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Antártica: relato de cruzeiro de expedição dia a dia

Antártica: relato de cruzeiro de expedição dia a dia
Antártica
Antártica: relato de cruzeiro de expedição dia a dia
* Relato e fotos de Úrsula Ribeiro

Somos Úrsula, João Carlos e Gabriel. Moramos em Uruguaiana, no RS, e amamos viajar. Há tempos nos inspiramos no blog da família O Pequeno Viajante (pra mim, o melhor blog de viagem!). 

Eu e meu marido somos professores do Instituto Federal Farroupilha, e nosso filho, Gabriel, é estudante de Medicina. Com o passar dos anos, fomos juntando sonhos, planos e vontade de conhecer o mundo e a Antártica sempre esteve ali, no topo da nossa lista, esperando a hora certa.

Numa noite em casa, entre um entrecôt e uma taça de um bom Malbec, conversávamos, como sempre, sobre viagens e lugares que ainda queríamos conhecer. Foi o Gabriel quem voltou a falar da Antártica. Naquele instante, percebemos que aquele velho sonho estava pronto para virar realidade. A partir daí, comecei a ler relatos na internet, buscar informações no Instagram, ler blogs, comparar experiências...fiz uma boa pesquisa!
Descobrimos que existem navios de expedição, viagens de contemplação, combinações de helicóptero com navio...enfim, várias formas de chegar ao continente gelado. 
Depois de muita leitura e pesquisa em blogs e redes sociais, gostamos muito da proposta da Swan Hellenic

Compramos a viagem por meio da Thatiany, do perfil @turismopelomundo, uma profissional super querida e competente. 

Garantimos nossa cabine com um ano e meio de antecedência (um pouquinho exagerados, talvez!).

A empresa oferece diferentes opções de roteiros, com durações de 10, 11, 12 e até mais dias. 

Escolhemos o roteiro Cruise Expedition to Antarctica: Weddell Sea Cruise, com 12 dias de duração, uma experiência que prometia se transformar em uma verdadeira expedição ao continente gelado. 

No pacote estavam incluídos uma diária de hotel em Buenos Aires, as passagens aéreas de ida e volta para Ushuaia, cidade de onde parte o navio, além de todos os traslados entre aeroportos.


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Canal Lemaire, Antártica

Relato do nosso cruzeiro à Antártica dia a dia

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pinguim-gentoo adulto

26/01/26 - cruzeiro à Antártica dia 1

Chegamos a Ushuaia e um transfer nos levou direto para o navio. 

A previsão era partir às 18h, mas, por causa das condições climáticas, acabamos saindo 2hs antes. 

A saída de Ushuaia foi surpreendentemente tranquila. 

O Canal de Beagle é tão protegido que a gente quase esquece que está em um navio. Mas a calmaria não durou a noite toda...

Após a meia-noite, entramos no Drake e fomos recebidos por uma tempestade, com ondas de até 6 metros! 

Mesmo assim, graças aos estabilizadores, o navio enfrentava o mar super bem, e a sensação era de viver, de verdade, o começo de uma grande aventura rumo ao fim do mundo.

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navio de expedição SH Vega

27/01/26 - cruzeiro à Antártica dia 2

Foi mais um dia inteiro de travessia pelo Drake, bem agitado. Mas ficar no navio não é nenhum sacrifício: as refeições são ótimas e, além disso, somos brindados com várias palestras sobre aves, baleias, orcas, o clima, grandes aventureiros do passado e do presente, dentre outros temas.

Desde o 1º dia da expedição, acontecem briefings diários, com atualizações sobre o roteiro do dia seguinte. 

Aprendemos que um cruzeiro para a Antártica não é algo fixo: o itinerário pode, sim, sofrer alterações conforme as condições climáticas. 

E as palavras que mais escutávamos eram sempre as mesmas: flexibility, flexibility, flexibility!

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proa do navio

28/01/26 - cruzeiro à Antártica dia 3

Acordamos às 6 horas com o Gabriel aos gritos: “Iceberg, iceberg!”. 

É impossível descrever a emoção de ver o 1º iceberg surgir no horizonte. 

