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Como as viagens mudaram nos últimos 20 anos

Como as viagens mudaram nos últimos 20 anos
Como as viagens mudaram nos últimos 20 anos
viajar numa época em que não existia Waze, GPS ou Google Maps

Em dezembro de 1998 eu estava terminando o penúltimo ano de faculdade e tinha um pouco de dinheiro guardado que eu tinha economizado dando aulas de inglês nos últimos 4 anos. Sabia que teria mais um ano de faculdade pela frente e então passaria de uma promissora aluna do curso de Direito à mais nova desempregada do pedaço, ou seja, as minhas férias do verão de 1999 seriam as últimas férias da minha vida de estudante. Eu precisava aproveitá-las. 

Raspei todo o dinheiro que eu tinha economizado na poupança, meu pai me deu mais um pouco, e decidi que eu precisava conhecer a Europa: fui numa agência de viagens e comprei uma passagem (em bloquinho) da saudosa Varig para Munique, na Alemanha, onde eu tinha uma grande amiga dos tempos de intercâmbio que eu sabia que não me deixaria passar fome. Eu tinha 22 anos. Lembro até hoje da quantidade de fumaça de cigarro dentro daquele avião.

Comprei dólares - lembre que em 1999 não existiam euros, e a gente levava dólares para a Europa e ia trocando por marcos alemães, pesetas espanholas, liras italianas ou francos franceses cada vez que desembarcávamos em um novo país. 

Quantos perrengues passei ao chegar em um novo país de busão, no meio da madrugada, sem a moeda local, sem um pila para pegar metrô até o albergue ou comer alguma coisa! Lembro perfeitamente de caminhar uns 8km pela madrugada de Barcelona afora com o mochilão nas costas até finalmente encontrar o endereço onde ficava a casa da Martinha, que ia me dar abrigo e muitos pães com tomate catalães nos dias que viriam. 

Eu não tinha email em 1999. Sim, sempre fui meio atrasada nessas novas tecnologias, mas lembre-se que o Hotmail só surgiu em 1996 e o Gmail só foi aparecer em 2004. A internet havia surgido no Brasil em 1994, mas te garanto que não era uma coisa muito popular em 1999 - poucas pessoas que eu conhecia usavam. Nessa época, estudantes de direito ainda faziam curso de datilografia - eu fiz!!

Obviamente não existiam telefones celulares, e muito menos Apps para ajudar nas viagens. Os mapas eram de papel - e a gente conseguia depois de chegar ao destino, nos centros de informações turísticas. O máximo de planejamento que eu tive nessa minha primeira viagem à Europa em 1999 foi um guia impresso que meu pai conseguiu, fotocopiou, encadernou e forrou com papel contact - o melhor presente que ele me deu na vida. 

Hoje em dia sinto saudades de viajar naquela época - as viagens eram tão mais descompromissadas e flexíveis! Eu chegava na rodoviária com o meu passe de ônibus da Eurolines disposta a ir para Firenze mas, como não tinha ônibus saindo em seguida para Firenze, eu seguia para Copenhagen. 

Eu tinha a Europa inteira para conhecer, e a sensação de liberdade era indescritível.

Como não tínhamos o Google Translate, a gente se obrigava a aprender frases no idioma local para poder se comunicar com as pessoas, ou se virava fazendo mímica. 

Como não existia Waze, éramos obrigados a FALAR com os locais para pedir informações. Era um outro mundo. 

Como não existia WhatsApp, eu mandava cartões postais de cada novo país, para os meus pais terem notícias de mim de vez em quando. Fico pensando se o Felipe fosse viajar hoje e não respondesse minhas mensagens de WhatsApp dentro de 2hs - já me imagino querendo acionar a Interpol 😠 

Lembro que ainda em 2004 eu e o Peg mandávamos cartões postais e íamos de albergue em albergue na Índia procurando uma cama - porque era assim que se viajava - nenhum mochileiro que se preze tinha reservas antecipadas! Acho que é por causa desse passado que até hoje tenho ranço de fazer reservas - prefiro "ver na hora", odeio ficar maneada pelas reservas. 

Tenho fotos que o Peg tirou de mim sentada numa floreira em Varsóvia, Polônia, com o mochilão nas costas, exausta de tanto caminhar atrás de vaga em um albergue - bons tempos aqueles!

