Cuba: roteiro e dicas de 17 dias na ilha de Fidel
* Texto e fotos da Sandra Ugrin
Confesso que Cuba era um país que me despertava muita curiosidade e nada do que eu tenha pesquisado antes pode ser comparado à experiência que tive nos 17 dias que passei na Ilha do Fidel.
Nosso roteiro pela ilha de Cuba foi dividido da seguinte forma:
- 4 dias em Havana
- 3 dias em Varadero
- 1 dia em Playa Larga
- 1 dia em Cienfuegos
- 1 dia em Trinidad
- 2 dias em Cayo Largo
- 2 dias em Santa Clara
- 2 dias em Vinhales
Não vou entrar aqui no cunho político, porque esse nunca foi meu objetivo, mesmo porque é impossível entender e muito menos explicar o que acontece em Cuba. Andando pelas ruas você encontra tanto pessoas que defendam com unhas e dentes a política de Fidel, quanto os que já não aguentam mais.
Mas vamos ao que interessa...
Leia também:
Cuba: 7 dias entre Havana e Varadero
Cuba com crianças
Como chegar em Cuba
Do Brasil não existem voos diretos, é preciso fazer escala, e as opções são Copa Airlines, com escala no Panamá; Avianca, com escala na Colombia; e American Airlines, com escala em Miami.
Eu viajei com um voo LATAM que fazia escala em Lima - na época era o voo com melhor custo benefício.
O que você precisa saber antes de viajar para Cuba
Cuba exige visto e certificado de vacina da febre amarela.
O visto nós tiramos direto no Consulado em SP - pelo site do Consulado de Cuba você consegue todas as informações e documentos necessários, e paga a taxa.
O visto sai na hora.
Para viajar à Cuba, também é necessário contratar um seguro saúde, mas atenção: os seguros do cartão de crédito não são aceitos em Cuba, é necessário contratar um seguro específico para Cuba.
Se você não contratar antes, será obrigado a comprar o seguro ainda no aeroporto, e o custo pode ser bem mais elevado.
Qual moeda usar em Cuba
Viajar por Cuba foi muito mais fácil e barato do que eu imaginava. Mas a questão do dinheiro realmente é bem complicada.
Alguns lugares só aceitam pesos cubanos, outros só dólares ou euros (que, pra eles, têm o mesmo valor) e há ainda os que só aceitam cartão de crédito.
Para não ter que carregar muito dinheiro em espécie, eu reservei todas as acomodações pelo Airbnb ainda aqui do Brasil e comprei todas as passagens de ônibus por aqui também, usando o cartão da Wise em euros. Em Cuba o Wise não é aceito, mas para comprar os tickets dos ônibus, que são administrados por uma empresa espanhola, sim.
Também paguei o Iberostar em Cayo Guilhermo com Wise, numa promoção da Black Friday, com 40% de desconto.
Alguns lugares, como hotéis de rede e pontos turísticos administrados pelo governo, você pode pagar com cartão de crédito internacional, mas, quando estive na ilha, em 2023, ainda eram pouquíssimos os lugares que aceitavam cartão - então se programe para levar dólares para pagar comida e transporte.
Procure trocar um pouco de dinheiro quando chegar lá. Normalmente os donos das hospedagens têm o melhor câmbio. Você vai precisar para compras na rua e em alguns restaurantes do governo que não aceitam dólares.
Pelo site El toque você consegue saber a cotação paralela. Aliás, se você está planejando viajar para Cuba, recomendo a leitura desse jornal online para ir se inteirando da situação do país.
Onde se hospedar em Cuba
Quanto à hospedagem, fiquei em casas de cubanos, todas alugadas pelo Airbnb, todas ótimas, com boa estrutura.
Na maioria, o café da manhã e wifi você paga separado.
Hoje em dia, ficar hospedado em casa de cubanos é um negócio muito rentável para eles, então a estrutura é muito boa, os quartos têm banheiros privativos, normalmente têm uma entrada independente, ar condicionado, chuveiro quente e boas roupas de cama, tudo muito limpo.
Com exceção dos Cayos - que são áreas privadas e administradas por grandes resorts europeus, onde você é obrigado a ficar em um hotel all inclusive - em todo o resto da ilha existem boas opções de casas de cubanos para se hospedar, o que, pra mim, faz muito mais sentido do que ficar em hotéis estatais ou estrangeiros.
Quanto custa comer em Cuba
A questão da comida também me preocupava, mas devo ser sincera e dizer que comi muito bem e barato.
