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Geórgia, Armênia e Azerbaijão: conflitos geopolíticos e história do Cáucaso

Geórgia, Armênia e Azerbaijão: conflitos geopolíticos, história do Cáucaso e a URSS. Naquichevão, Nagorno-Karabakh, Abcásia e Ossétia do Sul.

Geórgia, Armênia e Azerbaijão: conflitos geopolíticos e história do Cáucaso

Geórgia, Armênia e Azerbaijão: conflitos geopolíticos, história do Cáucaso e a União Soviética. Naquichevão, Nagorno-Karabakh, Abcásia e Ossétia do Sul. Cáucaso do Norte e suas repúblicas.

Planejando a nossa próxima viagem, fui REler muita coisa que eu já nem lembrava sobre essa região, e o assunto é tão, tão interessante e TÃO, TÃO complicado de entender que eu achei que valia a pena fazer um resuminho prático dos conflitos geopolíticos e da história recente do Cáucaso, pra ficar registrado aqui no blog e pra te ajudar a entender um pouco mais sobre a Geórgia, a Armênia e o Azerbaijão - para quem planeja um roteiro por lá, é essencial entender a geopolítica daquela área tão interessante do mundo. 

Espero que te ajude nos teus planejamentos! No próximo post, vou explicar direitinho como organizei o nosso roteiro pela região, tendo em conta os conflitos na fronteira entre Armênia e Azerbaijão.

Para ler mais sobre a região:

Rússia
Irã
Turquia

Geórgia, Armênia e Azerbaijão: conflitos geopolíticos e história do Cáucaso
planejar uma viagem pelo Cáucaso exige um estudo prévio dos vistos necessários e das regiões conflituosas para você montar um roteiro livre de perrengues

Cáucaso: Geórgia, Armênia e Azerbaijão

O Cáucaso é uma região localizada entre o Mar Negro e o Mar Cáspio, na divisa entre a Europa e a Ásia, famosa por suas montanhas espetaculares, enorme diversidade cultural e uma história marcada por impérios, guerras e rotas comerciais.

Os 3 principais países independentes da região do Cáucaso, quando se fala em turismo ou geopolítica, são:

  • Geórgia
  • Armênia
  • Azerbaijão

Esses 3 países formam o chamado Cáucaso do Sul (ou Transcaucásia).

Já o Cáucaso do Norte é parte do sul da Rússia, e inclui diversas repúblicas, como:
  • Chechênia
  • Daguestão
  • Inguchétia
  • Ossétia do Norte - Alânia
  • Kabardino - Balkária

A região é extremamente diversa, com dezenas de povos, línguas e religiões, e tem uma história marcada por disputas entre grandes impérios e, mais recentemente, por conflitos territoriais. 

Também é um destino famoso pelas paisagens montanhosas, vinhos (especialmente na Geórgia) e rica herança cultural.

A região é dominada pela imponente Cordilheira do Cáucaso, que abriga alguns dos picos mais altos da Europa, incluindo o Monte Elbrus, o mais alto, com 5.642m de altitude.

👉 Por que o Cáucaso é tão interessante?

Poucas regiões do mundo concentram tanta diversidade em um espaço relativamente pequeno. 

Ali convivem dezenas de povos, línguas e tradições diferentes.

Entre os destaques, você vai ver igrejas e mosteiros medievais, fortalezas históricas, cidades antigas, montanhas nevadas, vinícolas centenárias e culinárias muito diferentes. 

Nos últimos anos, o Cáucaso tornou-se um destino cada vez mais popular para quem busca experiências diferentes das rotas tradicionais da Europa.

A Geórgia é famosa pelas montanhas, pela hospitalidade, pelo vinho e por cidades como Tbilisi.

A Armênia impressiona pelos mosteiros históricos, pela forte tradição cristã e pelas paisagens ao redor do Lago Sevan.

O Azerbaijão combina a arquitetura futurista da capital Baku com fortalezas medievais, vulcões de lama e paisagens semidesérticas.

Para quem gosta de história, natureza, gastronomia e cultura, o Cáucaso é uma das regiões mais fascinantes - e ainda relativamente pouco exploradas - do mundo.

