21 de setembro de 2013

Parque Nacional Terra do Fogo, passeio de moto de neve, Cerro Castor, restaurantes e mais em Ushuaia

Dia 3

Resolvemos alugar um carro para conhecer o Parque Nacional Tierra del Fuego, para ter mais tempo e liberdade. Com o Lipe não é muito legal ficar presos aos horários e roteiros de uma excursão.

Eu não gosto de excursões porque sempre se perde tempo com bobagens, esperando retardatários que não cumprem os horários, e nunca temos tempo suficiente para ver (e fotografar) as coisas com calma. Com o pequeno viajante junto, gosto menos ainda.



"Las Malvinas son Argentinas"

as máquinas ficam limpando as estradas o tempo todo

Além disso, é bom lembrar que as excursões ao Parque Nacional (passeios guiados) custam 270 pesos por pessoa, enquanto que o aluguel de um carro custa 530 pesos, ou seja, sendo duas pessoas o aluguel de automóvel já compensa e nos dá nossa preciosa liberdade (e tempo).

Além disso, por ser zona petrolífera, no sul da Argentina a gasolina é dada de barata! A única desvantagem é que a gente perde de ouvir o que o guia da excursão contaria sobre o local (mas ainda assim prefiro a autonomia de um carro alugado)...



nós fomos lá conhecer a estação ferroviária do "tren del fin del mundo", 
mas não deu vontade de fazer o passeio 
(achei que seria meio chato para o Felipe...)


Os aluguéis de carro aqui são caros e difíceis. Liguei da pousada para 3 locadoras e apenas uma delas, a Localiza, tinha um Corsa disponível, por carérrimos 530 pesos/dia.

Atenção: cuide se o carro tem "cravos" nos pneus, é difícil andar pela Patagônia no inverno sem eles. Na verdade, o bom é que tenha "cravos" nos 4 pneus e mais correntes no porta-malas, para usar em caso de emergência!

Pegamos nosso Corsinha na Localiza e partimos em direção ao Parque Nacional. Nevava demais, aliás, começou a nevar na noite anterior, quando chegamos em Ushuaia, e não parou mais!


entrada do Parque Nacional

O Parque Nacional Tierra del Fuego fica em direção ao Chile, a oeste (à esquerda de quem olha o mapa), a gente anda lá dentro pela Ruta Nacional 3 - aliás, é lá que a RN3 termina, dentro do parque, na fronteira com o Chile! Os argentinos dizem que é a estrada mais austral do continente americano, mas com certeza os chilenos devem ter algo diferente a dizer!!!

Para o lado oposto, à direita de quem olha o mapa (leste), estão os "centros invernales", lugares onde você pode fazer os passeios de trenó com cachorros, andar em motos de neve, cross country ski, esquiar, caminhar com "raquetas" de neve, enfim, qualquer coisa que tenha a ver com neve! 

mapa de Ushuaia

Os centros invernales ficam entre 17 e 26km do centro de Ushuaia e são vários (Tierra Mayor, Nunatak, Altos del Valle, Cerro Castor...). Se você paga o transfer de 100 pesos (ida e volta) desde o centro da cidade até qualquer um deles, pode pegar um transporte gratuito entre eles e conhecer todos! É uma boa pedida, e nós fizemos isso num outro dia (conto mais adiante). 

Se continuar por essa estrada, após passar pelos "centros invernales", você estará indo para as cidades ao norte.

Mas nós seguimos para o sul, em direção ao parque, que fica a 13km do centro da cidade. Outra vantagem de vir no inverno: nessa época, a entrada é gratuita.




Na portaria, o "guarda parques" nos mencionou apenas 2 "precauciones": dirigir com muito cuidado e não alimentar os "zorros". Ah, e uma terceira: se tivéssemos problemas, não adiantava chamá-lo que ele não poderia nos ajudar kkkkkk...

Os "zorros" são uma mistura de cachorro com raposa, parecem huskies siberianos amarelados, muito lindos...mas mordem! Cuidado!! Vimos vários deles andando pelo parque, na beira da estrada...


Da portaria do parque até o final da RN3 são 24km, e foi esse o trajeto que fizemos, por 2 motivos: devido à nevasca que caía, era a única estrada que estava aberta (onde as máquinas haviam passado), e também porque este caminho é o mais "turístico", passando pela Laguna Negra, Castorera e indo até a Baía Lapataia, onde a estrada do fim do mundo termina.

