante conheceu 6 novos países a cada ano de vida (já são 60 países no currículo) - o que, pensando bem, não é tanto assim - pelo menos não para despertar comparações com esses viajantes recordistas: a continuar nesse ritmo de 6 novos países a cada ano, nosso pequeno levaria mais 23 anos para carimbar o passaporte em "todos os países do mundo".

Sem chance de bater nenhum recorde, portanto.

Em segundo lugar, tenho que dizer que sim, a gente conta países sim! Claro que contamos! E mais: du-vi-do que algum viajante inveterado não tenha na ponta da língua a resposta à pergunta fatídica que sempre ouvimos: "mas afinal, quantos países vocês conhecem?" 

Claro que, às vezes, a gente se perde nas contas, esquece o número exato, não sabe de memória - eu, por exemplo, mantenho a contagem lá no meu perfil do Instagram, e também numa página do blog chamada Destinos, para não esquecer: no momento, a minha listinha está com 82 países, prestes a aumentar em breve! 

Mas é só fazer um esforcinho que vai lembrar sim: se você gosta muito de viajar, com certeza tem, sim, uma 'wishlist' enorme de lugares a conhecer, mas também uma listinha que te enche de orgulho dos lugares já visitados. 

Vejo muitos viajantes escreverem artigos criticando quem conta países, dizendo que deveriam estar "contando experiências, ao invés de cidades visitadas", com um arzinho de superioridade blasé, como se uma coisa excluísse a outra, como se contar países fosse feio. 

Pior ainda quando vejo "estudos" com títulos como "viajar traz mais felicidade do que casar"; ou "pesquisas" que apontam que "viajar traz mais felicidade do que ter filhos" - como se uma coisa excluísse automaticamente a outra.

Como se não fosse possível conseguir um emprego, casar, ter filhos e viajar - não necessariamente nessa ordem, mas sim, concomitantemente. 

Eu não vejo qual o problema de contar países. Aliás, desconheço viajante contumaz que não se orgulhe de ter um passaporte cheio de carimbos! E, se conheço alguém e descubro que essa pessoa conhece 90 países, já fico imediatamente curiosíssima, querendo indagar mil coisas, querendo saber por onde andou que eu ainda não estive, enfim: essa pessoa automaticamente ganha a minha atenção, o meu interesse, porque, seja da forma que for, se ela pisou em 90 malditos países, isso me diz muito sobre ela. Para mim, essa pessoa se torna automaticamente interessante!

[Posso até descobrir depois que é um trouxa, que não aprendeu nada, mesmo tendo viajado tanto, mas ganhou meu interesse sim, pelo simples fato de já ter viajado muito.]

ISSO é o que desperta o meu interesse, a minha curiosidade. De repente, o que vai te chamar a atenção em uma pessoa é o fato de que ela já experimentou 444 cervejas diferentes; o que vai te encantar em alguém é que ele escalou os 7 cumes; ou ganhou um título acadêmico importantíssimo em Yale; ou que está criando um novo app para salvar o mundo. Ok, legal, mas posso ir ali conversar com a moça que conheceu 90 capitais de países?

Quando o Lipe tinha 27 meses, fiz uma dessas listinhas e quase explodi de felicidade ao perceber que meu gordito, aos 2 aninhos de idade, já tinha brincado de carrinho em 23 países! 

Aqui: 27 meses de vida e 23 países na mochilinha

bebezão sorridente em Cartagena, na Colômbia

outro leitinho, desta vez na Muralha da China

negociando chaveirinhos em Bagan, Mianmar

aos 5 meses, aproveitando a licença maternidade para conhecer as missões jesuíticas do interior do Paraguai

aos 3 meses, roadtripping pelo leste do Canadá

É muita coisa! Viajar com um bebê por 23 países, na grande maioria asiáticos, é um feito e tanto, é sim motivo para me orgulhar! Ele ainda não valoriza isso hoje, não percebe o quanto ganhou de bagagem em todas essas andanças, mas EU vejo claramente que essa vivência que nós pudemos proporcionar a ele não tem preço.