Geórgia, Armênia e Azerbaijão: conflitos geopolíticos e história do Cáucaso

Conflitos geopolíticos no Cáucaso e áreas disputadas - é seguro viajar?

O Cáucaso é uma das regiões geopoliticamente mais complexas do mundo. 

Localizado entre a Europa e a Ásia, ele é disputado por interesses da RússiaTurquiaIrã e União Europeia.

As principais áreas de conflito são:

1. Abcásia (Geórgia)

Internacionalmente, é considerada parte da Geórgia.

Na prática, funciona como um Estado separado desde a guerra dos anos 1990.

A Rússia mantém tropas na região e reconhece sua independência; a maioria dos países, incluindo o Brasil, não a reconhece.

2. Ossétia do Sul (Geórgia)

Também é reconhecida internacionalmente como parte da Geórgia.

Após a guerra entre Rússia e Geórgia em 2008, permaneceu sob forte influência e proteção militar russa.

Sua independência é reconhecida por poucos países.

3. Nagorno-Karabakh (Armênia × Azerbaijão)

É o conflito mais conhecido da região.

Embora internacionalmente reconhecido como parte do Azerbaijão, a região era controlada por armênios durante décadas.

Em 2023, o Azerbaijão retomou o controle militar do território, e praticamente toda a população armênia local deixou a região. Desde então, Nagorno-Karabakh deixou de funcionar como entidade separatista, embora as tensões entre Armênia e Azerbaijão persistam.

Outros pontos sensíveis:

👉 Corredor de Zangezur: o Azerbaijão quer uma ligação terrestre direta com o enclave de Nakhchivan, atravessando o sul da Armênia. A proposta é motivo de forte divergência entre os 2 países.

👉 Fronteira Armênia - Azerbaijão: apesar de avanços nas negociações, a demarcação ainda não está totalmente concluída e ocorrem incidentes esporádicos.

E para quem vai viajar, é seguro?

Geórgia: não tente entrar na Abkházia ou na Ossétia do Sul. O governo georgiano considera a entrada por esses territórios, sem autorização georgiana, uma violação de suas leis.

Armênia e Azerbaijão: atualmente não é permitido cruzar a fronteira terrestre entre os 2 países. O trajeto é feito de avião, passando por conexão em um 3° país, como a Geórgia, por exemplo.

As áreas turísticas de Tbilisi, Kazbegi, Yerevan, Dilijan, Lago Sevan e Baku ficam longe das zonas de conflito e são consideradas seguras para visitantes.

Geórgia, Armênia e Azerbaijão: conflitos geopolíticos e história do Cáucaso

Nakhchivan ou Naquichevão

O Nakhchivan - ou Naquichevão, em português - é uma das regiões mais curiosas do Cáucaso.
Trata-se de uma república autônoma do Azerbaijão, mas completamente separada do restante do país por uma faixa de território da Armênia. Em outras palavras, é um exclave: pertence ao Azerbaijão, mas não faz fronteira terrestre com ele.
O Nakhchivan faz fronteira com:
  • Armênia (leste e norte)
  • Irã (sul)
  • Turquia (uma estreita faixa de apenas 8Km a oeste)
👉 Como Nakhchivan ficou isolada

Até o início do século 20, havia ligações ferroviárias e rodoviárias entre Nakhchivan e o restante do Azerbaijão. Com a dissolução da União Soviética e a guerra entre Armênia e Azerbaijão por Nagorno-Karabakh, essas rotas foram interrompidas.

Desde então, a região depende principalmente de:
  • voos para Baku
  • ligações rodoviárias com a Turquia
  • ligações rodoviárias com o Irã
O Nakhchivan possui um status especial garantido pelos Tratados de Moscou e de Kars, assinados em 1921. Ele integra o Azerbaijão, mas tem Constituição própria, Parlamento próprio e certo grau de autonomia administrativa.

