28 de dezembro de 2010

da série "vá logo antes que acabe"

Frequentemente a gente ouve falar de lugares que têm de ser visitados em seguida, porque logo, logo desaparecerão. É assim com Veneza, as ilhas Maldivas, Tuvalu, o Monte Kilimanjaro, Bagdad...

Para encerrar uma série de posts sobre a nossa mais recente viagem a Fernando de Noronha, eu tinha que falar sobre isso. 

Detesto ser desmancha-prazeres, mas...vá logo!!! 

É sério, é óbvio que o arquipélago não vai ser destruído por nenhum terremoto ou engolido por um tsunami, mas a ilha com certeza não está dando conta do turismo de massa, apesar dos melhores esforços dos nativos e até das autoridades competentes. 

Nunca estive num lugar tão controlado. Tem que pagar a taxa de permanência (TPA), eles distribuem saquinhos de lixo, determinados lugares são simplesmente inacessíveis, a pesca é totalmente regulada, barcos e automóveis pagam impostos caríssimos, alguns pontos da ilha (como a Praia do Atalaia) só podem ser visitados se você estiver acompanhado de um guia autorizado pelo ICMBio...enfim, não é que os órgãos ambientais não estejam fazendo um bom trabalho. 

Estão, aparentemente, apesar das reclamações que a gente ouve dos nativos. 

Acho que o problema maior são os turistas mesmo. 

Sempre tem um retardado que insiste em "esquecer" uma bagana de cigarro na praia, um idiota que passa protetor solar antes de mergulhar numa piscininha natural que é praticamente um aquário, deixando toda aquela gordura boiando na água, ou um imbecil que joga um pedaço de plástico no mar (eu pessoalmente recolhi um pedação enorme), arriscando que uma tartaruga o engula e sufoque até a morte!

Nós tínhamos visitado a ilha em 2002 e pode até ser aquela coisa romântica de achar que no passado as coisas eram melhores, mas notamos uma considerável diferença. 

Naquela viagem, a gente lembra de mergulhar e ser cercado por cardumes de peixes (os "sargentinhos", chegava a dar medo!). 

Vimos um monte de arraias, moréias, um tubarão, e tudo isso era visto em qualquer praia que se mergulhasse. 

Desta vez, não é que não tenhamos visto vida marinha. Vimos, sim. Na Baía do Sueste, inclusive, tivemos até a impressão de ter visto desta vez um número maior de tartarugas (até algumas com aqueles anéis que demonstram que elas estão sendo monitoradas pelo Projeto Tamar). Mas é inegável que os peixes já não são tantos. Vimos apenas uma arraia. Para ver algumas moréias, polvos e tubarões tivemos que mergulhar na Praia do Atalaia, que é um lugar quase sagrado de tão fiscalizado pelo IBAMA. 

Essas duas fotos que ilustram o post foram tiradas exatamente no mesmo lugar, com 08 anos de diferença, uma piscininha natural que fica na Praia do Cachorro - dá para ver a diferença?? 

Mas essa é só a minha opinião/impressão pessoal.

Tomara que eu esteja errada.  

Noronha 2002

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