E esse é o MEU grande prazer na vida.

A propósito, leia também: O que o pequeno viajante aprendeu nessas viagens todas

E vejam que o objetivo deste post não é, de maneira alguma, me gabar - embora certamente ele vá gerar esse tipo de conclusão em muita gente que não nos conhece bem, hehehe...quem já nos conhece melhor, sabe que eu me gabo disso diariamente, contando sobre todas as nossas viagens aqui no blog, no meu perfil no Instagram...não precisaria de mais um post exclusivamente com o objetivo de exibir as nossas viagens (risos, muitos risos)!

O objetivo deste post é dizer que contar países é legal! Contar países é saudável! Eu não conto os mililitros de silicone que (não) coloquei no peito; não conto os quilos que eu (não) perdi; não conto a quantidade de sapatos ou bolsas que tenho no armário; não conto as vezes que troquei o sofá da sala e não conto o ano do meu carro; nem muito menos as medalhas esportivas que (não) ganhei na vida: eu conto países!

Algum problema com isso?

O Peg gosta de contar quantos Kms correu no mês; tenho uma colega que conta as medalhas que ganha toda hora em competições de natação; conheço uma hipocondríaca que se gaba de ter se submetido a não sei quantos procedimentos cirúrgicos, e outras tantas que vivem contando as calorias que ingerem; a minha mãe soma os números de placas de carros (será que é TOC?), e o Lipe soma a pontuação que fez no jogo do videogame e quanto precisa economizar para poder comprar mais "robux"; conheço mulheres que se gabam de quantas calças jeans compraram, ou do número de curtidas que teve a última foto postada na rede social; ouço falar de homens que gostam de contar quantos mil reais pagaram pelo último carrão que compraram, quantos dígitos tem o seu salário ou a sua conta no banco, ou a quantidade de cigarros que fumam por dia, ou ainda quantas garrafas de vinho têm na adega.

Cada louco com a sua loucura. 

Eu conto a quantidade de processos pendentes de manifestação na minha mesa, o número de júris que fiz nos últimos 17 anos, a quantidade absurda de dinheiro que já paguei em imposto de renda ao longo da vida (mentira, não conto nada!); conto os voos do Felipe (ele tinha feito 153 viagens aéreas aos 9 anos, na última contagem), conto as parcelas pendentes de pagamento de passagens aéreas no meu cartão de crédito, conto quilômetros percorridos de motorhome pelo mundo, e conto fronteiras atravessadas.

É isso o que eu conto na vida. É isso o que conta pra mim. O que é que tu contas?

"Ah, mas contar países é bobagem, o importante são as experiências vividas!"

Vai dizer isso para mim? 

Eu SEI que o que importa é o caminho percorrido, e não o destino alcançado.

Eu sou aquela que amaaaaa desbravar o interior da Macedônia ou do Nepal; que levou mais de um mês para percorrer a Ferrovia Transmongoliana, porque jamais se contentaria em atravessar a Rússia inteira correndo, sem desembarcar inúmeras vezes do trem para conhecer cada lugar interessante do caminho; que não se contentou em passar fome e diarréia na Índia apenas uma vez, mas teve que voltar alguns anos depois com um bebê a tiracolo, para revisitar o Taj Mahal e confirmar o quanto amei o Subcontinente; aquela que viajou pelo interior da Holanda sem sentir necessidade de ir a Amsterdam, e por toda a Alsácia francesa sem cogitar de ir a Paris!

comemorando 2 aninhos num trem transiberiano

de riquixá pelo Sri Lanka, aos 9 anos

aos 2 aninhos, adquirindo anticorpos na Índia

se hospedando num 'yurt' no interior da Mongólia

assistindo (ou fugindo!?) um por do sol no Atacama

'sobrevoando' a Patagônia

Em 2011, fizemos uma viagem de volta ao mundo de 5 meses, e acrescentei apenas 9 países ao currículo - o que é pouco para 5 meses de viagem mundo afora - justamente porque a nossa preocupação não era somar novos países à lista, e sim viver novas aventuras. Contar os novos países na listinha é apenas o bônus!