👉 O que visitar em Nakhchivan

Embora receba poucos turistas internacionais, Nakhchivan guarda alguns dos monumentos históricos mais importantes do Azerbaijão:
  • Mausoléu de Momine Khatun - obra-prima da arquitetura islâmica do século 12
  • Fortaleza de Alinja - conhecida como a "Machu Picchu do Azerbaijão", fica no alto de uma montanha e oferece vistas espetaculares
  • Monte Ilandag - montanha associada à lenda da Arca de Noé
  • Túmulo de Noé - segundo a tradição local, o profeta Noé teria sido sepultado ali após o Dilúvio - a ligação entre Nakhchivan e Noé faz parte do imaginário histórico da região, embora não haja comprovação arqueológica
O Nakhchivan desempenha um papel estratégico nas relações entre Armênia, Azerbaijão e Turquia. 

O Azerbaijão quer restabelecer uma ligação terrestre direta com o exclave através do sul da Armênia, proposta frequentemente chamada de Corredor de Zangezur. A ideia, porém, é rejeitada pela Armênia por questões de soberania, tornando esse um dos temas mais delicados da geopolítica do Cáucaso.

👉 Vale a pena visitar o Nakhchivan

Se você pretende conhecer Geórgia, Armênia e Azerbaijão, o Nakhchivan é um destino incrível para quem gosta de história e geopolítica. 

Ainda é pouco explorado pelo turismo internacional, tem um rico patrimônio medieval e paisagens áridas muito diferentes das de Baku. Por outro lado, exige um planejamento específico de transporte e costuma ser visitada apenas por viajantes com mais tempo disponível no Cáucaso.
Nós não tínhamos tempo suficiente para esta empreitada, pois não seria possível ir da Armênia para o Nakhchivan e voltar para a Armênia.
A fronteira entre a Armênia e Nakhchivan permanece totalmente fechada desde o início da década de 1990, devido ao conflito entre a Armênia e o Azerbaijão.

Então não dá pra fazer um roteiro Yerevan → Nakhchivan → Baku OU Baku → Nakhchivan → Yerevan, porque simplesmente não existe posto de fronteira aberto entre a Armênia e Nakhchivan.

Para ir ao Nakhchivan, a melhor opção é vir da Turquia pela fronteira de Dilucu–Sədərək. Depois, você pode voltar para a Turquia e então seguir para a Geórgia e, depois, entrar na Armênia, por exemplo.

Eu tenho grandes planos para um dia fazer isso tudo no meu próprio motorhome - me aguardem!

Geórgia, Armênia e Azerbaijão: conflitos geopolíticos e história do Cáucaso

Nagorno-Karabakh

Nagorno-Karabakh (em armênio, Artsakh) é uma situação bem diferente de Nakhchivan e exige mais atenção, especialmente para turistas.

Até 2023, Nagorno-Karabakh era uma região de população majoritariamente armênia que funcionava como uma república autoproclamada, mas não era reconhecida por nenhum país da ONU, nem mesmo pela Armênia. Do ponto de vista do direito internacional, sempre foi considerada parte do Azerbaijão.

Após a ofensiva militar do Azerbaijão em setembro de 2023, o governo separatista foi dissolvido e praticamente toda a população armênia da região (mais de 100 mil pessoas) fugiu para a Armênia.

Desde então, Nagorno-Karabakh está sob controle integral do Azerbaijão.

👉 É possível visitar Nagorno-Karabakh

Sim, mas as regras são mais complicadas.

Hoje, a única forma legal de visitar a região é entrando pelo Azerbaijão, mediante autorização das autoridades azeris. Entrar pela Armênia não é possível, pois a antiga rota foi fechada.

Antes de 2023, muitos viajantes entravam em Nagorno-Karabakh pela Armênia. O Azerbaijão considerava isso uma entrada ilegal em seu território e mantinha uma lista de pessoas proibidas de entrar no país. Entretanto, houve uma mudança importante: em 2025, o Azerbaijão anunciou que retirou cerca de 96% dos estrangeiros dessa lista, mantendo restrições apenas para casos considerados mais sensíveis, como visitas ligadas a atividades políticas ou violações deliberadas da legislação. Assim, a maioria dos turistas que visitaram a região antes de 2023 já não enfrenta impedimentos automáticos para entrar no Azerbaijão.

👉 Vale a pena incluir no roteiro? 

No momento, eu não recomendaria para uma 1ª viagem ao Cáucaso. 

