27 de julho de 2011

nos entrevistaram no portal do IG!!!

Assim o pequeno viajante vai acabar famoso mesmo, hehehe...os links das reportagens são esses:

http://delas.ig.com.br/filhos/maes+dao+dicas+para+viajar+com+os+filhos/n1597089992481.html

http://delas.ig.com.br/filhos/viajar+para+destinos+exoticos+com+os+filhos+e+um+projeto+possivel/n1597090078701.html


Viajar para destinos exóticos com os filhos é um projeto possível

Com dois anos, Felipe já esteve no Nepal, na Rússia e na Índia. Mães viajantes contam como esquecer os resorts e levar as crianças para qualquer lugar

Carla Hosoi, especial para o iG São Paulo
20/07/2011 07:30


Felipe, montado em uma lhama, e os pais viajantes: enfrentando a altitude de Bogotá


Viajar e sair da zona de conforto é um desafio e tanto. Mais ainda quando o objetivo é explorar novos destinos na companhia dos pequenos. Pois é assim, sempre com as malas de um lado e os filhos do outro, que muitas famílias se aventuram a conhecer o mundo, derrubando aquela ideia de que viajar com bebês ou crianças para lugares inóspitos é, senão impossível, altamente desaconselhável.

“Toda viagem com criança é possível”, prega Claudia Pegoraro. Criadora do blog O Pequeno Viajante, ela narra as viagens feitas com seu filho Felipe, de apenas 2 anos. Claudia se baseia na experiência: com tão pouca idade, Felipe é dono de um passaporte invejável. Já conhece cerca de 16 países, como Nepal, Índia, Rússia, Mongólia, China, Colômbia, Canadá, Uruguai, Paraguai e Argentina, além de diversos estados brasileiros.

A estreia na estrada, ou nas longas horas de avião, aconteceu antes de Felipe completar três meses. “Como vimos que não era nenhum bicho de sete cabeças, fomos tomando cada vez mais coragem”, diz a mãe. Para Claudia, se Felipe sobreviveu à falta de estrutura da Índia – “onde há sujeira, falta de produtos básicos, como fraldas, a comida não ajuda e a questão do saneamento é precária” – dá para fazer de tudo. Neste momento, a família Pegoraro está em Bangcoc, na Tailândia, destino que faz parte de um projeto para lá de ousado: uma volta ao mundo em cinco meses.


Felipe, ao lado do carrinho, espera o transporte para a hospedagem em Katmandu, no Nepal


Cuidados redobrados – e compensados

Viajar com filhos pequenos para lugares inusitados e com pouca estrutura demanda cuidados redobrados: verificar se a carteira de vacinação está em ordem, providenciar vacinas específicas para doenças endêmicas nos países visitados, levar sempre um kit com os remédios habituais dos filhos, além de brinquedos, livros e outros objetos favoritos, para sempre ter uma referência de “casa” à mão. “Tudo tem que ser muito bem planejado, pensado. Dá trabalho, porque depois de um dia inteiro passeando, você chega exausta no hotel e ainda tem que lavar roupa na pia, por exemplo. Mas não tem alegria maior que ver ele correndo pelo Taj Mahal, comendo uma fruta diferente, brincando com crianças de todas as raças. Toda a energia dispensada compensa”, diz Claudia.

O mais importante, segundo a pediatra Silvia Mattoso Gioielli, é tomar cuidado com a água. “Alguns países da Ásia e África, por exemplo, podem ter condições de saneamento precárias. É recomendável beber apenas água mineral e, dependendo do caso, não usar água de torneira nem para escovar os dentes. A diarreia do viajante é causada por uma bactéria que se pega no contato com a água. E é uma das queixas mais frequentes dos turistas”, explica.



Filhos e viagens ou Filhos X viagens?