Ele era gigantesco, imponente, quase irreal. 

Foi mais um dia de navegação, mas agora com um novo cenário pela janela: já começávamos a avistar algumas ilhas e alguns icebergs.

29/01/26 - cruzeiro à Antártica dia 4

Acordamos muito cedo. 

Todos muito eufóricos, afinal de contas, iríamos fazer a nossa 1ª descida em terra: Port Lockroy! 

Port Lockroy, localizada na Ilha Goudier, é uma antiga base britânica que hoje vive como museu e abriga a agência postal operacional mais austral do mundo. 

Mas confesso: nada ali rouba mais a cena do que a colônia de pinguins-gentoo. 

Eles circulam livres, curiosos, completamente à vontade...tão perto da gente que, por vezes, somos nós que precisamos mudar o caminho para não atrapalhar a trajetória dos pequenos donos da ilha.

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filhote de pinguim-gentoo

No início da tarde, não pisamos em terra firme: seguimos direto para um passeio de Zodiac (barcos infláveis utilizados nas expedições com os passageiros) por Hidden Bay, que durou cerca de uma hora. 

Saímos à procura de baleias...e encontramos! Vimos de muito perto, a uns 10 metros de distância. 

Foi daqueles momentos em que o tempo parece parar...emoção total!

Quando voltamos ao navio, avistamos muitas baleias. 

E, no fim da tarde, atravessamos o Canal Lemaire, um corredor espetacular de alguns quilômetros de extensão, que mais parece um fiorde esculpido por paredões rochosos e gelo. 

É daqueles lugares que deixam a gente sem palavras, de tão impressionantes e grandiosos!

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Canal Lemaire

30/01/26 - cruzeiro à Antártica dia 5

Saímos de Zodiac logo pela manhã e desembarcamos no Continente Antártico, em um lugar chamado Orne Harbour, famoso por abrigar uma grande colônia de pinguins-de-barbicha (Chinstrap penguins).

O detalhe interessante é que, em vez de estarem na praia, os tais pinguins estavam lá no alto da montanha. 

E o que fizemos? Subimos atrás deles, com a ajuda de ski poles. 

A subida é relativamente desafiadora e escorregadia, mas absolutamente recompensadora: do alto, a vista é espetacular e cheia de pinguins-de-barbicha, como se eles fossem os verdadeiros donos daquele cenário.

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Orne Harbour

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pinguins-de-barbicha

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À tarde, fizemos mais uma descida em terra, desta vez em Danco Island.

O lugar é lindo. A caminhada foi bem tranquila e pudemos observar muitos pinguins-gentoo pela praia, coberta por pedrinhas, compondo aquele cenário selvagem da Antártica.

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Danco Island

A noite foi simplesmente magnífica!

Como já mencionei, sempre havia palestras acontecendo no lounge do navio. Naquele momento, grande parte do pessoal já estava acomodado assistindo ao início de uma palestra sobre baleias, quando, de repente, alguém gritou: “Whales!”. 

Pronto. A palestra foi interrompida na hora, porque várias baleias resolveram dar um verdadeiro show bem pertinho do navio.

31/01/26 - cruzeiro à Antártica dia 6

Saímos de Zodiac logo pela manhã e desembarcamos em Mikkelsen Harbor, na Ilha D’Hainaut

O local tem uma praia tomada por pinguins-gentoo e uma pequena colina que convida à subida, de onde se tem uma vista linda da região.

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pinguim-gentoo em Mikkelsen Harbor, na Ilha D’Hainaut

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em Mikkelsen Harbor, na Ilha D’Hainaut

À tarde, saímos de Zodiac pela Curtiss Bay, ao sul da Ilha Trinity

O cenário era simplesmente espetacular: icebergs imensos, grandes blocos de gelo espalhados pelo mar, neve caindo, uma leve névoa e um silêncio absoluto, já que o piloto havia desligado o motor. 

Foi nesse instante que avistamos uma foca-leopardo deitada sobre uma placa de gelo. 

O que dizer? 

Só agradecer por viver momentos assim. 