A região ainda está em reconstrução após décadas de conflito, muitas cidades sofreram grandes danos, algumas áreas permanecem restritas ou em processo de desminagem, e o acesso depende de autorizações específicas. Além disso, a infraestrutura turística ainda é bastante limitada, sem grandes atrações turísticas para visitar - diferentemente do Nakhchivan, que tem atrações interessantes que fazem a viagem valer a pena.
Para um 1º roteiro pelo Cáucaso, achei melhor focar na Geórgia, Armênia e Azerbaijão, e deixar esses lugares mais “complicados” para o futuro.
Esses 3 destinos oferecem uma excelente introdução ao Cáucaso, sem as complexidades logísticas e políticas de Nagorno-Karabakh.

Geórgia, Armênia e Azerbaijão: conflitos geopolíticos e história do Cáucaso

Um pouco de história do Cáucaso

Antes da queda do Império Russo em 1917, o Cáucaso já era uma região disputada havia séculos. A Geórgia, a Armênia e o Azerbaijão tinham histórias bem diferentes.

Até o século 18, a região era disputada principalmente por 3 grandes potências:
  • Império Persa - atual Irã
  • Império Otomano - atual Turquia
  • Reinos e principados locais
A Geórgia era formada por vários reinos cristãos independentes ou semiautônomos.

A Armênia estava dividida entre os impérios Persa e Otomano.

O território do atual Azerbaijão era composto por diversos canatos muçulmanos sob influência persa.

A partir do final do século 18, a Rússia começou a expandir-se para o sul.

Em 1801, o Império Russo anexou o Reino de Kartli-Kakheti - Geórgia Oriental.

Nas décadas seguintes, incorporou o restante da Geórgia.

Após vencer guerras contra a Pérsia (1804–1813 e 1826–1828), a Rússia anexou a atual Armênia Oriental e grande parte do atual Azerbaijão.

Depois de guerras contra o Império Otomano, a Rússia conquistou outras áreas do Cáucaso, ficando a região sob o Império Russo.

No século 19, toda a região passou a integrar o Vice-Reino do Cáucaso, administrado a partir de Tiflis (atual Tbilisi).

Apesar do domínio russo, os georgianos preservaram sua língua e a Igreja Ortodoxa Georgiana; os armênios continuaram ligados à Igreja Apostólica da Armênia; e os azerbaijanos mantiveram sua cultura turcomana e a religião islâmica.

No final do século 19, Baku tornou-se um dos maiores centros produtores de petróleo do mundo. Empresários como os irmãos Nobel (da família que criou o Prêmio Nobel) investiram pesadamente na região. No início do século 20, Baku produzia mais da metade do petróleo mundial.

Em 1917, o Império Russo entrou em colapso com a Revolução Russa. Aproveitando o vazio de poder, Geórgia, Armênia e Azerbaijão declararam independência em 1918.

Essa independência durou pouco. Entre 1920 e 1921, o Exército Vermelho ocupou os 3 países, que acabaram incorporados à União Soviética.

Essa história toda explica muito bem por que o Cáucaso é tão diverso - em poucos Kms você encontra igrejas cristãs antiquíssimas, mesquitas, fortalezas persas, arquitetura russa e cidades marcadas pelo auge do petróleo, resultado de séculos de influência de diferentes impérios.

União Soviética

Geórgia, Armênia e Azerbaijão faziam parte da União Soviética - URSS - entre 1922 e 1991.

A história - muito resumidamente - foi a seguinte:

1918: após a queda do Império Russo, os 3 países declararam independência.

1920-1921: o Exército Vermelho invadiu a região e estabeleceu governos soviéticos.

1922: Geórgia, Armênia e Azerbaijão formaram a República Socialista Federativa Soviética Transcaucasiana, que foi uma das repúblicas fundadoras da União Soviética.

1936: essa federação foi dissolvida, e cada país passou a ser uma República Socialista Soviética separada:
  1. República Socialista Soviética da Geórgia
  2. República Socialista Soviética da Armênia
  3. República Socialista Soviética do Azerbaijão
1991: com o colapso da URSS, os 3 países recuperaram sua independência.