Vontade de por o pé na estrada e sair por aí quase todas as famílias têm. Mas e a adaptação da criança, as horas intermináveis no avião, o fuso, a diferença do clima, a alimentação? Os questionamentos pré-viagem são tantos que, muitas vezes, determinam a escolha por um destino já conhecido e mais confortável. Mas os pais podem abrandar as dúvidas – e, consequentemente, os medos. “Viajar com filho não é nada difícil. É como viajar em grupo: você tem que se adaptar”, diz a mãe viajante Sut-Mie Guibert, francesa radicada no Brasil há 14 anos, casada com um brasileiro e mãe de Clara, de 3 anos e meio e Nina, de apenas 2 meses. Sut-Mie recomenda alternar os programas. “Um dia fazemos um programa que queremos, no outro cedemos e fazemos um programa escolhido pela criança”.

Para ela, o ponto mais importante é estar aberto à adaptação. Afinal, viajar é sair da rotina. “Eu, por exemplo, nunca liguei se minha filha tivesse que comer papinha de potinho durante alguns dias. Algumas concessões têm que ser feitas”, comenta ela, que já carregou a filha mais velha para França, Portugal, Marrocos e vários destinos brasileiros.

Entusiasta de roteiros que extrapolam a comodidade, no final do mês ela pretende seguir rumo à Bolívia. “Sempre viajei muito e nunca entendi minhas filhas como um obstáculo nesse caminho. Pelo contrário: eu adoro viajar com bebês. Eles nos seguem, dormem bastante, só mamam. Não tem nada de complicado nisso. Se você parar para pensar, há ganhos, já que eles não pagam hospedagem, passagem aérea e nos permitem certas regalias, como não enfrentar filas ou ter um tratamento melhor em hotéis e restaurantes”, observa.


Quanto antes, melhor

Começar cedo é uma dica unânime entre as mães viajantes. Luciana Misura, mãe de Julia, de três anos e meio, relata suas viagens no blog Colagem. No total, já foram 26 jornadas de avião. Em média, uma viagem a cada dois meses, para os destinos mais diversos: Londres, Paris, Holanda, Aruba, México. “A Julia viaja desde os quatro meses. Para mim, não é nada complicado viajar com ela. Os únicos lugares onde não a levaria são aqueles que oferecem riscos evidentes, como guerras civis, instabilidades sócio-políticas ou doenças em evidência por contaminação de alimentos e água. O conforto, o hotel 5 ou 2 estrelas, não faz diferença nem pra mim, nem para minha filha. Quem busca isso ou aquilo somos nós, os adultos”, revela Luciana.

Cada idade da criança tem suas facilidades e dificuldades. Um bebê não tem vontade própria, sendo conduzido pelo desejo dos pais. Já a partir dos três anos, ela expressa gosto ou cansaço de acordo com a programação. “No caso das crianças maiorzinhas, uma boa dica é envolvê-la antes da viagem. Filmes, desenhos, tudo que fizer referência ao passeio pode confortar a criança, além de fazê-la participar de todo planejamento”, sugere Luciana, que alugou “A Princesa e o Sapo” e “Ratatouille” para assistir com Julia antes das viagens para Nova Orleans e Paris.

Bebê ou criança, um filho aumenta a responsabilidade, o volume da bagagem e diminui o ritmo da viagem. As mães viajantes concordam que os prós prevalecem. Mas que ganhos reais os filhos, com tão pouca idade, têm com essas vivências? Segundo a psicóloga Renata Guarido, crianças com até cerca de três anos e meio de idade registram as experiências pelo prazer. “A relação delas com o mundo é intermediada pelos adultos. Portanto, se as viagens têm um significado afetivo, um valor a ser compartilhado pela família, a criança atribuirá também um valor àquela experiência”, explica a psicóloga. “Se não existe o risco de um perigo real, que pode virar um trauma, não vejo porque não ofertá-la com a possibilidade de conhecer lugares incríveis”, conclui.