Passamos bem pertinho: ela abriu aquela boca enorme, levantou a cabeça para olhar para nós...e voltou a dormir, como se nada estivesse acontecendo.

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foca-leopardo deitada sobre uma placa de gelo em Curtiss Bay, ao sul da Ilha Trinity

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Curtiss Bay, ao sul da Ilha Trinity

01/02/2026 - cruzeiro à Antártica dia 7

Pela manhã, não pisamos em terra firme: fizemos um passeio de Zodiac que durou cerca de uma hora. 

Chegamos bem perto de D’Urville Monument, para observar pinguins-gentoo, pinguins-de-adélia e algumas focas que descansavam sobre as pedras da praia. 

D’Urville Monument é uma pequena área livre de gelo, localizada no sudoeste da Ilha Joinville.

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pinguins-de-adélia

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pinguins-de-adélia em D’Urville Monument

À tarde, fizemos mais uma descida em terra, desta vez em Tay Head

Tay Head é uma espécie de pequena península, localizada na extremidade nordeste da Ilha Joinville, perto da Península Antártica, e serve como área de descanso para elefantes-marinhos. 

Vimos um grupo de 4 exemplares, extremamente preguiçosos, apenas descansando e se coçando. 

O local também abriga uma colônia de pinguins-de-adélia, com adultos e filhotes. 

Os filhotes estão em fase de crescimento: importunam os pais o tempo todo e são lindamente desajeitados. 

É impossível observar essa galerinha sem dar muitas risadas!

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pinguins-de-adélia - adulto e filhote - em Tay Head

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elefantes-marinhos em Tay Head

À noite, depois do jantar, vivemos um dos momentos mais espetaculares da viagem: conseguimos avistar orcas diretamente do navio. 

As pessoas se espalharam pelo ninho (local de observação na proa do navio) e por todos os pontos possíveis para observar uma, duas...até 10 orcas passando bem diante de nós. 

Foi um momento de pura euforia, emoção, quase inacreditável!

02/02/2026 - cruzeiro à Antártica dia 8

Acordamos cedo, tomamos café e fomos para a parte externa do navio. 

O cenário já era completamente diferente: placas de gelo por todos os lados, icebergs enormes e uma euforia generalizada. 

Ao longe, sobre uma banquisa (a camada de gelo formada pelo congelamento da água do mar) avistamos um pinguim-imperador. 
Os pinguins-imperadores são conhecidos por serem os maiores pinguins do mundo, podendo atingir até 1,30 metro, e passam a maior parte do tempo em plataformas de gelo. 
Estávamos, finalmente, no Mar de Weddell!

Com o passar das horas, a quantidade de banquisas foi aumentando, até que grande parte do mar à nossa frente já estava congelada. 

Foi então que percebemos a importância de estarmos a bordo de um navio quebra-gelo Polar Class 5 (PC5), extremamente robusto. 

O navio “subia” sobre o gelo e o quebrava com um barulho impressionante, abrindo caminho em meio àquela imensidão branca.

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Mar de Weddell

A empolgação da tripulação era visível: estávamos tentando chegar a Snow Hill, uma ilha no Mar de Weddell, de difícil acesso, habitada por pinguins-imperadores. 

Seríamos o 2º navio a conseguir chegar a Snow Hill nesta temporada. 

O 1º havia sido o da National Geographic, que estava alguns quilômetros à nossa frente. 
Era impossível negar: sentíamo-nos verdadeiros exploradores, experimentando, ainda que por um instante, um pouco do que viveu Ernest Henry Shackleton.
Às 14 horas, o nosso grupo (desde o início da expedição fomos divididos em 4 grupos que se revezavam nos horários de descida) seguiu de Zodiac em direção a Snow Hill. 

Vale ressaltar que não desembarcamos em terra firme, mas sim em uma banquisa ao redor da ilha, onde estava a colônia de pinguins-imperadores. 

Caminhamos cerca de 1Km sobre o gelo, não totalmente confiantes: a cada passo, o pé afundava quase um palmo, trazendo uma sensação ao mesmo tempo desconfortável e um pouco assustadora. 