Apesar do passado comum, hoje eles seguem caminhos diferentes:

Geórgia: busca maior integração com a Europa e com a OTAN e tem uma relação difícil com a Rússia.

Armênia: historicamente sempre foi muito próxima da Rússia por questões de segurança, mas nos últimos anos tem buscado diversificar suas relações internacionais.

Azerbaijão: mantém uma política externa independente, apoiada nas suas exportações de petróleo e gás, e tem uma parceria estratégica com a Turquia.

Viajando por esta região, você verá muitos vestígios da época soviética: prédios monumentais, mosaicos, monumentos, antigas fábricas e bairros construídos durante a URSS, especialmente em Tbilisi, Yerevan e Baku. Ao mesmo tempo, cada capital preserva uma identidade nacional muito própria, anterior ao período soviético.

Geórgia, Armênia e Azerbaijão: conflitos geopolíticos e história do Cáucaso

Abcásia

A Abcásia é um dos lugares mais complexos do Cáucaso. 
Localizada na costa leste do Mar Negro, ela é reconhecida internacionalmente como parte da Geórgia, mas, na prática, funciona como um Estado independente desde a guerra de 1992-1993, com apoio político, econômico e militar da Rússia.
A capital é Sukhumi, uma cidade costeira que já foi um famoso balneário da União Soviética. 

Hoje, porém, muitas construções ainda exibem marcas da guerra, convivendo com praias, calçadões à beira-mar e uma atmosfera tranquila.

Historicamente, a Abcásia foi habitada pelos abcásios, um povo de origem caucasiana, além de georgianos, armênios, gregos e russos.

Durante o período soviético, a região integrou a República Socialista Soviética da Geórgia como uma república autônoma. 

Com o colapso da União Soviética, cresceram as tensões entre georgianos e abcásios, culminando na Guerra da Abcásia (1992-1993).

Após a vitória das forças separatistas, a maior parte da população georgiana foi expulsa da região, num episódio amplamente descrito como limpeza étnica por organismos internacionais.

Em 2008, durante a guerra entre Rússia e Geórgia, a Rússia reconheceu oficialmente a independência da Abcásia. 

Atualmente, apenas um pequeno número de países faz o mesmo - a grande maioria da comunidade internacional continua considerando a Abcásia parte integrante da Geórgia, assim como o Brasil, que não reconhece a independência da Abcásia. 

Na prática, a Abcásia possui governo próprio, parlamento, moeda em circulação (o rublo russo), postos de fronteira e forças de segurança próprias.

Entretanto, depende fortemente da Rússia em termos econômicos, militares e diplomáticos.

Apesar de pouco conhecida, a Abcásia possui belas atrações naturais:
  • Lago Ritsa, um lago alpino cercado por montanhas
  • Mosteiro de Nova Athos, um dos mais importantes mosteiros ortodoxos do Cáucaso
  • Caverna de Nova Athos, uma das maiores cavernas da Europa
  • o calçadão e o Jardim Botânico de Sukhumi
  • praias do Mar Negro
A natureza é um dos grandes atrativos da região.

👉 A maioria dos turistas entra pela Rússia, cruzando a fronteira próxima à cidade russa de Adler (perto de Sochi).

Também existe um ponto de passagem administrado pela Geórgia, mas o governo georgiano considera a entrada pela Rússia uma entrada ilegal em território georgiano.
Se você entrar na Abcásia pela Rússia, a Geórgia poderá considerar que você entrou ilegalmente em seu território, pois, do ponto de vista georgiano, aquela é uma fronteira interna, não internacional.
Por isso, a maioria dos viajantes que visitam a Geórgia optam por não visitar a Abcásia, evitando complicações jurídicas e migratórias.

Além das questões políticas e legais, a logística é complicada, há poucas ligações de transporte e o risco de criar dificuldades para futuras entradas na Geórgia não compensa em uma 1ª viagem ao Cáucaso.

A Abcásia é um dos chamados "Estados de reconhecimento limitado", assim como a Ossétia do Sul, a Transnístria (Moldávia) e a República Turca do Norte de Chipre - esses territórios exercem controle sobre o seu próprio governo e administração, mas são reconhecidos por poucos países e continuam sendo considerados, pela maior parte da comunidade internacional, parte de outros Estados soberanos.