Para as mães, as viagens acrescentam muito mais aos filhos. “A Julia foi para o México com menos de dois anos e, de tanto ouvir as pessoas falarem “gracias”, ela mesma começou a falar, empregando a palavra direitinho”, comenta Luciana. “Não espero que minha filha se lembre de tudo que viu nessas viagens. Meu objetivo é despertar um olhar, uma curiosidade, fazê-la experimentar o novo, o diverso”, define Sut-Mie.

Independentemente de como as experiências fora de casa vão influenciar as crianças, para estas mães viajantes o mais importante é a companhia insubstituível dos filhos. A possibilidade de ficar com eles, sem a interferência dos apoios habituais da rotina, como babás, avós e escola, dá todo sentido à viagem. “Não tem nada melhor para uma criança do que estar 24 horas com o pai e a mãe. Nessas viagens, o Felipe fica o dia todo sendo estimulado por nós e por tudo que ele conhece e aprende. Não há nada mais gratificante, tanto para ele como para nós”, diz a mãe Claudia Pegoraro.




Mães dão dicas para viajar com os filhos

Dê preferência a acomodações com cozinha, leve um higienizador bactericida e não se esqueça da muda de roupa extra para os pais também

Carla Hosoi, especial para o iG São Paulo
20/07/2011 07:30

Experientes, os filhos de Cláudia Pegoraro, Sut-Mie Guibert e Luciana Misura já acumularam mais milhas em seus passaportes do que muitos marmanjos por aí. Felipe, de dois anos, conhece o Nepal; Clara, 3, já viajou para o Marrocos e Julia, de três anos e meio, aprendeu a falar “gracias” durante a estadia no México.

As três deram algumas dicas práticas importantes para os pais que vão encarar uma viagem – além dos resorts ou da Disneyworld – com as crianças. Leia abaixo.

Antes da viagem

- Cheque os tamanhos das roupas e sapatos dos pequenos, principalmente se o destino tem um clima ou estação do ano diferente da temperatura à qual a família está acostumada.

- Verifique se é fácil encontrar fraldas, papinhas e lencinhos no local escolhido. É prudente levar um pacote de cada: caso você chegue tarde da noite em um lugar desconhecido, sem dominar a língua, não precisará se preocupar em achar uma farmácia aberta.

- Hotel, pousada, apartamento, casa alugada, não importa: seja qual for a opção escolhida, cheque se haverá berço para o bebê, se há roupa de banho e cama e principalmente em que andar fica o quarto ou apartamento. Previna-se quanto à abertura de janelas e varandas. Cheque a disponibilidade de microondas e frigobar. São uma mão na roda para esquentar um leite ou uma comidinha de emergência.

- Não se esqueça das “referências portáteis”: leve livros, brinquedos, bonecas, bichinhos de pelúcia. Toda criança precisa desse conforto, principalmente para quando a viagem não está agradando tanto assim, como durante as intermináveis horas dentro do avião. Escolha os preferidos da criança e priorize os que ocupam menos espaço na bagagem.

- Monte um kit de remédios: analgésicos, antitérmicos, antialérgicos, remédio para vômitos, soro fisiológico e toda medicação de hábito da criança. Inclua também um bom protetor solar e repelente de insetos. E não se esqueça do telefone do pediatra.

- Cheque a carteira de vacina e aproveite para colocá-la em dia com o calendário de vacinas estipulado pelo governo. No Ambulatório do Viajante, no Hospital das Clínicas e na Escola Paulista de Medicina, em São Paulo, é possível fazer uma consulta para verificar se as vacinas estão em ordem e que outras você precisará tomar, dependendo do destino de sua viagem.

- Se seu filho é alérgico a determinado tipo de alimento, pesquise locais onde é possível encontrar comida adequada.

- Faça um seguro saúde com assistência médica local.

- Lembre-se dos equipamentos necessários para a “portabilidade” de seu filho: carrinho de passeio, cadeirinha de carro, bebê conforto, etc.