Além desta estrada principal, existem várias outras secundárias, e muitas trilhas, que em outras épocas do ano devem ser a glória dos caminhantes, mas no inverno está tudo interditado, atolado de neve!




O Parque Nacional Tierra del Fuego que nós conhecemos é muito diferente daquele que a maioria das pessoas (que vêm no verão) conhecem: todo branquinho! O Felipe se divertiu muito: andávamos um pouco e parávamos um pouco, pra ele brincar na neve!!! Pelo que eu vi por enquanto, a única vantagem de vir no verão, no meu entender, é ver os pinguins...vir pra Terra do Fogo e não ver esse cenário branquinho?!? Alguém aí explica qual é a graça? Deve ser as cores lindas do parque no verão...

Pelo que eu concluí, a melhor maneira de ir com crianças é com veículo próprio. Em segundo lugar, com um passeio guiado. Acho que deve ser muito ruim ir com crianças com o que eles chamam de transfer, que é um ônibus que te deixa lá e vai te buscar num horário predeterminado, porque as caminhadas entre uma e outra atrações são muito longas para se fazer com crianças.



Se você tem sua própria condução, você estaciona o carro e caminha 5min até a Castorera (bosque destruído pelos castores trazidos - por burrice - para a Terra do Fogo); depois anda mais uns kms de carro, estaciona e caminha 5min até a Baía Lapataia - fica tudo muito prático e fácil.


começo da trilha (bem curtinha!) que vai até a Castorera


Mesmo com toda a neve que caía desde a noite anterior, a estrada estava super boa.

4hs é tempo mais do que suficiente para ver estas atrações principais do parque se você estiver com o seu próprio meio de transporte, sem depender (da lentidão) dos outros.

 Castorera no Parque Nacional Tierra del Fuego



Baía Lapataia: fim da Ruta Nacional 3


o parque é bem sinalizado e acessível - inclusive tem trilhas, como esta, que vai até os mirantes da Baía Lapataia, para cadeirantes (teoricamente, pelo menos!) 

Saímos de lá e fomos para o lado oposto da cidade, até o Centro Invernal Tierra Mayor, abaixo de muita neve. O Tierra Mayor tem passeios de moto de neve, cross country, raquetas, dogsled e até aqueles "tratores" de andar na neve, como definiu o Lipe (veículos com esteira). Também tem um ótimo restaurante. Além disso, tem combinações dessas atividades e um passeio noturno famoso chamado "Hielo & Fuego" que é super bem recomendado.


Queríamos fazer o passeio de trenó com os cachorros, mas estava nevando demais, e ia ser super desconfortável, então decidimos ir com a moto de neve (em que a gente usa capacete e não pega neve no rosto), e foi super divertido! O Lipe curtiu muito!!! E dá tranquilo para ir um casal com uma criança de 4 anos numa moto só, e o preço é por moto (320 pesos), e não por pessoa!


passeio de trenó com os huskies

4X4 com "orrugas"


Depois voltamos para a cidade e passeamos muito de carro, fomos até o outro lado da Baía Encerrada ver a vista, vimos o Memorial das Malvinas, os prédios históricos, os museus, igrejas...e ainda fomos nas lojas Scandinavian e Montagne!

fomos conhecer os prédios históricos no centro da cidade...

do outro lado da Baía Encerrada as vistas são de cartão postal...

Memorial das Malvinas



Jantamos no Maria Lola Restó, com ótima vista e comida idem: lomo Sureño e massa com frutos do mar. Tri recomendável!!

Aluguel de carro na Localiza: 530 pesos/dia
Gasolina: 5,42 litro (andamos 144km em um dia e gastamos 80 pesos! Muito barato!)
Passeio em moto de neve: 320 pesos (por moto)
Entrada no Parque Nacional Tierra del Fuego: grátis, no inverno
Janta no Maria Lola Restó: 300 pesos
www.marialolaresto.com.ar

massa com frutos do mar no Maria Lola Restó: deu água na boca só de lembrar!!!