Geórgia, Armênia e Azerbaijão: conflitos geopolíticos e história do Cáucaso

Ossétia do Sul

A Ossétia do Sul é, ao lado da Abcásia, um dos principais territórios disputados do Cáucaso. 
A comunidade internacional considera a região parte da Geórgia, mas, na prática, ela é controlada por um governo separatista com forte apoio da Rússia.
A capital é Tskhinvali, localizada cerca de 100Km ao norte de Tbilisi, do outro lado da Cordilheira do Grande Cáucaso.

Os ossetas são um povo bem peculiar no Cáucaso - diferentemente da maioria dos povos da região, eles falam uma língua iraniana, aparentada de longe com o persa moderno. São descendentes dos alanos, um povo nômade que dominou as estepes do sul da Rússia na Antiguidade e na Idade Média.

Hoje eles estão divididos entre:
  • Ossétia do Norte - Alânia, que faz parte da Rússia (veja mais abaixo)
  • Ossétia do Sul, cuja soberania é disputada entre Geórgia e Rússia
A maioria dos ossetas é cristã ortodoxa, mas tradições religiosas ancestrais ainda são preservadas.

Durante a União Soviética, a Ossétia do Sul era uma região autônoma dentro da República Socialista Soviética da Geórgia.

Com o fim da URSS, no início da década de 1990, muitos ossetas passaram a defender a independência ou a união com a Ossétia do Norte (Rússia), o que levou a confrontos armados entre forças georgianas e separatistas.

O conflito mais conhecido ocorreu em agosto de 2008: depois de dias de combates, a Rússia interveio militarmente contra a Geórgia e rapidamente derrotou as forças georgianas. Depois da guerra, Moscou reconheceu oficialmente a independência da Ossétia do Sul e passou a manter tropas permanentes na região.

Atualmente, apenas um pequeno número de países reconhece a Ossétia do Sul como um Estado independente. Para a ONU e para a maioria dos países do mundo, ela continua sendo parte da Geórgia.

Na prática, a Ossétia do Sul possui governo próprio, parlamento, forças de segurança, uso do rublo russo como moeda e forte presença militar russa.

A sua economia depende quase que totalmente do apoio financeiro da Rússia.
É muito difícil visitar a Ossétia do Sul como turista - a entrada costuma ocorrer pela Rússia, mediante autorizações específicas das autoridades locais e russas. O acesso a partir da Geórgia é extremamente restrito e controlado.
Além disso, a Geórgia considera a entrada pela Rússia uma entrada ilegal em território georgiano, o que pode gerar problemas migratórios e jurídicos em futuras visitas ao país.

Turisticamente falando, a Ossétia do Sul tem paisagens montanhosas lindas, aldeias tradicionais e antigos mosteiros - mas a infraestrutura turística é muito limitada e diversas áreas ainda apresentam marcas dos conflitos armados.

Por isso, a Ossétia do Sul praticamente não recebe turismo internacional.

👉 Além da logística complicada, a visita à região pode dificultar futuras entradas na Geórgia, se for feita pela Rússia. 

Além desses pontos negativos, também tem que considerar que os principais atrativos naturais e culturais do Cáucaso podem ser vistos sem entrar em territórios disputados, como em Kazbegi, Svaneti, Kakheti, Dilijan, Lago Sevan e Gobustão.

E mais uma curiosidade: a Abcásia e a Ossétia do Sul são frequentemente comparadas, mas há uma diferença importante: a Abcásia tem uma faixa costeira no Mar Negro, um passado como balneário soviético e uma identidade histórica própria bem consolidada; já a Ossétia do Sul é uma pequena região montanhosa cuja população tem fortes laços étnicos e culturais com a Ossétia do Norte, na Rússia. 

Por isso, muitos dos seus habitantes defendem não apenas a independência, mas também a unificação com a Ossétia do Norte, formando uma única entidade osseta. 

Essa proposta, porém, não é reconhecida pela comunidade internacional e permanece um dos temas mais sensíveis da geopolítica do Cáucaso.