- Comidinhas e bebidinhas: leve no avião algumas coisas que seu filho gosta de comer e beber. Lembre-se que a comida do avião é bem pouco palatável.


Felipe no Nepal: descoberta de outras culturas


Durante a viagem

- Beba e ofereça ao seu filho somente água mineral. E evite gelo em países de saneamento duvidoso.

- Alimentação: no caso de bebês, uma boa alternativa são os potinhos prontos. Comprar alimentos no local, lavá-los bem (levar um higienizador bactericida, como o Hidrosteril, é recomendável) e oferecê-los sempre cozidos em vez de crus é a melhor opção. Dê preferência a acomodações com cozinha. Também é preferível descascar as frutas, principalmente em locais de condições higiênicas suspeitas.

- Durante os passeios, além do kit extra de roupas para o seu filho, leve sempre um kit de troca para o pai e a mãe. Crianças pequenas costumam sujar tanto suas roupas como as dos pais.



Depois da viagem

- Promova conversas sobre os locais onde vocês estiveram. Veja os álbuns de fotos e relembre os bons momentos com a criança.


Essas foram as reportagens publicadas. A entrevista completa segue abaixo: 

1) Desde quando você faz essas viagens a destinos exóticos com seu filho? Ele tem quantos anos hoje? A primeira viagem grande que fizemos com ele ele ainda não tinha nem 3 meses, foi aos Estados Unidos e Canadá. Depois, com 11 meses, fomos à Colômbia, bem mais “exótico”...também fomos a Fernando de Noronha, que foi um desafio com um bebê de 1 ano e 6 meses. Hoje ele está com 2 anos, completou no meio da Rússia os 2 aninhos, e já conhece uns 16/17 países.

2) Quantas viagens até hoje vcs já fizeram em família? Como vocês escolhem os destinos? Como seu filho influencia ou não nessa escolha? Já perdi as contas de quantas foram, porque além das narradas acima teve Uruguai, Paraguai, Argentina, várias pelo Brasil, a maioria está no blog! Na verdade, para ser sincera, a gente escolhe os destinos que a gente tem vontade de conhecer, o Felipe não influencia muito, não. Antes dele nascer, a gente achava que depois dele nós só íamos para a Disney e tal, mas depois da primeira viagem, que vimos que não tem mistério, e depois da Colômbia, fomos ficando cada vez mais corajosos. Claro que fizemos vários testes, em viagens curtas, perto de casa, até nos animarmos a fazer esta “volta ao mundo” de 5 meses, mas o que foi decisivo mesmo foi que a gente ama viajar e não seríamos felizes longe da estrada e também o fato de que o Felipe é a criança mais saudável de que eu já ouvi falar, nunca tem nada, nem febre, e isso faz toda a diferença, ele é muito parceiro! Agora mesmo, eu estou com uma diarréia adquirida na Índia, e ele nada! Há algum tempo atrás eu achava que seria uma loucura levar um bebê para a Índia, por exemplo, mas a gente vai ganhando confiança a cada viagem que dá certo. Então ele realmente não influencia muito na escolha dos destinos, porque se influenciasse eu nunca traria ele para cá! Ele influencia mais é na escolha dos passeios, tipo piscina, zoológico, parquinho, a gente tenta incluir no roteiro passeios que ele curta, como andar a cavalo, de elefante, essas coisas...