Dia 4



Fomos passar o dia no Cerro Castor, com o transfer que a pousada nos recomendou, Dom Alejo. Todas as empresas que fazem esse transfer cobram o mesmo preço (100 pesos ida e volta) e têm mais ou menos os mesmos horários: ida às 9, 10 e 11hs e volta às 15 ou 17h30min. Foi o que me informaram, e acredito que o preço seja tabelado mesmo, o que talvez possa variar um pouco são os horários. A van é super confortável e o caminho até o Cerro Castor é bem bonito - ele fica a 27km da cidade.


ajudando o papai a tirar a neve do carro (pura diversão!!!)

Entregamos o carro na Localiza e a van nos pegou lá (eles te buscam e te deixam onde você pedir) às 10 horas. Voltamos na van das 17h30min. O preço do transfer é o mesmo se você descer no primeiro centro invernal ou no último (não tem desconto para quem faz o trajeto mais curto) - normalmente a última parada é no Cerro Castor. Se você quer ir até o Haruwen, que é o único que fica depois do Castor, tem que confirmar com o motorista da van se ele vai até lá.

Outra ótima opção é usar o transporte gratuito que os centros invernales oferecem. Existem ônibus que transitam entre os centros e passam de hora em hora em cada um deles, de graça! Eles distribuem um panfleto com os horários que os buses chegam e saem de cada centro, então é super fácil de se organizar e passar o dia todo passeando, se divertindo e conhecendo cada um deles! 

Dá para pegar o transfer do seu hotel (100 pesos) até o Cerro Castor e de lá ir voltando pingando de centro em centro - num você faz esqui-bunda, no outro faz o passeio de trenó com cachorros, no outro anda de snowcat, e assim se vai o dia!


prédios da base do Cerro Castor

O Cerro Castor é menor do que eu imaginava. Para quem conhece o Cerro Bayo, em Villa La Angostura, tem um pouco mais de infra. Menos infra que Chapelco, pelo que eu vi. São poucos prédios na base, com poucas lojas e 3 opções de lugares para comer: uma lancheria/bar, um restaurante mais arrumadinho e um mais chique (e caro) com pratos de cordero.

Na montanha tem outros restaurantes, mas só sobe quem está de esquis, e a comida é básica e cara, segundo o Peg.



Eu não esquiei, porque fiquei apenas na base, ensinando os primeiros passos pro Lipe, mas o Peg fez snowboard e gostou. Claro que não se compara com o tamanho do Catedral em Bariloche, mas tem uns fora de pista divertidos. Um comentário que eu ouvi de várias pessoas lá (muitos brasileiros!!!!) é que as pistas onde as equipes europeias treinam ficam destruídas, puro gelo, com uns buracões (quem olha a montanha de frente vê os sulcos azuis que eles deixam nas pistas, pena que a minha snapshot não tem zoom pra essa foto...).

Um parêntesis: vimos dezenas de atletas olímpicos europeus no Cerro Castor (e no centro da cidade, nas lojas e nos restaurantes também!), porque as seleções da França, Eslováquia, Suíça, Finlândia...vêm todas treinar aqui, que não tem muita altitude (como em Valle Nevado, por exemplo), as condições da neve são boas (parecidas com as deles), as pistas também, a temporada vai de junho a setembro e imagino que o governo argentino deva ter algum tipo de acordo de subsídio...

atletas olímpicos europeus


Nevou muito o dia todo, e uma ventania impressionante. Quando batia forte o vento dava whiteout, branqueava tudo! O Peg disse que viu um cara de snowboard num fora de pista atolado até o peito na neve kkkk...

Eu comprei óculos de neve pro Felipe - dos baratinhos, já que logo deixa de servir (145 pesos) e aluguei esquis e botas para ele (115 pesos/dia), enquanto o Peg subia (reclamando que os meios de elevação estavam quase todos fechados devido à nevasca), e fomos nos divertir nos pequenos declives ali da base - dizem que 4 anos é a idade ideal para começar a aprender.

esquis de aluguel

os primeiros passos do pequeno esquiador da família


Nesse ponto, achei o Cerro Castor fraco para principiantes. Não tem um snow kids na base, então quem quer aprender tem que calçar os esquis, pagar o passe de um dia e subir montanha acima de teleférico. Isso é ok para quem tem uma mínima noção, sabe parar de pé, desembarcar do teleférico esquiando e tal. Para quem nunca calçou esquis antes, é tombo certo, e até arriscado.