Existem restaurantes para todos os bolsos, e os restaurantes do governo são os mais baratos.
Comi muita lagosta que custava U$ 5 e tomei muito Mojito a U$ 2.
Antes de ir, comecei a seguir o Instagram de um casal de cubanos que deram dicas excelentes de restaurantes - recomendo segui-los para saber o que esperar dos restaurantes de Havana.
Importante ressaltar que Cuba está em constante mudança e, apesar das mudanças no governo, que propiciaram alguma abertura e a criação de vários comércios particulares, o país ainda sofre com os embargos americanos. Então pode haver falta de alguns produtos, e a população ainda sofre com falta de energia e alimentos.
Como funciona a internet em Cuba
Internet é outro assunto que me preocupava, e funcionou super bem.
Comprei um chip para turistas na Cubana Cell.
Esses chips são válidos por 30 dias, têm 6gb de internet e 100 minutos de ligações, e custam 35 euros. Só podem ser pagos com cartão - você vai até a loja e eles habilitam o seu aparelho para você poder pagar pela internet.
Funcionou em todos os lugares, mesmo nas estradas, tanto para internet quanto para ligações para o Brasil.
Também tem um cartão que você usa a internet do governo e custa U$ 1 por hora, mas só funciona em alguns lugares e é bem lenta.
Algumas hospedagens disponibilizam esse cartão gratuitamente para os hóspedes.
Algumas páginas são bloqueadas, mas você pode usar uma VPN - eu não tive nenhum problema, até banco consegui acessar.
Como se locomover em Cuba
Em Havana eu fiz praticamente tudo a pé.
Vale lembrar mais uma vez que Cuba sofre com os embargos dos EUA, então você não vai ver Uber, Waze ou Google Maps por lá.
Nós baixamos o app Maps.me, que funcionou super bem. Faça o download do mapa de Cuba para usar offline.
Eles têm um aplicativo que chama la nave e funciona como um Uber, mas você paga em pesos cubanos.
Os táxis normalmente só aceitam dólares, e tudo é 20 ou 30 dólares, a depender da cara do freguês.
Os cubanos adoram o Brasil e, quando dizemos que somos brasileiros e não ganhamos em dólar, é sempre mais fácil conseguir os melhores descontos.
Os passeios em carros antigos também variam de acordo com o freguês: fechamos 1h por U$ 30, e acabamos ficando 2hs.
![]() |
| Capitólio à noite |
Entre as cidades viajamos de ônibus da Viazul - o site deles é ótimo, tem todos os horários e preços, e você consegue planejar tudo perfeitamente.
Pagamos todas as passagens com cartão Wise pelo site, ainda aqui do Brasil. Você recebe o voucher e apresenta no celular mesmo ao motorista ou guichê da rodoviária.
Só atenção: chegue com mais de 1h de antecedência para confirmar a sua passagem, pois quase perdemos uma viagem porque nos atrasamos e o rapaz não queria confirmar; só depois de muito choro ele aceitou.
Para as cidades que não tinham ônibus, fomos de táxi coletivo, e aqui mais uma vez o preço varia.
Sempre negociamos falando que somos brasileiros, que não tínhamos dólares e bla, bla, bla...e pagamos em média de U$ 30 a 50 por pessoa.
Cuba tem uma rede bem estruturada de táxis que cobre todas as cidades. Eles se organizam pelo WhatsApp e ninguém fica na mão.
Optamos por não alugar carro (ao contrário do que passa na televisão, Cuba tem carros novos e uma boa rede para locação, mas naquele momento estavam com problemas de abastecimento), devido à falta de gasolina, mas tudo o que se refere ao turismo não sofre com falta de abastecimento. E as estradas são muito boas, com GPS você chega em qualquer lugar.
O povo realmente é muito alegre e simpático, estão sempre dispostos a bater papo e um ou outro tenta dar um golpezinho principalmente para vender charutos ou vender shows do Buena Vista Social Club. O segredo é dizer que vai embora amanhã e já viu tudo na cidade, que daí eles vão embora sem falar mais nada.
É seguro viajar por Cuba
Sim, muito seguro.
Apesar de ser um país pobre, não vimos nenhum tipo de violência e em nenhum momento nos sentimos inseguros, mesmo andando pela rua à noite.
Qual o melhor lugar para se hospedar em Havana
A maioria dos turistas ficam hospedados em Havana Velha, o que eu não recomendo, pois o lugar é bem degradado.
Eu fiquei no Malecón e foi ótimo, uma vista linda de frente para o mar, com uma curta caminhada até a parte turística.