Cáucaso do Norte e suas repúblicas

O Cáucaso do Norte é a parte da Cordilheira do Cáucaso que pertence à Rússia. 

É uma das regiões mais diversas do planeta em termos étnicos, linguísticos e religiosos, com dezenas de povos diferentes vivendo em uma área relativamente pequena.

As 5 principais repúblicas do Cáucaso do Norte são:
  • Chechênia
  • Daguestão
  • Inguchétia
  • Ossétia do Norte - Alânia
  • Kabardino - Balkária
Geórgia, Armênia e Azerbaijão: conflitos geopolíticos e história do Cáucaso

Chechênia

👉 Capital: Grozny

A Chechênia é provavelmente a mais conhecida das repúblicas do Cáucaso, devido às 2 guerras travadas contra a Rússia após o fim da União Soviética (entre 1994-1996 e 1999-2009). 

Hoje é governada por Ramzan Kadyrov, aliado do presidente russo Vladimir Putin.

A população é majoritariamente chechena e segue o islamismo sunita. 

Apesar do passado recente de conflitos, Grozny foi amplamente reconstruída e hoje exibe arranha-céus modernos e uma das maiores mesquitas da Europa: a Mesquita Coração da Chechênia.

Daguestão

👉 Capital: Makhachkala

O Daguestão é a república mais diversa da Rússia. Existem mais de 30 grupos étnicos nativos e dezenas de idiomas diferentes.

Seu nome significa literalmente Terra das Montanhas - "dag" = montanha; "stan" = terra.

É uma região de paisagens espetaculares, com cânions, vilarejos medievais e antigas fortalezas. Um dos locais mais famosos é a cidadela de Naryn-Kala, na cidade de Derbent, considerada uma das cidades continuamente habitadas mais antigas do mundo.

Inguchétia

👉 Capital: Magas

É a menor república da Federação Russa em área.

Os inguches são parentes próximos dos chechenos e falam um idioma muito semelhante.

A região é famosa por suas torres medievais de pedra construídas nas montanhas, que serviam como fortalezas e residências familiares há vários séculos.

Ossétia do Norte - Alânia

👉 Capital: Vladikavkaz

Os ossetas são um povo bastante peculiar: descendem dos antigos alanos, um povo iraniano que viveu nas estepes da Eurásia.

Diferentemente da maioria das demais repúblicas do Cáucaso do Norte, a população é predominantemente cristã ortodoxa.

A república também é conhecida pelo triste episódio do massacre da escola de Beslan, em 2004, um dos atentados terroristas mais graves da história da Rússia.

Kabardino - Balkária

👉 Capital: Nalchik

Esta república abriga o Monte Elbrus, com 5.642m de altitude, o ponto mais alto da Rússia e de toda a Europa, segundo a definição geográfica que considera a Cordilheira do Cáucaso como a fronteira entre Europa e Ásia.

A população é composta principalmente pelos kabardinos (circassianos) e pelos bálcaros, um povo de origem túrquica.

É um dos principais destinos russos para montanhismo, trekking e esportes de inverno.

Outras repúblicas do Cáucaso do Norte

Além das que já citei acima, também fazem parte do Cáucaso do Norte:
  • Carachai-Circássia
  • Território de Stavropol (não é uma república, mas integra a região administrativa)
👉 Vale a pena visitar?

Do ponto de vista turístico, o Cáucaso do Norte ainda recebe poucos visitantes estrangeiros, principalmente devido às exigências de visto russo e às recomendações negativas de viagem emitidas por diversos países para algumas áreas. 

No entanto, a região oferece um patrimônio cultural extraordinário, paisagens alpinas impressionantes e uma diversidade étnica difícil de encontrar em outros lugares do mundo.

Mas, para a maioria dos viajantes que visitam o Cáucaso pela 1ª vez, o foco costuma ser o Cáucaso do Sul - Geórgia, Armênia e Azerbaijão - que é mais acessível, possui melhor infraestrutura turística e reúne grande parte dos mosteiros, cidades históricas e paisagens mais conhecidas da região.

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Claudia Rodrigues Pegoraro

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