Como as viagens mudaram nos últimos 20 anos
quem diria que os albergues de Varsóvia estariam todos lotados!?

Quando furtaram meu cartão de crédito em Bangkok, às vésperas de seguirmos para uma Ko Phi Phi pre-tsunami e pre-multidões, minha mãe recebeu chamadas do gerente do banco avisando que provavelmente eu havia sido sequestrada na Ásia, porque meu cartão de crédito estava sendo usado enlouquecidamente, já tinham gasto mais de U$ 3000 em compras! E ela só conseguiu contato comigo vários dias depois, quando voltamos à civilização em Bangkok e fomos num 'cyber café' para mandar um email contando as novidades. 

Naquela época, eu já tinha a sensação de ter perdido a época de ouro das viagens mochileiras, os anos 70. Eu lia os livros com as hitórias do Tony e da Maureen Wheeler, fundadores da Lonely Planet, e os invejava por terem vivido as viagens daquela década, quando as pessoas embarcavam num carro velho em Londres e seguiam por terra até Kathmandu, passando pelo Irã e pelo Paquistão.

E não era só eu que me sentia assim - eu percebia que outros 'backpackers' que nós encontrávamos em Viena ou em Gotemburgo, vindos do Japão ou do México, também tinham essa sensação de ter "perdido" uma era em que as viagens eram mais "puras". 

Hoje sinto um aperto no peito por saber que o Lipe não terá a chance de viver tantas aventuras neste mundo de 2020/2030. Neste mundo politicamente correto em que fotos de uma mulher Himba de peitos de fora são consideradas pornografia

Claro que não tem sentido hoje em dia não aproveitar da tecnologia disponível para facilitar as nossas viagens. Mas sinto que, por outro lado, toda essa tecnologia também deixou as viagens bem mais complicadas - ou fomos nós que ficamos dependentes e complicados? 

Com 9 anos, o guri já briga se a gente se hospeda numa pousada sem wifi. Quem abriria mão, em 2019, de viajar sem um simcard no celular para postar uma foto no Instagram volta e meia? E vejam que não estou criticando: eu mesma adoro fotografar tudo e postar fotos no Instagram para incentivar outras pessoas a se aventurarem. 

Mas bate uma nostalgia daquele tempo em que éramos 'wifi free', e não doentes por 'free wifi'.

No meu primeiro mochilão, em 1999, viajei com a minha câmera Vivitar de filme de rolo, e era tão caro comprar filme de 36 poses e revelar as fotos que eu dificilmente tirava mais de um rolo de fotos por semana. Hoje olho os álbuns daquela viagem e vejo que não tenho nenhuma foto de várias cidades por onde passei! Em 2019, tiro 36 fotos em poucos minutos com o meu celular. 

As fotos se tornaram uma parte tão essencial das viagens que existem estudos demonstrando que muitas pessoas viajam para determinados lugares COM O OBJETIVO de tirar 'aquela' foto para o Instagram. Pessoas estão caindo de penhascos e morrendo para tirar fotos cada vez mais 'incríveis' para postar nas redes sociais. 😥

Há menos de 2 décadas, turistas indianas se encantavam e me perseguiam pelo Taj Mahal, pedindo para tirar fotos do aparelho ortodôntico que eu usava nos dentes - elas pensavam que eram joias de prata para os dentes. Há menos de 10 anos atrás, turistas chineses enlouqueciam tirando fotos do Lipe em Datong, pois jamais tinham visto uma criança 'de verdade' com olhinhos redondos! Na nossa última viagem à Ásia, em 2019, as pessoas já estavam tão acostumadas a tirar fotos com estrangeiros que passaram a cobrar por isso, como os pescadores sobre estacas de Koggala.

Como as viagens mudaram nos últimos 20 anos
de aparelho nos dentes e fazendo sucesso em Varanasi, na Índia

Para a Claudia de 2019, parece que não faz tanto tempo assim que entrei naquele avião da Varig com meu Walkman da Sony em 1999. Para o Felipe, 1999 aconteceu há décadas, é coisa para se estudar nos livros de história do século passado!

Há poucos dias li um artigo do Rolf Potts em que ele discute se a maneira como viajamos hoje é muito diferente de como viajávamos há 20 anos (que obviamente foi o que me inspirou a escrever esse texto), e eu digo que sim. 