Reservei pelo Airbnb.
Outra região boa para se hospedar é no El vedado ou Miramar, o bairro das embaixadas - é o mais bem cuidado de Havana, mas fica longe de tudo.
![]() |
| Airbnb em Havana |
O que fazer em Havana
Caminhar pelas ruas do centro histórico é um deleite para os amantes de fotografia, apreciar os carrões antigos e a arquitetura, que, embora degradada, é sempre uma experiencia única.
Visitamos os principais pontos turísticos: Praça da Revolução, Plaza de la Catedral, Plaza Vieja, Plaza de Armas, Capitólio, o Museu da Revolução e a maravilhosa Escuela Nacional de Ballet Alicia Alonso, que, do seu telhado, tem a vista mais linda do Capitólio.
A entrada do Capitólio só pode ser paga com cartão de crédito.
Fizemos um ensaio fotográfico com o pessoal da Cuba Soul Pic (reservamos pelo Airbnb), que foi, sem dúvida, o ponto alto da nossa passagem por Havana - além de fotos lindas, o mais legal foi passar pouco mais de 2hs caminhando pelo centro histórico de Cuba com 2 cubanos formados em cinema que, além de nos fotografar, contaram vários fatos da história do país com uma visão bem realista de como vivem os cubanos em meio à toda mudança ocorrida nos últimos anos.
Durante o passeio, ainda demos uma volta em um carro antigo e paramos em frente ao icônico Hotel Nacional.
Não deixe de passar no famoso El Floridita, um dos bares mais famosos do mundo, onde Hemingway batia ponto e eternizou o drink Daiquiri.
A Bodeguita del Medio, também frequentada pelo Hemingway, é parada obrigatória para provar o tradicional Mojito. Uma curiosidade é que você encontra o Bodeguita em várias cidades e tem ótimos preços para almoço. Experimentamos em Varadero e Santa Clara, os 2 excelentes.
Em nosso último dia, fizemos um city tour com um professor de história que nos interpelou durante nossa caminhada pelo Malecón. Apesar de não sermos muito adeptos desse tipo de passeio, fomos com a cara dele e resolvemos ajudá-lo e foi muito legal. Passamos por ruas fora do circuito tradicional e principalmente conversamos e tentamos entender como é viver em Cuba.
Roteiro em Cuba
Na manhã seguinte, fomos de ônibus para Varadero, numa viagem de pouco mais de 2hs de ônibus.
Já tínhamos comprado as passagens pela internet e pago com o cartão Wise.
Chegamos na rodoviária, só mostramos o voucher no guichê e eles nos deram a passagem para embarcar.
Eu adorei Varadero, a cidade é uma gracinha, a praia é linda e ficamos num Airbnb de frente pro mar, bem longe dos resorts, o tipo de praia que eu gosto.
Um mar azul sem fim, areia branquinha, sem barraquinhas ou vendedores na praia. Uma paz!
Ficamos 2 noites em Varadero e aproveitamos para curtir a praia e caminhar pelo centrinho. Varadero não tem nada a ver com Havana. A cidade é bem estruturada, com bons restaurantes, tudo muito limpo e organizado.
Procure os restaurantes mais afastados dos resorts de luxo, pois os preços são absurdamente menores. Almoçamos os 2 dias no Bodeguita del Medio, comida boa e barata.
De Varadero fomos para Playa Larga. Como não havia ônibus direto, contratamos um táxi no dia anterior. Fomos até a rodoviária e falamos direto com um taxista, que intermediou a viagem.
Apesar de Playa Larga ter um grande valor histórico - é lá que fica a famosa Baía dos Porcos, onde, em 1961, os EUA fracassaram na sua tentativa de derrubar Fidel Castro - o nosso interesse na verdade era ver o menor beija-flor do mundo.
Foi uma experiência única. Ficamos na Casa Ana Birding, a única que eu não paguei antes - reservei direto com eles pelo WhatsApp, porque queríamos ficar exatamente lá para passarinhar.
Já na chegada nos encantamos com o jardim da casa, frequentado por várias espécies de aves e o tão esperado zunzuncito, o menor beija-flor do mundo.
| zunzuncito, o menor beija-flor do mundo |
No dia seguinte, fomos conhecer o parque nacional Cienaga de Zapata e ver mais espécies endêmicas de aves.
À noite, seguimos de ônibus para Cienfuegos. Em Playa Larga não tem rodoviária, e você fica no meio da estrada esperando o ônibus e rezando para ele chegar kkkk...