Paramos a, aproximadamente, 200 metros da colônia e ficamos ali, em silêncio, contemplando aqueles animais impressionantes, lindos e majestosos. 

Em pouco tempo, alguns filhotes começaram a caminhar em nossa direção. O que dizer desse momento? Era simplesmente impossível não se emocionar.

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pinguim-imperador adulto

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pinguins-imperadores

Iniciamos o retorno para o Zodiac e, em seguida, ao navio...e então começou a correria. 

Os guias em terra avisaram que não poderíamos embarcar no mesmo ponto onde havíamos descido: as banquisas estavam se movimentando e um iceberg havia “fechado” a nossa rota de saída inicial. 

Teríamos que caminhar cerca de 600 metros em outra direção para alcançar um novo ponto de embarque. 

Quando finalmente voltamos ao navio, surgiu outra preocupação: o Gabriel estava fazendo caiaque com um grupo de 10 pessoas e um guia, e também havia passado por uma situação complicada: por causa do deslocamento das placas de gelo e de um iceberg, o grupo ficou sem saída pela água para retornar ao navio. 

Os guias precisaram desembarcar na banquisa e conduzir todos a pé até a embarcação. 

Coração de pai e mãe não sossega: só ficamos tranquilos quando vimos o guri de volta a bordo. 

O Zodiac e os caiaques ainda tiveram que ser arrastados pelos guias sobre a banquisa até alcançarem a água novamente. 
Foi ali que aprendemos, na prática, uma lição importante: banquisas e icebergs se movem muito mais rápido do que a gente imagina !!
Com todos a bordo, veio a mudança de planos: a saída dos outros grupos para ver os pinguins foi cancelada, pois o navio estava trancado no gelo. 

A partir daí, começou um processo que durou cerca de 3hs. 

Foi quando vimos, de perto, a verdadeira força de um navio quebra-gelo. 

A dinâmica era a seguinte: o navio avançava, quebrava o gelo até ficar preso, então engatava a marcha a ré para se afastar e ganhar embalo, voltando com força total para romper mais um trecho. 

Assim, metro a metro, foi abrindo caminho. 

A comemoração foi geral quando finalmente conseguimos seguir adiante de forma contínua, sem grandes dificuldades. 

Nosso Capitão mostrou, neste momento, toda a sua experiência e competência.

03/02/2026 - cruzeiro à Antártica dia 9

Saímos de Zodiac pela manhã e desembarcamos em Brown Bluff, na Península Tabarin, no norte da Antártica, um lugar conhecido por abrigar colônias de pinguins-de-adélia e pinguins-gentoo. 

Já começamos a sentir uma certa nostalgia, pois aquele seria o último local em que desceríamos em terra. 

Próximo ao meio-dia, boa parte dos corajosos passageiros se preparavam para o 'polar plunge'. 
Polar Plunge (mergulho polar) é uma experiência extrema e popular em cruzeiros de expedição, onde passageiros saltam nas águas congelantes em trajes de banho, geralmente amarrados a uma corda de segurança. 
É claro que o nosso filho saltou e adorou! Tem loucos (ou corajosos?!) neste mundo!

À tarde, iniciamos nosso retorno para Ushuaia, cruzando novamente o Drake, que continuou mal comportado!

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Brown Bluff, na Península Tabarin, no norte da Antártica

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avistamento de orca

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Gabriel fazendo polar plunge

04 e 05/02/2026 - cruzeiro à Antártica dias 10 e 11

Seguimos viagem de volta rumo a Ushuaia e chegamos no dia 05, à noite. 

Ao desembarcar, fomos jantar um cordeiro patagônico no Restaurante Casimiro Biguá. Recomendo: é maravilhoso! 

Depois, voltamos para o navio para passar a noite.

06/02/2026 - cruzeiro à Antártica dia 12

Deixamos o navio às 14 horas e seguimos para o aeroporto, onde pegamos o voo para Buenos Aires.

O que dizer desta viagem? Nem nos nossos sonhos mais inspirados imaginávamos tudo o que iríamos viver. 

Tudo foi grandioso, inesperado e, acima de tudo, mágico.

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pinguins-imperadores

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Claudia Rodrigues Pegoraro

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