Apesar de todas as "vantagens" tecnológicas de 2019, sinto que eu ainda seria capaz de viajar como naqueles velhos e bons tempos - se eu sobrevivi sozinha em Napoli 20 anos atrás, porque não sobreviveria hoje? Mas sei que isso é delírio, porque quem não viveu aquela época - como o Lipe - certamente ficaria horrorizado de imaginar uma viagem sem Waze, Google Translate ou WhatsApp. 

Quem não tem essa bagagem, não pode ter ideia de como ela é leve e libertadora. 

Outra constatação é a de que, tristemente, o mundo todo parece ter sido 'descoberto' na última década, e está superlotado. Há 20 anos, mesmo no 'Banana Pancake Trail' (lugares que eram mecas de 'backpackers', como Dahab, no Egito, ou Yangshuo, na China, ou a Khao San Road em Bangkok), não se via essa superlotação. 

Li que Maya Beach foi fechada para se recuperar do excesso de visitantes da última década, e lembro de quando a visitamos - éramos só nós dois num longtail boat com um pescador lá. Parece uma visão romântica do mundo, mas de fato era assim que as coisas eram. 

Em 2019, visitamos El Nido e Ko Lipe, e tenho certeza que em breve eles fecharão muitas praias por lá também, que estão precisando desesperadamente de uma 'folga' do turismo de massas. 

Estive em Barcelona em 1999 e voltei 20 anos depois para encontrar a cidade cheia de cartazes "stop mass tourism" - os catalões estão sendo expulsos de sua própria cidade pelos turistas que usam Airbnb. 

Visitamos Machu Picchu em 2005 e, quando voltamos no ano passado, descobrimos que eles precisaram limitar o número de turistas, pois o lugar corria riscos de desmoronamento devido ao excesso de pessoas circulando por lá em determinadas épocas do ano. 

Como as viagens mudaram nos últimos 20 anos
chegando da Trilha Inca em 2005

Como as viagens mudaram nos últimos 20 anos
chegando da Trilha de Salkantay em 2018

os catalães estão desesperados com o tursimo predatório que os obriga a sair de suas casas em favor dos viajantes de Airbnb

Alguns lugares nem quero voltar, por medo de me decepcionar: é o caso da Dubrovnik pos-Game of Thrones, ou das nossas ilhas-paraíso Gili e Pulau Perhentian, que aparentemente foram "descobertas" pelo mundo nos últimos anos, e tenho lido relatos de danos horríveis ao meio ambiente - assim como nos decepcionamos um pouquinho com a Fernando de Noronha que encontramos ano passado, depois de tê-la conhecido cheia de cavalos-marinhos, moréias, arraias e cardumes infinitos de peixinhos coloridos na nossa lua de mel em 2002. 

Tenho certeza que ainda existem, em 2019, milhares de lugares a serem "descobertos" pelos viajantes mundo afora - pois cada vez mais todo mundo quer ir sempre aos mesmos lugares superlotados que já viram nas fotos do Instagram - mas esses locais "a descobrir" são cada vez mais raros, embora tenhamos tido grande sorte nas nossas últimas viagens de encontrar lugares onde tivemos paz e solidão, como na Namíbia, Islândia, Patagônia, Alaska ou nos parques nacionais americanos no inverno. 

Que sensação fantástica a de ter um lugar maravilhoso "só para nós" - rezando para que esse sentimento se repita na nossa próxima viagem às ilhas Lofoten na Noruega e à Lapônia Sueca no verão! 

Para encontrar esses lugares hoje em dia, é preciso ter disposição para fugir dos caminhos mais batidos e procurar estradas menos percorridas. 

Na minha opinião, o que permanece exatamente igual hoje em dia é o frio na barriga de chegar num lugar completamente novo, a excitação de desvendar como funcionam os transportes públicos, os cheiros de um templo asiático, as cores de um mercado africano...essas coisas não podem mudar. Ainda prefiro exercitar a paciência e a mímica para me comunicar com uma vendedora de bilhetes de trem em Irkutsk ou um taxista em Beijing ou um garçom em Mumbai. Tenho a sensação de que, se apelar para o Google Translate, minha viagem vai perder metade da graça. 