Cienfuegos é uma cidade muito bonitinha, bem estruturada e vale muito a pena a visita. Foi colonizada por franceses e tem uma arquitetura bem preservada. Passamos o dia caminhando pela cidade e apreciando a arquitetura.
À noite, seguimos para Trinidad, considerada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, cidade que algumas pessoas acham parecida com Paraty, mas eu não achei. É outra cidade pequena, onde o charme é a escadaria da música, com shows todas as noites. A praia também é bonita, mas não chegamos a ir, porque estávamos cansados e tínhamos pouco tempo.
De Trinidad para Cayo Guilhermo são 4hs de viagem de táxi. Pagamos U$ 30 por pessoa num táxi compartilhado, que acabou sendo só para nós. Infelizmente estava uma ventania absurda em Cayo Guilhermo e, no 2º dia, choveu, então não vi aquele mar do Caribe piscina que eu imaginava.
A experiência no resort foi péssima - não recomendo a ninguém esses resorts all inclusive. Tinha muita comida naqueles bandeijões enormes, que ficam expostos, muito desperdício e muita mosca. Apesar da praia ser bonita e a estrutura do quarto ok, nem de longe se compara com os resorts do Brasil.
Para sair dos Cayos, é meio complicado, pois não tem táxi e apenas uma empresa de ônibus bem mais cara, que se chama viação Gaivota. Ligamos para o taxista que nos deixou no Cayo e ele intermediou um táxi com preço justo para nos levar para Santa Clara.
Santa Clara é uma cidade importante na história cubana, onde Che Guevara decidiu a guerra. Lá está o mausoléu e um museu do Che. Para quem se interessa pela história, vale muito a pena passar o dia e visitar os pontos turísticos.
Além do museu do Che Guevara, tem um monumento da batalha que decidiu a guerra, tudo muito simples, mas vale muito a pena a visita para quem gosta de história. Mais uma vez andamos a cidade toda a pé. Tem bons restaurantes, com preço justo.
O dono da casa onde nos hospedamos organizou com um taxista para nos levar a Cayo Santa Maria e depois nos buscar e deixar na rodoviária.
Nos cayos você não pode simplesmente procurar uma sombra na areia e estender a sua canga. Você é obrigado a pagar um day use em algum hotel. Pegamos muito vento e mar mexido - apesar do clima em dezembro ser ótimo, parece que não é a melhor época para quem quer aproveitar os cayos.
Dormimos uma noite em Havana e, na manhã seguinte, fomos para a nossa última cidade.
Vinhales é, de longe, a cidade que mais gostamos. Uma cidade nas montanhas, onde se produz as folhas do charuto, muitas grutas, um ambiente agradável e o povo mais acolhedor de toda ilha.
Fizemos várias trilhas a pé e de bicicleta, visitamos fazendas de tabaco e aprendemos como se produz o verdadeiro charuto cubano.
![]() |
| Vinhales, Cuba |
Nos hospedamos na casa de uma querida que reservei ainda quando estava no Brasil. A Cary faz de tudo para que você se sinta em casa, o café da manhã é maravilhoso e super farto, o quarto muito limpo e bem cuidado. Tudo simples, mas cheio de carinho. Quando chegamos, ela estava no ponto de ônibus com uma plaquinha nos esperando para nos levar de charrete até a casa dela.
Vou deixar o link do Airbnb.
Tem algumas praias muito bonitas próximo a Vinhales, mas ficou para a próxima. Nessa viagem fomos só o casal, e já estamos nos programando para voltar com as crianças. Aliás, vimos muitas famílias com crianças viajando por toda parte em Cuba.
A viagem foi incrível, e ficou muita coisa para conhecer, mas o tempo era pouco.
Devo confessar, contudo, que não é uma viagem para qualquer um. São muitas questões sociais e econômicas, o país enfrenta uma grande crise, e faltam muitas mercadorias, mesmo para quem pode comprar.
Cuba está se abrindo para a economia, e há quem adore e os que odeiam.
Quem trabalha com turismo tem vantagem, porque tem acesso a dólares e euros.
Tem muita pobreza em Havana, mas, por outro lado, você não vê crianças nas ruas, nem moradores de rua e é um país extremamente seguro.
Para quem gosta de conhecer diferentes culturas, recomendo que vá com o coração e a mente abertos; já para os viajantes “Nutella”, acho que não vale muito a pena, pois existem praias melhores e mais bem estruturadas para quem quer apenas conhecer o mar do Caribe.
Leia mais sobre Cuba aqui.







Comente este Post:
0 comentários: