6 de novembro de 2011

nossos guias de viagem - Bíblias de bordo (ou "planejamento vs improviso")

A curiosidade mais frequente das pessoas com relação às nossas viagens é sempre sobre o "jeito" que a gente viaja. Ou ficam impressionados, nos achando meio loucos, ou simplesmente não acreditam, pensam que estamos exagerando. A verdade é que a gente realmente viaja sem muito planejamento. 

Opssss, não é bem assim. Na verdade, cada viagem que a gente faz é planejada durante anos, sonhada, desejada, estudada...mas isso não quer dizer que a gente precise reservar cada hotel e meio de transporte com antecedência.


Nós temos verdadeiro horror de fazer reservas com muita antecipação. Claro, a gente compra as passagens aéreas com a maior antecedência possível, para pagar menos, faz seguro de saúde, organiza os vistos, essas coisas óbvias. Mas é só. Ultimamente, viajando com o Lipe, a gente tem tentado reservar os hotéis pelo menos no dia anterior à nossa chegada em cada cidade, porque descobrimos que é muito ruim chegar em um lugar, depois de uma viagem supercansativa, e ainda ficar procurando um lugar para dormir com ele. A gente sempre fez isso, nunca fazíamos reservas antecipadamente, mas com o Lipe não dá mais, é muita judiaria - acabávamos sempre ficando no primeiro lugar que aparecia, mesmo sendo ruim ou caro, só de preguiça e de peninha dele.

Daí as pessoas perguntam: "mas então como é que vocês fazem, chegam no lugar e...?" Ora, elementar, meus caros viajantes: nos abraçamos nos nossos guias de viagem, de preferência Lonely Planet, Let´s Go ou Rough Guide (nada de Frommer´s, que é para gente rica hehehehe).

Nesses guias, que são quase sempre em inglês, a gente acha TUDO o que pecisa: dicas de hotéis, restaurantes, passeios, meios de transporte - o que mais precisa???? Tem lá!
As minhas amigas comentam: "ah, mas eu gosto que tenha alguém me esperando no aeroporto, que me leve até o hotel e para fazer os passeios". Olha, claro que eu não sou louca de dizer que não gostamos disso também, mas, em primeiro lugar, isso custa caro; em segundo lugar, limita a nossa liberdade, a interação com os locais, aquele sentimento de "fazer parte" e não ser mais um "turista"; e, em terceiro lugar, demanda planejamento, que é difícil de se fazer em uma verdadeira viagem. 

Mas porque é difícil? 

Primeiro, porque isso que eu descrevi acima, para nós, é "férias", não é "viagem", se é que vocês entendem a diferença...nós também gostamos de resorts, pacotes, enfim - mas isso não é "viagem", é "férias"! Viagem é se perder, é pegar ônibus mequetrefe, é comer em banquinha de rua, é ficar hospedado em casas de famílias, é mudar de idéia no meio do caminho - se não tem improviso, para nós não é "viagem", mas sim "férias". Captou a diferença?
Então, numas "férias" é fácil planejar tudo (e também meio sem graça, a meu ver...); mas numa "viagem" é simplesmente impossível, porque deixaria de ser uma "viagem" e se tornaria umas "férias". Mas não é só pela incompatibilidade lógica que é difícil planejar uma viagem, mas também pela própria inviabilidade prática. Como poderíamos planejar cada dia de uma viagem de 5 meses? Para começar, não daria para comprar as passagens (de ônibus, trem, barco, riquixá, elefante, etc); sem as passagens compradas, a gente nunca sabe quando vai chegar em uma determinada cidade, e aí, como reservar os hotéis??? Impossível... 

Ahhh, mas isso porque era uma viagem longa, mas e as viagens curtas? Nas curtas, sempre existe a possibilidade de, no meio do caminho, a gente decidir mudar completamente os planos e ir para um lugar totalmente diferente. Já aconteceu de estarmos bem acomodados em um ônibus na Bolívia e pedirmos para o motorista parar no meio do nada porque havíamos mudado os planos e queríamos ir para o Chile (jamais havíamos cogitado de ir para o Chile naquela viagem, mas, conversando com outros viajantes, e ouvindo falarem das maravilhas do Salar de Uyuni, não resistimos...). O que faríamos se tivéssemos tudo reservado?

Com o pequeno viajante, diferentemente do que as pessoas costumam pensar, essa flexibilidade ficou ainda mais importante. Tínhamos a tranquilidade de sempre saber que, a qualquer momento, se ele não estivesse desfrutando da viagem, poderíamos, em qualquer lugar, pegar um vôo de volta a Lisboa e, de lá, para casa. E era muito bom saber disso, porque efetivamente pensamos em fazer isso várias vezes, heheheheh...
Outro ponto positivo do improviso é que, se estávamos cansados, podíamos ficar uns dias a mais, descansando, sem stress, sem roteiro preorganizado, sem aquela sensação de estar "perdendo" alguma coisa; se nos apaixonávamos por um lugar, ficávamos mais uns dias, para curtir; se começava a chover muito, íamos embora; se a previsão do tempo era ruim em um lugar, íamos primeiro para outro; se não tinha passagem de trem para Tomsk, seguíamos para Novosibirsk, sem problemas.

Converso com pessoas que têm medo de viajar assim, até pelo Brasil (é incrível!), e eu não consigo entender o porquê! No mundo inteiro milhares de pessoas viajam assim. É sério, isso não é privilégio (ou insanidade) nossa: em cada viagem a gente encontra centenas de gringos viajando exatamente desse jeito, às vezes com 3 ou 4 filhos atrás. Tá certo, sem falar inglês dificulta bastante, mas para quem fala inglês é tudo uma grande aventura, basta disposição e bom humor, além de uma carteirinha da FUNAI plastificada para segurar os perrengues - e um bom guia de viagem!

Nesta última viagem, essas foram as nossas "Bíblias" (claro que a gente faz muita coisa exatamente ao contrário do que sugere a "Bíblia" - ela serve mais para os momentos de desespero, como qualquer Bíblia, hihihihihi...):  


É claro que não tinha como a gente carregar nas mochilas todos eles, então acabamos levando apenas os que usaríamos por mais tempo: Ferrovia Transiberiana (que inclui guias das cidades de São Petesburgo e Moscou, além de Ulaan Baatar e Beijing), Malásia, Cingapura & Brunei (que eram lugares totalmente novos para nós) e Sudeste Asiático (que cobre Tailândia, Laos, Mianmar, Indonésia,...). Dos outros, fotocopiamos apenas as partes (países ou cidades) que nos interessavam e deixamos os originais em casa, na prateleira.


Agora, já estamos "planejando" a próxima "viagem", o que não significa que a gente esteja pensando em fazer qualquer reserva, além da compra da passagem aérea. Planejar, para nós, é ler, sonhar, ver filmes, documentários, pesquisar. Reservar hotel, fazer passeios e achar lugares legais para comer a gente deixa para fazer quando estiver lá!




4 comentários:

  1. Eu já tinha lido esse post quando o publicaste. Reli agora. Tudo verdade! Eu e a Fran, dia desses, classificamos como 'o jeito claudia rodrigues de viajar' kkkkk

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    1. Adorei, Andrea! Bato tanto nessa tecla porque sei que, depois que vocês experimentarem, vão adorar viajar assim!

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  2. Estou começando a querer me enquadrar nesse "jeito Claudia Rodrigues de viajar"...acho que vou gostar rsrsrsrs

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