Claro que hoje usamos GPS, mas ainda tenho sempre na manga um bom mapa de papel, cuja bateria não termina nunca! Quantos botecos incríveis nós descobrimos em Hanoi naquela época pré-Trip Advisor! Quantos pratos de cebola roxa crua nós pedimos sem querer no Rajastão quando não existia o app tradutor para entender o que estava escrito no cardápio! Quantas vezes nos ferraram na cotação quando não tínhamos o app XE para verificar o câmbio! Quantas estradinhas nós desbravamos de motoca na Capadócia, na Grécia ou em Goa quando viajámos sem Google Maps! Hoje em dia eu certamente não passaria tantas horas perdida, perambulando pelas ruelas de Veneza, como passei naquela viagem de 1999.

As viagens em 1999 tinham o poder de nos ensinar a sobreviver à solidão, ao aborrecimento de uma longa viagem de trem, ao fato de estar perdido em Londres...nos ensinavam a sair da nossa zona de conforto. 

Em 2019, ninguém mais sabe o que é se aborrecer numa looonga fila para subir na Torre Eiffel, porque você pode esperar a sua vez vendo sua série preferida no Netflix (parece que é possível até comprar bilhete com horário marcado pela internet ou um passe fura-fila!); hoje ninguém precisa aprender a sobreviver sozinho, porque você sempre pode fazer uma chamada de vídeo grátis via WhatsApp a qualquer minuto, de qualquer lugar do mundo, para o seu melhor amigo; se perder na Londres de 2019? Impossível, né? 

Aquisição de auto-conhecimento não é mais uma coisa inerente às viagens, como era em 1999. 

Como as viagens mudaram nos últimos 20 anos
como eram as viagens numa época em que os viajantes dormiam em estações de trem em Budapeste

Eu ainda acho uma tremenda perda de tempo ficar assistindo Netflix no hotel quando poderia estar desbravando as ruas de Kuala Lumpur, mas confesso que já perdi muito tempo respondendo comentários no Instagram quando poderia estar conversando com srilanqueses - e me arrependo sempre que percebo que estou fazendo isso! 

Como o Rolf Potts descreveu com propriedade, viajar significa interagir com o seu ambiente imediato; é sobre viver no momento, em vez de puxar compulsivamente uma tela toda vez que você se sentir desconfortável.

Smartphones - e aplicativos para smartphones - foram projetados para nos fazer pensar que precisamos deles. A chave, na estrada, é encontrar maneiras de usá-los sem deixar que nos distraiam do que está bem diante dos nossos olhos.

Eu costumava dizer que a melhor maneira de conhecer de verdade uma pessoa era levando-a para uma viagem independente, com pouca grana, que a obrigaria a sair da sua zona de conforto. 

Hoje em dia, o único jeito de conhecer uma pessoa de verdade é dando sumiço no celular dela 😜

O grande prazer de viajar de forma independente é deixar a viagem abrir os teus olhos e coração para o mundo - mas, se a viagem for totalmente dependente daquilo que a gente tem dentro de um telefone celular, não será uma viagem verdadeiramente 'independente'. 

Espero que toda essa reflexão não tenha soado como saudosismo barato ou pretensão. Acho que essa nostalgia é natural. Já escrevi antes sobre como eram as viagens na nossa infância - ou seja, nos anos 80 - e tenho certeza que nossos pais sentem saudades daquela época em que ninguém precisava se preocupar com cintos de segurança, e as crianças iam jogadonas na 'cachorreira' da camionete! 

Provavelmente, é só uma questão de tempo para que, daqui a 20 anos, a gente esteja sentindo saudades de como eram as viagens em 2019!

Como as viagens mudaram nos últimos 20 anos
sobre as viagens da década de 80

Como as viagens mudaram nos últimos 20 anos
Peg, o pequeno viajante, em mais uma roadtrip no porta-malas do Fiat 147

E você, já era um viajante há 20 anos? Lembra como era viajar pelo mundo numa era pre-internet? 