Na nossa última volta ao mundo, passamos por 15 países, mas adicionamos apenas 5 novos carimbos ao passaporte, já que os outros 10 países onde estivemos nós já conhecíamos de outras viagens, e estávamos voltando para desbravar melhor.

Aliás, falando em "desbravar melhor", se nosso objetivo fosse apenas somar países ou bater recordes, não voltaríamos aos mesmos lugares ano após ano, como é o caso dos EUA, para onde a gente ama voltar, pois sempre tem um novo parque nacional a conhecer!

Não há dúvida de que as experiências são mais importantes que os carimbos. Mas as coisas não são excludentes! Ninguém precisa ficar fazendo textão na internet julgando os prazeres alheios e impondo o que é certo ou errado em matéria de viagem. Não existe certo ou errado. Quer conhecer o leste europeu em 2 semanas? Pois tente! O sudeste asiático em um mês? Vai firme, mano (como diria o Lipe)!

Deixe cada louco viver a sua viagem como melhor lhe aprouver!

Julgar taras sexuais que fazem mal a outrem, ok; já julgar as taras de viagem de outros viajantes é pretensioso e desnecessário.

Se o teu prazer é contar os ingressos das 15 férias seguidas em que tu foi à Disney, "seje" feliz!

Ninguém tem o direito de meter o bedelho na forma como tu decides gastar as tuas suadas economias.

Eu tenho urticária quando vejo aqueles roteiros enlatados "conheça 5 países europeus em uma semana"; sinto arrepios de repulsa que vão da nuca ao calcanhar quando vejo os preços de resorts 'all inclusive' no nordeste para o Ano Novo, mas, se isso é o que te fará feliz, vai firme!

Então, voltando ao assunto que deu início a toda esta divagação, posso garantir que o Lipe dificilmente baterá o recorde da moça americana que visitou 118 países em menos de 3 anos - sim, ela começou a "missão" em 2016, quando já conhecia 78 países.

Primeiro, nós teríamos que ganhar na mega sena acumulada, o que é bem improvável, considerando que raramente lembramos de jogar; segundo, o Lipe tem menos de 3 meses de férias escolares por ano - os pais da recordista da matéria tiravam ela da escola por semanas, o que eu jamais poderia fazer, porque reconheço a minha total e absoluta inabilidade para ensinar; e terceiro, existem alguns lugares (poucos), como o Iraque, ou a Síria, para onde eu não me vejo viajando num futuro próximo, seja por falta de vontade de conhecer ou de (in) segurança.

E, por último, é bom lembrar que a gente conta países não para esfregar na cara de ninguém, ou para bater recordes - nada contra quem o faça, eu mesma adoraria encarar um desafio destes se pudesse!

A gente conta países por um prazer pessoal que é a grande alegria da nossa vida, e que podemos aproveitar como bem entendermos: se o nosso barato agora for "gastar" todas as férias desbravando a Namíbia, como fizemos ano passado, ou estourar nossas economias conhecendo cada cantinho da Noruega, como pretendemos fazer neste ano, é isso o que vamos fazer.

Se, em algum outro momento das nossas vidas, decidirmos que queremos "riscar da lista" todos os quase 50 países africanos que ainda não conhecemos em menos de um ano, será só um novo objetivo para corrermos atrás. Sem preconceitos.

Por menos julgamentos de sonhos alheios e mais viagens - e experiências novas - para todos nós!

E você, conta países? Tem uma 'wishlist' interminável? Conta pra gente! Deixa teu recado nos comentários!

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10 conselhos de uma mãe de muitas viagens

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Claudia Rodrigues Pegoraro

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