3) O que te motiva a viajar com um filho pequeno para tantos lugares diferentes? Vc sempre fez isso, mesmo antes do seu filho? Vc acredita que essas viagens contribuem para o desenvolvimento do seu filho em que sentido? Ele vai se lembrar da maioria delas ou vc nem leva o fator "lembrança" em consideração? Na verdade o que nos motiva é o prazer de estar na estrada. Sem ele, a gente não viria (óbvio que a gente não ia ficar nem 15 dias longe dele, imagina 5 meses), então a solução é trazê-lo. Não tem nada de meritório nisso, é até meio egoísta: a gente PRECISA viajar, então ele tem que viajar junto. Simples assim. Nós sempre viajamos, desde sempre. É que eu acabei conhecendo a Europa e os Estados Unidos antes dele nascer, também já tínhamos vindo 2 vezes para a Ásia antes dele, então depois que ele nasceu a gente voltou a alguns lugares que já conhecíamos, como o Nepal e a Tailândia, e acrescentou novos destinos. Acredito que as viagens contribuem para o desenvolvimento dele no sentido de que ele está 24 hs com o pai e a mãe, e não tem nada melhor para a estimulação de uma criança do que isso, ele fica o dia todo sendo estimulado por nós e por tudo que ele conhece e aprende. Se a gente estivesse em casa, ele estaria com a babá, na creche, seria bem diferente. Também contribui no sentido de dar a ele esperteza, ele está sempre ligado, cuida quando vem carro, como a gente anda na rua o dia todo, ele é muito mais ligado, mais esperto do que as crianças da idade dele nesse sentido. Não acredito que ele vá lembrar de nada, mas tenho certeza que ele vai adorar ver as fotos. Eu adoraria ter uma foto minha com 3 meses em Times Square, uma com 2 anos na Praça da Paz Celestial, em Beijing, e por aí vai! Porisso a gente tira muitas fotos!

4) Qual foi a viagem mais difícil que vc já fez com ele? Por quê? E qual foi o lugar mais inusitado que vcs visitaram juntos? Por que? A mais difícil certamente foi a Índia, porque é um lugar complicado mesmo sem bebê (muito marmanjo pede para sair), com bebê é um desafio total, pela sujeira, ratos, pela falta de opções de comida sem pimenta, pela dificuldade maior de encontrar produtos como fraldas, leite, por causa do calor de 44 graus também...lugares inusitados foram muitos, foi legal quando nos hospedamos em um ger na Mongólia, ele gostou de andar de elefante, e a viagem pela ferrovia transiberiana também foi legal para toda a família – o Felipe adora trens!

5) Que cuidados você têm antes de fazer a viagem? Existem cuidados específicos para famílias que viajam com filhos pequenos? Primeiro a documentação, pois eles precisam de passaporte, vistos, tudo como um adulto, e sempre é bom levar também uma cópia da certidão de nascimento, porque nos passaportes não tem o nome do pai e da mãe e isso pode causar problemas em alguns lugares. A gente também faz um check-up geral de saúde antes de viajar, os exames normais de sangue, de urina e fezes, para ver se ele está ótimo antes de pegar a estrada. E o principal cuidado é tomar todas as vacinas necessárias antes de viajar, tipo febre amarela, hepatite...e claro, arrumar a mochila dele é o mais difícil, levar poucas coisas e brinquedos pequenos, que caibam na mochila, é sempre complicado, tem que ter cuidado para não esquecer de nada que ele possa precisar e a gente tenha dificuldade de encontrar aqui fora, como um kit de remédios receitados pela pediatra dele (as listas/checklists estão no blog).

6) Suas viagens são no esquema "mochilão" ou você preza um certo conforto? Existe um mínimo de conforto que vc tem que garantir para o seu filho em qualquer viagem? Como ele lida com isso? Sempre foram no estilo mochilão e não mudaram. Não sabemos viajar de outro jeito, não achamos a menor graça! A única mudança é que agora procuramos hotéis um pouco melhores, lugares bem limpos para ficar/comer, as passagens de trem agora são sempre com ar condicionado, esse mínimo de conforto que é para ele e pra nós também! O que é mais importante para nós é que ele coma bem, esteja em um hotel limpinho, o básico, ele não tem nenhuma frescura. As crianças aprendem o que elas vivem – e o Felipe não conhece nada diferente disso, então ele gosta.