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Claudia Rodrigues Pegoraro

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13 comentários:

  1. Amei!!!!!!!! Saudades! Me formei na faculdade em 1996, e em 1997 fiz meu intercambio para a Australia. Mas eu já era viciada na internet! Eu era a ovelha digital da turma, ninguém mal sabia ligar um computador. Antes de viajar consegui o e-mail do filho mais esperto da familia australiana que me receberia, e consegui muitas informações antes da minha ida (sortuda!)... Durante a viagem as descobertas eram sempre "raíz": gastei muita sola de sapato para conhecer os lugares que o guia impresso da Fodor´s me sugeria (ele parecia uma bíblia, imagino quantas desatualizações continha)... quando voltei, ainda em 1997, fiz um site bem básico usando uma antiga plataforma de blog que se chamava Geocities (do Yahoo, criada em 1994). Contei toda a minha experiencia na Australia lá e durante uns 3 anos esse meu bloguinho me rendeu MUITA coisa bacana, inclusive um retorno à escola onde estudei, a convite deles, de tantos brasileiros que ajudei respondendo milhões de emails que recebia. Eu já era blogueira de viagens e nem sabia! rsrsrs Seu texto me fez recordar essa fase tão boa!!! Demais Claudia!!!

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  2. Oi Claudia...muito legal o teu post....concordo em tudo....é uma pena mas de fato muitos viajam só para postar aquela foto.....

    Eu já gosto de fazer os meus próprios roteiros de forma independente...e percorrer cantinhos diferentes em cada lugar ...não sempre nos mesmos locais batidos....

    O pessoal vai visitar por exemplo o Louvre em Paris e só tem olhos par a a Monalisa...ficam se esmagando para tirar uma selfie com a obra....e meu Deus...com tanta obra linda bem ali no lado do próprio Da Vinci....é uma pena...

    É a Lu...aqui de Farroupilha....

    E tu melhorou???

    Abraço

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    1. Oi Lu, estive na tua terra semana passada, amei aquela hamburgueria El Viajero, que legal!
      Simmmm, no Louvre as pessoas esquecem até da Vênus de Milo, da Vitória da Samotrácia...tá todo mundo muito louco :(

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  3. Me fizeste lembrar um episódio em 2001 (primeiro mochilão pela Europa): no aeroporto de Lisboa, caos instalado, vôo muuuuito atrasado para Madri. Chegaria de madrugada e sem reserva! Com um guia impresso na mão, de um telefone público (existia) dentro da sala de embarque eu telefonava para todos os albergues e pensões indicados e ninguém tinha vaga... Pedi PELAMORDEDEUS pra uma senhora me receber e quando chegamos era completo "baixo Bronx" o bairro! O quarto? Banheiro no corredor, colcha de cetim cor-de-rosa e roupeiro de portas de espelho...
    Como é que a gente fazia essas coisas??? Hahahaha

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    1. Ah cetim cor de rosa em Lisboa é clássico!!!! kkkk
      Mas agora tu entregou a cara de pau! Em plena época de estudos pro concurso tu andava mochilando nas Oropa???

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    2. Digamos assim: eu fiquei 30 dias mochilando pra depois me concentrar o resto do ano! ��

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  4. Amei muito, lembrei muito das minhas viagens! Sabe o que acontecia bastante comigo? MArcar encontro com pessoas com meses de antecedência, sem celular, sem internet e ENCONTRAR a pessoa no lugar marcado. "Vamos nos encontrar em uma café em Paris entre 4 e 5 da tarde no dia 21 de janeiro quando eu estiver voltando do Marrocos? Só tenho 1 noite na cidade". E dava certo!!! As vezes dava errado. kkkk

    Que louco eu ter escrito um texto nostálgico no mesmo dia que você! Me aprofundei muito menos e estava falando sobre outro assunto, mas senti a mesma vibe.

    beijos

    Pati

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    1. Pati, fiz isso muitas vezes, e por incrível que pareça dava certo às vezes kkkk eu nem acreditava quando dava certo! E uma vez atrasei um dia e a minha amiga também!!!! Nos encontramos no dia seguinte, atrasadas, no albergue combinado!

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  5. Amei seu relato! Há 20 anos eu era um bebê hehe.

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  6. Claudia, que texto maravilhoso! Não tenho essa vivencia "viajadoristica" sua, mas fiquei até emocionada. Traduza para o ingles tbm. É lindo de ler, merece mais alcance!
    E te digo: viajar 1000 km, duas/tres vezes por ano, no fundo de uma caravan, com meus dois irmãos, um colchonete e travesseiros, parando na estrada para beber água nas fontes que saíam das pedras, é das minhas melhores lembranças de infancia!!!!

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    1. Ah, eu tenho certeza!!! Todas as minhas lembranças de infância envolvem alguma aventura! Não tenho boa memória, só fica registrado o que envolve coisas realmente boas haahah

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