Até hoje lembro da minha primeira experiência com esquis, aos 17 anos, em Connecticut: o inconsequente do George me levou pro summit (ponto mais alto da montanha) e desci Wachusset Mountain de bunda!

Para quem não sabe nem descalçar os esquis, mesmo em escolinha é muito difícil desembarcar das cadeirinhas esquiando!



estreando a filmadora nova (Go Pro Hero 3)!



Além disso, tem o fator preço: quem quer apenas brincar na neve, ou ensinar uma criança (meu caso) não quer ter que pagar o passe de dia inteiro, que dá direito a todos os meios de elevação, para ficar só na zona verde, que é o playground da montanha, entende?

Por isso, é muito bom quando os centros de esqui têm snow kids na base, porque daí você paga só uma taxa baratinha para a criança ficar ali usando os lifts de roldana e o adulto pode ficar ali ensinando a criança de graça! Nesse ponto o Glaciar Martial é ótimo!

Para adultos, o Cerro Castor tem bastante pistas pretas e algumas azuis e vermelhas (as minhas!). A grande vantagem é que não tem filas nos teleféricos como no Catedral (Bariloche é muvucado demais!), a temporada é longa e a neve é certa!

Quem eu vi lá foi o André Espínola, esquiador e comentarista de esportes de inverno do Sport TV. Parece que vai ter um campeonato importante em Ushuaia ano que vem (esses campeonatos normalmente acontecem no hemisfério norte no nosso verão).

Cerro Castor visto do teleférico

O Lipe não teve muita paciência para aprender, e o tempo tava ruim demais para ele, com rajadas de vento e muita neve na carinha! Acabou tão, mas tãooooo cansado, que enquanto eu tirava as botas dele, dormiu sentado na cadeira kkkk...

o pequeno esquiador gostou mesmo foi de fazer bonecos de neve!



De noite, fomos jantar no Tante Sara, restaurante que fica na San Martin (rua principal), pertinho das lojas mais legais. A comida estava óoooootima: o Peg pediu uma salada de carne (bem coisa de argentino, até a salada é de carne!) e eu fui de tex mex - quesadillas de verduras.

Todos os restaurantes que nós fomos tinham comida ótima, e todos eram arrumadinhos mas simples - tipo, dá pra ir de abrigão em qualquer um deles sem se sentir mal.



Aliás, não se vê ninguém muito chique por aqui - todo mundo anda bem agasalhado, com roupas apropriadas não só pro frio, mas também para vento, chuva e neve! Isso significa que aquele seu casaco de pele, além de daninho para o meio ambiente, não vai funcionar aqui, viu?!?

Sobre compras, só o que tem para comprar são chocolates, souvenirs e roupas de alto inverno. Claro que tem os free shops também, mas eu nem entrei, e pelo que ouvi por aí, os preços não são muito bons não...

Também vale dizer que, além dos free shops, quem quiser torrar dinheiro pode ir num dos cassinos - eu vi 2, um na San Martin e outro (que é uma excrescência horrorosa) de frente pro Canal de Beagle, na frente do Memorial das Malvinas.

Transfer para o Cerro Castor: 100 pesos ida e volta por pessoa (Felipe free)
Lifts Cerro Castor: ver no site, pois os preços mudam a cada temporada (Felipe free - até 4 anos)
Aluguel de esquis para crianças: 115 pesos/dia
Refri lata no Cerro Castor: 22 pesos
Garrafa de vinho no Cerro Castor: 60 pesos
Óculos para neve tamanho infantil: 145 pesos
Kinder Ovo no Cerro Castor: 15 pesos
Pancho (cachorro quente) no Cerro Castor: 25 pesos
Janta no Tante Sara com salada de carne e quesadilla: 240


Quer passear de moto de neve com o pequeno viajante?  

Veja este videoclipe, aqui ou no nosso canal no YouTubeaqui - não esqueça de selecionar a opção para assistir em HD, alta definição! 



Nos próximos posts, mais sobre a nossa viagem pela Patagônia - fique ligado!

Cotações (no momento da nossa viagem): 

R$ 1 = AR$ 3,47 / U$ 1 = R$ 2,42 / U$ 1 = AR$ 8,40 

Na Argentina:



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Para ler mais, todas as nossas postagens sobre a Patagônia estão organizadas aqui



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