7) Pelo fato de seu filho ser bastante viajado, certamente ele deve ter diferenciais em relação a outras crianças. Vc acha que, mesmo com tão pouca idade, as experiências vivenciadas por ele já se manifestam em comportamentos, vida social, educação? É difícil falar nisso porque fica sempre parecendo corujice dos pais, mas a gente acha que o fato de ele viajar tanto com a gente deixou ele mais esperto sim, mais “ligado”, como eu disse antes. É claro que ele já sabe de coisas que outras crianças brasileiras nunca viram, como por exemplo os trens, que ele já sabe como são, aviões, comer de palitinho, ter sua camiseta puxada por macacos no Nepal...

8) Dá para viajar com filhos para lugares diferentes sem gastar muito dinheiro? Claro! O grande gasto é sempre com passagens aéreas, porque depois dos 2 anos as passagens infantis já são quase tão caras quanto as de um adulto, mas o resto não custa quase nada, hotéis acolhem crianças sem cobrar nada, trens, o segundo maior gasto é com comida e fraldas, mas isso a gente gasta em casa também, não é desculpa para não viajar!

9) Que dicas você dá para mães fugirem dos roteirões mais tradicionais, como Disney e Resorts confortáveis? Vc também viaja ou já viajou para esses lugares ou sempre escolheu destinos mais alternativos? A melhor dica é fazer o que a gente fez: ir criando coragem aos poucos, com viagens mais curtas, perto de casa. Uma coisa muito boa é viajar de trem, que tem bastante espaço para eles se movimentarem. Alugar carro também é ótimo, porque dá uma enorme liberdade de parar em qualquer lugar, a gente faz o nosso próprio horário, de acordo com as necessidades dele. Ao invés de ir para a Disney, porque não alugar um carro e viajar pela Califórnia? Ao invés de um resort no nordeste, porque não uma aventura em Noronha, para ver golfinhos bem de perto? O Felipe adorou! Até hoje ele ama ver o filme da nossa viagem para lá, com os golfinhos! Já fui para vários resorts no nordeste (Natal, Maceió, Salvador), Disneyworld e Disneyland, mas para ser sincera não acho mais muita graça...depois que a gente conhece a Ásia, a África, o Oriente Médio...dá vontade de conhecer cada vez mais!

10) Dá para ir para qualquer lugar do mundo com um filho pequeno? Além de um certo investimento, coragem e paciência, o que mais é preciso? Vc sempre leva um kit primeiros socorros, por exemplo? Vacinas? Em relação à saude, que cuidados é preciso ter? Acho que já respondi essa pergunta acima. Se sobrevivemos à Índia, Varanasi, com o Lipe, tudo é possível. O que mais é preciso? Energia e disposição, porque é muito trabalhoso – o tempo que antes a gente passava descansando, quando chegava no hotel, agora tem que dar banho no Lipe, lavar as roupas dele na pia do hotel, a bem da verdade, é trabalho duro, mas vale cada minuto! Não tem alegria maior que ver ele correndo pelo Taj Mahal, comendo uma fruta diferente, brincando com crianças de todas as raças...A lista do kit de primeiros socorros está no blog. Com relação à saúde, o principal cuidado é ficar de olho o tempo todo para ele não se jogar embaixo de um carro ou do metrô, e a alimentação – só água mineral bem lacrada, frutas que possam ser descascadas, leite de caixinha, vegetais só bem cozidos, esses cuidados básicos.

11) Vc nunca se arrependeu de nenhuma viagem que fez em família? Viajar em família é sempre melhor do que viajar a sós ou com seu marido, por exemplo? Por quê? Não, nunca nos arrependemos. Claro que é muito bom viajar de lua de mel, só com meu marido, o problema é que a gente gosta de fazer viagens longas, e não conseguimos ficar mais do que 2 ou 3 dias longe do Felipe, então as alternativas são viajar com ele ou não viajar. E é aquilo que eu já disse, viajar com o Felipe é cansativo, trabalhoso, exaustivo às vezes, mas sempre acaba valendo a pena, ele é divertido, engraçado, nos dá alegria o tempo todo.

12) Como evitar roubadas? Você tem dicas interessantes? Vc já caiu em roubadas? Como resolveu? Essa pergunta dá um livro. Já caímos em muitas roubadas, várias delas viraram posts engraçados depois de passado o susto e a confusão iniciais. O negócio é ficar esperto. Hoje mesmo caí em uma enorme roubada – furtaram minha máquina fotográfica no mercado de Chatuchak, aqui em Bangkok. A solução é resolver o problema como dá e não deixar um percalço como este estragar a viagem. Ainda bem que com o Lipe nunca tivemos nenhum problema.

13) Qual a maior alegria em conhecer o mundo com seu filho pequeno? E qual é a maior tristeza em se fazer isso (ou vc não vê nenhuma)? Ver os olhinhos dele brilhando com cada coisa nova que ele conhece, mostrar o mundo para ele e ver como ele gosta disso (puxou a nós!). Quando os aviões decolam, ele olha pela janelinha e diz “a gente tá indo pro céu!!!!” – isso não tem preço! Ele já aprendeu a dizer “vamo embora”, tá sempre querendo ir para um lugar novo! A parte ruim é que não dá para ficar até altas horas num pub em Londres tomando Guinness ou ir dançar salsa na Colômbia...fazer o quê??? A maior dificuldade é não ter nenhuma pessoa de confiança nunca para a gente ter uma folga. Somos nós dois 24 hs por dia – na estrada não tem avó, dinda, babá – então não tem nenhuma folga. Se eu vou me depilar ou o pai dele vai cortar o cabelo, ele tem que ir junto!

14) Seu filho sempre se comportou muito bem nessas viagens? Não teve problemas com adaptação da comida, do clima, da língua? Não, o comportamento dele é péssimo hahahahah! O Felipe é terrível, arteiro, não pára um minuto, nos dá um cansaço sem fim, ele não é nenhum exemplo de comportamento. Mas esse péssimo comportamento dele é contornado pela saúde de ferro, pela adaptabilidade. Essa é a maior vantagem dele. Se eu tivesse um bebê que vive doente, cheio de alergias, daqueles que pega um vento e tá resfriado, nunca ia me animar a viajar com ele. Mas o Felipe é um “tourinho”, hoje mesmo passou a tarde tomando banho de chuva em Khao San Road, na Tailândia, sem problemas. Ele come qualquer comida, não tem frescuras. Os DVDs que a gente trouxe arranharam e agora ele assiste DVDs novos que compramos em inglês. Aprendeu a dizer spasiba na Rússia, namaste na Índia. O que ele mais sofre é com o clima, ele é muito calorento e fica irritado com o calorão daqui.

15) Você mora onde? Vc passa mais tempo viajando ou mais tempo em casa? A referência de casa é tão importante para seu filho quanto a referência das culturas, lugares e vivências que ele já experimentou? A gente mora em Jaguarão, no Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai. Passamos muito mais tempo em casa, trabalhando, infelizmente! “Casa”, para o Lipe, é um quarto de hotel. Quando estamos passeando e ele está cansado, ele pede para ir para casa, se referindo ao hotel. Mas isso é assim porque estamos viajando há 3 meses. Sei que quando voltarmos para Jaguarão tudo volta ao normal, as crianças se adaptam a tudo com muito mais facilidade do que nós, adultos. Tenho certeza que para nós é muito mais difícil se adaptar a uma nova rotina do que para ele – para ele tudo é diversão! O difícil vai ser a gente se desgrudar dele depois de 5 meses grudados 24 hs por dia – mas, de novo, sei que isso também vai ser mais difícil para nós do que para ele!

Um comentário:

  1. Ameiiiii! Gostei mais das tuas respostas a entrevista do que a reportagem em si! To me lamuriando aqui de saudades do gordinho mais amado do planeta!!!!bjinhos da dinda!

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